biscoito da sorte.

Conversando com um amigo sobre as  maravilhas do amor moderno (o que não vem ao caso…) e sobre a minha total falta de noção sobre o que eu vou ser quando crescer mesmo já sendo gente grande, ele me disse a seguinte frase: “A preocupação nunca venceu o destino.” Achei que apesar dele afirmar ter lido tal citação num biscoito da sorte chinês tamanha sabedoria valia uma análise.

Cá está ela.

Sou uma apavorada, é sério. Nasci de 5 meses. Num sei esperar nem o bolo assar, geralmente corto e me sirvo de um pedação quente e cru só pra me certificar MESMO que ele está horrível e que precisa assar mais. Tenho gastrite. Tenho compulsões esporádicas por compras inúteis (a do momento são os esmaltes…), destruo minhas orelhas durante a noite, de nervoso, (é, isso mesmo) e faço listas. Inúmeras. De coisas que quero comprar, fazer e ser. Listas eternas que ficam espalhadas aos montes, já comentei disso aqui com vocês. Não sei esperar absolutamente nada acontecer. Vou lá e faço. Barganho com Deus até tempo bom ou ruim. Atropelo o destino. Sou tão preocupada que me caem os cabelos, perco a fome e o sono. Eu farei terapia, pode deixar. Mas, sabe, apesar de todas as minhas loucuras sei que nada faz com que as coisas sejam diferentes do que elas devem ser.

Somos capazes apenas até certo ponto de fazer o melhor por nós mesmos. Ou às vezes o pior. A verdade é que não dá pra não acreditar em Deus. A gente sempre esbarra numa impotência ou outra que você pode chamar de azar, mas eu chamo de timming divino.Gente sem nada que de repente tem tudo. Gente com tudo que de repente fica sem nada. Gente burra que funciona, gente inteligente que nunca evolui. Todos os tipos de gente, de repente, num certo momento da vida… PUM. Algo ocorre.

Olha só, fiz uma faculdade, faço outra e num trabalho oficialmente desde 2008, sabe? Que encosto é esse, gente? QUE EXU. Não adianta eu ter crises psicóticas, sinceramente. E também num adianta eu ficar tentando prever acontecimentos como se a vida fosse uma coisa linearzinha, cheia das suas ações e reações. Seria muito bom se tivéssemos 100% de certeza de que o melhor para nós é o que fazemos. Simplesmente temos noções básicas de conduta, mas no final das contas, creio que existe algo maior que tudo isso, honestamente.

A vida é tão engraçada que fui bizarramente ajudada por um biscoito chinês alheio. E  juro que vou perguntar para o meu amigo se ele ainda tem anotada aquela sequência de números sem lógica que vem atrás da sorte do biscoito…. JURO que vou jogar na Sena.

Vai que, né?

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por dentro.

Gosto de ficar analisando minhas próprias condutas para ser uma pessoa melhor. Obviamente, sou terrível em muitos aspectos, mas acho inconcebível o fato das pessoas não serem capazes de auto-corrigir-se (está certa a grafia dessa palavra?) e melhorar, tentar ser seres vivos mais dignos e agradáveis para si ou para com os outros. Meu pai é assim, uma muralha. Não ri, não chora, não admite erros. Não pede perdão, nem desculpas, não demonstra carinho algum. Meu pai e mais uma série de outras pessoas que conheço.

Não nascemos exatamente do jeito que somos hoje, me refiro aqui ao momento presente. Seria um clichê da psicologia dizer que o que nos define é parte DNA e parte exeperiências, mas essa é a maior verdade sobre todas as coisas das quais escrevo aqui. Penso que se nosso DNA é imutável, deveríamos fazer com que as nossas experiências mostrem coisas. Quando nos enervamos com algo, procurarmos saber o por que verdadeiro de tal. Quando desgostamos, quando nos entristecemos… Enfim, o tal do auto-conhecimento.

Penso, também, que a maioria das pessoas ou busca o auto-conhecimento e se torna melhor ou se fecha na tal da imutabilidade, tornando-se intragável. O mundo é que está errado, não você. A sociedade é que é clichê, cheia de convenções, não você, você nunca. Ou melhor, você sempre.E  o mais engraçado é sofrer com essa mesma decisão de manter-se rígido em relação aos próprios conceitos.

Alguns chamam de egoísmo, outros de egocentrismo. Os mais ousados chamam de amor-próprio, que, pra mim, é um conceito bem distorcido já que beira o orgulho cego. Eu chamo de escrotisse. Eu odeio gente escrota.

Acho que se não for pra fazer as coisas por si, que seja por quem você realmente se importa. Se não for pra mudar porque deseja, que seja porque é preciso. Porque a vida seria mais leve assim; sem crises, cobranças, é gostoso fazermos alguém feliz mesmo que isso nos torne “a little bit miserables”. É como cutucar a casquinha da ferida que coça: dói, mas também nos dá um estranho prazer de arrancá-la de lá. Deixa marca, mas sara. E depois a gente nem lembra de onde veio aquela cicatriz que não nos deixou mais ser 100% igual ao que éramos antes, mas no final das contas, nem fez muita diferença.

O importante é que ela se instalou lá para aprendermos a não tropeçar pra não machucar tão feio.

Amar (num sentido amplo) é simples assim.

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