sobre os últimos tempos.

Estou há um tempo recorde sem escrever. O que é muito, muito estranho. O que é anormal, eu diria. Logo eu que falo pelos cotovelos, vocês bem sabem, que sempre tive tantas considerações acerca das coisas todas, que sempre me vi pensando demais sobre o que vai acontecer com a minha, com a sua, com a nossa vida – e com a vida de gente que eu sequer chegarei a conhecer – perdi, nas reflexões, as tais palavras. E me mantive quietinha.

Entrei num estado de contemplação sobre coisa nenhuma e tudo, simultaneamente. Onde cada dia se é vivido em doses homeopáticas, saboreados como brigadeiro caseiro em aniversário infantil. Nada me cabe tão bem nesse inverno como um período de descanso da vida que sempre correu tão depressa bem à minha frente. Que sempre esteve tão distante do que se tem e do que se espera.

Não sinto mais aquela necessidade de fazer tudo até a última gota, como se fosse evaporar. Mas também não me permito deixar mais as pequenas – e sutis coisas – passarem despercebidas. Muita coisa acontece, afinal, enquanto a gente olha pra frente e não pra dentro.

Dos amigos me restaram poucos.

Do dinheiro, como de costume, também pouco.

Mas dos sonhos, esses, implacáveis, me sobram ainda muitos.

Que resolvi absorver e tentar – pacientemente e racionalmente – concretizá-los sem atravessos.

E às vezes é preciso calar, ainda que inconscientemente. Porque nesse texto, por exemplo, nada foi dito.

E tudo, ao mesmo tempo.

Continue Lendo

a pessoa errada.

Não adianta mentir: sei que você, um dia na vida, já gostou de uma pessoa bem errada. Que fumava quando você tinha crise de alergia e bebia até não se lembrar mais de quem era. Já gostou de um bad boy ou de uma bad girl que se envolvia com tudo que era ilegal, imoral, controverso e adorava. Achava que aquilo uma hora ia se converter em algo bom, que você era a chave pra melhora daquele ser humano transviado.

Tenho certeza que acreditou que um relacionamento pudesse funcionar com uma pessoa que não respeitava os próprios pais, e que nunca conseguia achar um bom emprego. Ou que aquele cara lindo, que conheceu no verão e que não gostava muito de estudar poderia ser, com certeza, o pai dos seus filhos. Todo mundo se interessa por aquilo que desconhece, por aquela parte de um mundo que nunca vai fazer parte. Já andou com a turma do mangá adorando pagode, já foi em balada de metal sendo fã mesmo de sertanejo. Costumamos nos interessar por aquilo que podemos mudar, por aquelas pessoas que achamos ser capazes de consertar. Pelo cara casado com filho, que se diz carente e mal amado, por aquele homem que tem problemas com fidelidade ou por aquela mulher que não consegue, de jeito nenhum, se portar em locais chiques.

Reclamamos quando temos problemas, mas são eles que nos impulsionam a viver. São eles que nos ocupam da nossa realidade não tão satisfatória assim e nos dão sentido para prosseguir. Precisamos que alguma coisa ruim aconteça para nos mexer, se não, a gente mesmo procura sarna pra se coçar, não tem jeito. É um processo natural que uma hora ou outra todo mundo encara, como uma fase de vídeo game na qual precisamos tirar alguma lição.

Conquiste alguém que você acredite ser “muita areia para o seu caminhãozinho”. Busque nos outros o melhor que você possa ser. É sério, você merece. Só conseguimos evoluir quando acompanhados de quem nos faça superiores, daqueles que acreditamos ser pessoas de bom caráter, índole e futuro.

Ninguém muda do dia pra noite, nem quem está buscando intensamente por isso.

Porque então, dificultar?

Chega de escolher quem não acrescenta.


A foto é daqui óh: http://weheartit.com/entry/61065169/via/isla_perry

Continue Lendo

tchau, ontem.

Uma das maiores verdades sobre a vida é que ela não nos dá a opção de ficar parados. Aliás, a vida, essa bandida, não nos dá opções. Assim como um dia amanhece após o outro, seguindo seu curso natural, nossos caminhos se abrem: infinitas possibilidades, casos e acasos que, embora você ache que tem total controle, não faz a menor idéia de como se darão.

Um dia aquela sua amiga de infância fica grávida. A outra, que tinha certeza que estava casando com o tal amor da vida, separou. Seu primo, engenheiro, resolve montar uma cafeteria e se dá super bem. E a professora de história se descobriu mesmo sendo ilustradora infantil. Nada é definitivo, embora tentemos ao máximo fazer com que seja.

Um dia o cliente acha aquele texto uma porcaria. No outro, elogia sua eloquência. Temos um dia e depois mais outro para nos renovar, reinventar, mudar. E ainda que você continue fazendo as coisas exatamente iguais, para não arriscar, hoje é completamente diferente de ontem. Você não é mais o mesmo, nem as pessoas ao seu redor.

Acho imprevistos deliciosos. Eles dão graça e sabor à vida, dão ritmo as coisas paradas, abrem perspectivas. Ainda que você sofra um acidente, perca um filho, não consiga mais enxergar. Ainda que alguma coisa realmente ruim aconteça, NADA é por acaso. Nada é sem por que. Você hoje por não entender porque está num emprego tão ruim ou o que fez para merecer tamanho castigo. Não entende porque não namora com o cara x, y, z, não sabe porque não consegue passar na maldita prova. Continue tentando, continue insistindo.

Hoje não nos é permitido saber sobre amanhã.

E ainda que tivéssemos o poder de olhar para frente, viveríamos na expectativa das coisas boas ou ruins, viveríamos escravos dos futuros resultados. Você deve viver o agora. Se o dia está sendo ruim, se a noite foi mal dormida, se a semana está passando devagar – não importa. Haverão mais dias, noites e semanas para que tudo mude de rumo, constantemente.

E é por isso que você,ainda que negue, ainda que se entregue, ainda que não queira mais olhar para nada em relação a vida, não pode desistir, não consegue.

E, sinceramente, não deve.

Continue Lendo