despretensão.

Um ex namorado me disse uma vez que as mulheres mais cativantes que ele já conheceu eram aquelas que não tinham pretensão de nada. De início, não entendi e fiquei passadíssima. Ser mulher e não ter pretensão de nada, na minha humilde opinião, é quase como não ser mulher. Estamos habituadas – e condicionadas – a ser tudo, ao mesmo tempo e, de preferência, já.

Mas daí  ele continuou. Disse que as mulheres mais interessantes não esperavam ter muitos amigos ou ser super aceitas, que não imaginavam estar sempre cercada de grandes paixões e que nunca, nunca acreditavam estar sendo interessantes – ou atraentes para alguém. Pensando melhor sobre isso hoje de manhã, acho que pessoas assim – homens ou mulheres – são leves, simples e, talvez por isso, memoráveis. Não se preocupam com a quantidade de palavrões proferidos – ou a falta deles – não ligam de gostar de samba ou de rock e não estão nem aí se estão bem ou mal vestidas, se irão causar uma impressão positiva ou negativa. Apenas estão lá, vivendo, sendo qualquer coisa que quiserem ser, sem a intenção de impressionar. E, assim, de-fe-can-do pra opinião alheia, são altamente atraentes por seu modo de encarar a vida.

Essas mulheres, disse esse meu ex, são raras. E estão a cada dia mais escassas. Têm um brilho no cabelo descabelado, uma graça na unha meio mal feita e, sei lá, um ziriguidum que não se trabalha; se nasce, se é. Imagino essa gente sensacional com o cabelo ressecado saindo da água do mar, sabe? Usando pijama de bichinho, pantufa pra ir na padaria, zero sensual na hora da foto? Então.  No meu clichê mental, as mulheres maravilhosas até são vaidosas, mas nunca, jamais, neuróticas. E como isso é difícil no mundo de hoje, não é? Somos praticamente movidas pela neurose de estar na moda, de estar mais magra, de estar sempre lindas. Talvez, todas nós nasçamos sensacionais e nem nos damos conta disso.

Ser uma mulher interessante virou sinônimo de ser um pouco paranoica – seja quanto à celulite, o cabelo, à maquiagem ou qualquer outra coisa que nos desassossegue. E ainda estou tentando entender por que (ou por quem) nos esforçamos tanto por estar impecáveis. Se não for única e exclusivamente por nós mesmas, não vale a pena.

Querida leitora, essa é minha dica: relaxa na bolacha. Se os seres humanos memoráveis são esses desencanadões aí, sejamos mais livres. Let it be para conseguir conquistar o mundo.

Quem sabe assim a gente recupera a tal da espontaneidade que cativa? E resgata alguma coisa que perdeu nesse processo de busca por si mesmo?

Seríamos bem mais felizes. Não tenho dúvidas.

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eu inimigo.

Não sou italiana, mas falo com as mãos. Aliás, minha família é meio índia, meio portuguesa, meio escrava e não tem nada a ver com pouca massa e muito molho, mas eu adoro. Adoro tudo em excesso.

Sempre amei demais, sofri demais, chorei demais e, em contrapartida, ri demais também. Adoro uma coisa que é proibida, ilegal, imoral, arriscada, problemática… E lá pelos 15 anos era a rainha da confusão. Pensando dessa forma, percebo que envelheci uns 20 anos em 10, hoje dou muito mais valor a cultivar o que conquistei de bom na vida, ao invés de sair por aí, me arriscando como se não houvesse amanhã. Pra completar, arranjei um medo fortíssimo de altas velocidades que me impede de ser #vidalokakabulosa como no passado.

A questão é que quanto mais envelhecemos, mais começamos a refletir sobre as coisas que deixamos de fazer. E a remoer os tempos que passaram, a viagem que não foi feita, aquele caso amoroso que por umas ou outras nunca se encaminhou, etc, etc. E o pior não são as saudades que ficam, mas os medos que se instalam. Ficamos saudosistas num grau de deixar de aproveitar a vida como ela se apresenta, como se tudo fosse trabalho e feriado, como se vivêssemos num ciclo infinito de chatisses adultas. E como fazemos planos, Senhor! Todo o tempo livre vira um esquema tático, qual o melhor horário para ir no cinema sem se estressar, para comer sem abusar, pra ir pra praia sem enfrentar 5 horas de trânsito no sol… Lá se vai a espontaneidade e ficam os questionamentos.

Não se tem mais vontade de pular de para-quedas. Não experimentamos mais um prato exótico. Não saímos mais do conforto que encontramos.

Por que não encontro um novo amor?

Por que não consigo um emprego bacana?

Por que sempre acabo mais cansado quando deveria descansar?

Pensar demais, cansa. Deixe a vida surpreender um pouco, preste atenção naquilo que você quer e nas atitudes que toma para que essas coisas aconteçam. Às vezes, os maiores inimigos da nossa felicidade somos nós mesmos.

E somos realmente cruéis.

 

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