sobre a intimidade forçada.

Não sei quanto a vocês, mas não tenho paciência pra gente insistente. Sério. Nunca tive.

Acho que forçar uma situação de amizade/intimidade extrema é sempre desagradável, não tem jeito. Para quem força, percebe que está sendo mala e não pára e pra quem precisa absorver toda essa “desenvoltura” alheia. Não existe coisa pior do que viver relacionamentos que não existem, ser simpático com pessoas que te tratam mal e, pior ainda, não dar uma bela cortada em alguém que te xaveca – e por quem você não tem o mínimo de interesse. Essa última, sem dúvida, é a pior das situações.

Não dá pra ser indelicado. Não dá pra ser arrogante pra depois ouvir o clássico “mas você entendeu errado, não queria nada com você”. OKAY. A verdade é que a gente sabe quando alguém está interessado na gente, sabe mesmo. E para os super xavecadores, fica a minha dica: se ainda não rolou uma reciprocidade da gatinha/gatinho, não vai rolar mais tarde. Parem por favor. É menos feio.

Mas como em terra de cego quem tem olho é caolho, e o ditado não tem nada a ver com o texto, mas eu quis utilizar, que atire a primeira pedra quem nunca deu uma forçadinha consciente seja lá em que situação for. Quem não ficou melhor amiga daquela vizinha chata por conveniência? Ou quem já não esteve lá, movendo montanhas, mundos e fundos por aquela sujeitinho que – bem no raso, e a gente já sabia –  nem tchum pra gente?

É, jovens. Tudo na vida tem dois lados. Às vezes somos os incomodados, às vezes somos àqueles que incomodam.

VAMOS ABRIR O OLHO, PESSOAL.

Se o cara não responde aquela mensagem, talvez ele não queira te encontrar.

Se as respostas, por sua vez, são evasivas, frias, se ele está sempre atrasado, sempre enrolado no trabalho, em outra cidade, sempre encontrando desculpas – semana após semana – para não tomar aquele choppinho, para não repetir o cinema, páre de insistir.

Quem quer, já cansei de falar, dá um jeito. Fica. Remarca. Arranja alguém pra ficar com os filhos, adia até o aniversário da própria mãe.

Sentiu, de leve, que está sendo enrolada? Recue. O mundo está cheio de gente disposta, interessante, interessada e que está afim de estar com a gente.

Chega de querer comer a azeitona salgada da empada seca. Engasga.

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Os livros (sobre tudo) que li no último mês!

A imagem desse post é daqui: http://criticaconsciente.wordpress.com/category/livros-e-papeis-de-pao/

Como toda a pessoa que gosta muito de escrever, eu leio bastante. Muito mesmo. Teve épocas em que lia até um livro por semana, quando tinha mais tempo e não tinha um TCC pra administrar além do meu trabalho. Não tenho preconceito com nenhum gênero, já recebi livros de leitores para dar opinião, soft porn, livros de auto-ajuda, piada, humor… Leio de tudo. E quando estou um pouquinho mais ociosa, costumo pegar emprestado obras teóricas, crônicas e tudo o que aparecer na minha frente para devorar. Chato ou legal, acho que todo o livro ensina alguma coisa pra gente – nem que seja a nunca mais querer ouvir falar sobre um determinado autor.

Resolvi fazer uma listinha breve das melhores obras que li no último mês e espero que na sua próxima visita à livraria eles te dêem uma noção de que autores/gêneros/obras escolher!

Aproveitem! =D

Esse post não foi pago, eu comprei todos os livrinhos da lista e não ganho nada da Saraiva, do Submarino, do Extra ou do Ponto Frio para falar por aqui, ok? (não que tudo isso seja ruim, só queria avisar!)

Tudo por minha conta e risco!

 

BIOGRAFIA

Tim Maia – Vale Tudo

Ao contrário do que todo mundo imagina, Tim Maia, o autor de tantas músicas atemporais e animadas que tocam de casamento e formatura à batizado de bebê foi um cara sofrido. Negro, gordo e cafajeste, como ele mesmo se autodenomina, Tim teve uma infância e uma adolescência humilde e um histórico imenso de amores mal resolvidos, traições e momentos dramáticos. A história do rei do soul music nacional ensina muito sobre aquilo que pensamos sobre as celebridades – e àquilo que elas realmente foram em vida.

Escrito pelo jornalista e produtor Nelson Motta (amigo de Tim e também autor do livro “Noites Tropicais”, que fala sobre os bastidores da MPB no início da Bossa Nova), o livro é rico em detalhes, diálogos, risos e encontros. Para quem, assim como eu, é curioso sobre seus ídolos, o livro é uma boa pedida e pode ser encontrado também em versão pocket por cerca de R$15,00 (aqui e aqui).

 

SUSPENSE

O Jardim de Ossos – Tess Gerritsen

O Jardim de Ossos é uma obra bem construída que circula entre passado e presente, misturando romance e suspense sem se tornar dramática (ou melosa demais). O livro conta a história de Júlia, uma jovem recém-divorciada que encontra no jardim da casa que acaba de adquirir ossos não identificados que guardam um grande mistério… Em busca de respostas,  Júlia embarca em uma jornada vivida em 1930 pelos personagens Norris, Oliver e a imigrante irlandesa Rose. Júlia revive mortes, dramas, perseguições, intrigas e desvenda junto com seus antepassados a história do famoso estripador de West End.

