o voodoo nosso de cada dia.

Algumas coisas são bastante difíceis de encarar, eu sei. Sei também que quando estamos no olho do furacão enxergamos tudo pelo nosso ponto de vista – seja da dor, seja do amor, seja do ódio – e que distorcemos todas as coisas para tentar contornar emocionalmente seja qual problema for. Mas tem uma coisa, uma única coisinha nessa vida, que eu não consigo admitir: que as pessoas façam barraco. É a prova maior da ausência de auto-estima.

E não estou falando aqui daquele barraco que, vez ou outra, acomete a vida de uma mulher injustiçada, não estou falando de mi mi mi entre quatro paredes, crise de choro ou uma lavagenzinha de roupa suja. Estou falando do barraco estilo “Casos de Família”, onde é tudo puta e viado, onde se perde o nível, a noção e as estribeiras passam longe. Onde se faz ameaça de morte, voodoo, escândalo no shopping, indiretinha no Facebook com mentira atrás de mentira marcando os envolvidos, expondo a família, os amigos, os filhos, a comunidade cristã, budista, os monges do Tibete, o SAMU, chamando todo mundo praquela maravilhosa torta de climão que está a sua vida. Apenas parem com isso. É feio, sabe? É deprimente. E mais que isso: não conserta nada. Não traz seu amor de volta em 7 dias, não te faz sentir menos corna, nem deixa ninguém mais ou menos culpada por absolutamente nada, garanto. E digo mais: é cansativo, faz mal. E não afeta a felicidade de quem está verdadeiramente feliz. Chega de voodoozar a vida alheia, ordinária, vai dizer que não sabia que as coisas iam terminar mal? Sabia sim. E se não fez nada enquanto podia (ou fez de tudo o que podia pra contornar e num deu), pode parar de causar agora, faiz favô.

Dignidade já.

Chega de ficar alimentando sentimentos ruins e sendo incentivado a tomar providências por coisas já findadas e sem solução. Geralmente sofremos não por aquilo que podemos resolver, mas pelo o que sabemos que já não há mais como reverter. Fez uma cagada? Assuma a culpa e fique quieta. Foi desrespeitada? Leve como lição para não permitir que as coisas cheguem às vias de fato. E é isso. A vida ensina, a vida segue. E não, bixo, não se resolve tudo no grito, na peixiera, no babado e confusão. Você sabe.

Os seres humanos, infelizmente, cometem erros. Um dia da caça, outro do caçador. O mundo dá voltas, a vingança é um prato que se come cru, praga de urubu não pega em beija-flor, eu não sou tuas nêgas, e todas essas frases de efeito existem por um único motivo: aqui se faz, aqui se paga (olha aí, usei mais uma). Calma lá, queridinha. Se você quer tanto destruir o mundo de alguém porque o seu foi devastado está sendo exatamente igual a quem te fez mal. Ah, sim! E isso também vai ter volta, viu? A regra é clara, Arnaldo.

Nada melhor do que desapegar-se para viver. Afinal, todo mundo nessa vida vai carregar uma cruz.

Vamos parar de chutar a alheia?

Já estive dos dois lados e garanto: tudo se transforma. E geralmente, no melhor para todos s envolvidos. Pode crer.

Continue Lendo

e por falar em traição…

Se eu pudesse fazer uma estatística da minha caixa de entrada do blog diria que 90% dos e-mails são relacionados à traição – eminente ou em andamento. De pessoas que se dizem culpadas, mas possuem um prazer secreto em manter duplas (às vezes triplas…) realidades, de gente que não tem coragem de terminar com o oficial para ficar com o outro, e de gente, principalmente esse tipo de gente, que já não ama mais, mas que não consegue admitir.

Eu não sei se já disse isso em algum lugar nesse blog, mas eu já trai há anos atrás e foi uma das piores situações da minha vida. Não porque eu seja uma moralista, mas porque fiz isso dominada pelo descaso, pela vontade de chamar a atenção de qualquer forma e de demonstrar o famoso “se você não me quer tem quem queira”. Coisas da juventude.

Não conheço todos os meus leitores ao vivo. Não sei com precisão o que acontece dentro desses namoros e casamentos,  que são narrados como longos e sem conflito. A questão é que consigo notar, só pelo jeito que descrevem, que são situações tão sem sabor quanto xuxu congelado e tão grudentas quanto xarope em cobertor Parahyba; as pessoas se vêem presas à vínculos de respeito e não de amor. E acabam por desrespeitar o outro para se ver livres.

Mais que vadiagem, safadeza ou curiosidade: trai-se por ausência de perspectiva ou por vingança. Você gosta da pessoa, mas sabe que a coisa não vai pra frente. Você gosta, mas ela não é para você. Você gosta, mas o relacionamento está morno, chato, não vale a pena nem discutir. Você trai porque não tem coragem de dar um basta, foi traído ou se sente preterido. Não tem mais tesão por AQUELA vida à dois e passa a olhar para os lados em busca de alguém que faça você sentir de novo alguma coisa. Qualquer coisa. Ainda que seja raiva. Aí entra a emoção do proibido, a chance de ser um pouquinho mais feliz de forma complicada. Adoramos problemas, eu sei, mas tome cuidado antes de jogar para o alto algumas coisas mesmo que não estejam mais tão boas assim.

Há atitudes na vida que são irreversíveis.

 

Continue Lendo