Separadas por quase dois séculos, as duas histórias se desenvolvem de forma instigante, e levam a um final chocante e inimaginável. Confesso que tive medo de ler à noite, antes de dormir, e parei o livro várias vezes pra evitar pesadelos! Rs… Mas é uma obra excelente que faz com que queiramos ENGOLIR cada detalhe durante a investigação.

Comprei a versão VIRA-VIRA, baratinha, com dois livros da autora nesse link aqui. (MAS AINDA NÃO LI O OUTRO! AGUARDEM!)

 

DRAMA/ROMANCE

A Culpa é das Estrelas – John Green

A Culpa das Estrelas é um livro triste, para quem quer refletir sobre a vida. Me rendi aos encantos dessa pequena obra de tanto ouvir falar do autor nas redes sociais e não me arrependi. Apesar de previsível a obra é muito bem escrita e bastante poética. Com vários diálogos de aquecer até mesmo o coração dos mais céticos, Hazel, e Augustus vivem um romance adolescente como qualquer outro, exceto pelo fato de que ambos enfrentam uma situação de câncer terminal. Entretanto, com muito bom humor e quebra de clichês, John Green consegue cativar seus leitores pela coragem em abordar de forma leve um tema tão delicado. Vale cada a página.

Comprei o meu na Livraria Cultura de São Paulo (a da Av. Paulista), mas você pode encontrar aqui óh.

 

SCI-FI/AVENTURA

Feios/Perfeitos/Especiais – Scott Westerfeld

Nunca tinha lido nenhum livro desses futuristas. Na verdade sempre li muito mais crônicas que narrativas, mas como moro em uma república de estudantes (e todos tem um gosto bastante eclético para livros) acabo esbarrando, vez ou outra, em uma obra mais diferentona daquilo que tenho hábito de consumir. Fiquei muito intrigada, na verdade, com a capa dessa trilogia, mas apesar disso dei preferência ao meu bolso e, mais uma vez, comprei as versões pocket (Vira-Vira). É ótimo pra levar no ônibus, na bolsa e, cara… Você compra DOIS LIVROS PELO PREÇO DE UM. É sucesso.

Voltando a história em si, os livros “Feios”, “Perfeitos” e “Especiais” fazem uma crítica não declarada à sociedade das aparências em que vivemos atualmente. Pelo menos, foi assim que encarei a narrativa. Nessa sociedade “do futuro”, meninos e meninas aguardam ansiosamente os seus 16 anos um momento no qual são transformados, literalmente, em pessoas perfeitas. Deixam de ter as características vindas de seus pais por meio de cirurgias plásticas e tecnologias malucas, para terem a aparência dos sonhos e a vida que todo jovem inconsequente gostaria de levar para o resto dos seus dias: com festas, glamour e pouquíssima reflexão sobre os problemas do mundo.

Me surpreendi com a aventura, me envolvi com os dramas e achei o livro uma excelente forma de despertar na galerinha mais nova, que curte esse tipo de literatura, uma reflexão sobre o que é bacana-certo-bonito-feio-novo-velho e outras muitas coisas loucas que acontecem durante o texto. Mas já aviso: não dá pra ler só um volume. E a versão VIRA-VIRA só traz duas, das três (que na verdade são quatro obras, mas eu não li a última, que é como se fosse uma continuação A MAIS da história) e você acaba tendo que investir um pouco  no último livro, em tamanho normal e também mais caro que os outros.

Você pode comprar os VIRA-VIRA aqui, por + ou – R$15,00, no formato individual ou em kit, que estão com um preço bacana no Submarino.

 

ESSE POST NÃO É UM PUBLIEDITORIAL.

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e por falar em traição…

Se eu pudesse fazer uma estatística da minha caixa de entrada do blog diria que 90% dos e-mails são relacionados à traição – eminente ou em andamento. De pessoas que se dizem culpadas, mas possuem um prazer secreto em manter duplas (às vezes triplas…) realidades, de gente que não tem coragem de terminar com o oficial para ficar com o outro, e de gente, principalmente esse tipo de gente, que já não ama mais, mas que não consegue admitir.

Eu não sei se já disse isso em algum lugar nesse blog, mas eu já trai há anos atrás e foi uma das piores situações da minha vida. Não porque eu seja uma moralista, mas porque fiz isso dominada pelo descaso, pela vontade de chamar a atenção de qualquer forma e de demonstrar o famoso “se você não me quer tem quem queira”. Coisas da juventude.

Não conheço todos os meus leitores ao vivo. Não sei com precisão o que acontece dentro desses namoros e casamentos,  que são narrados como longos e sem conflito. A questão é que consigo notar, só pelo jeito que descrevem, que são situações tão sem sabor quanto xuxu congelado e tão grudentas quanto xarope em cobertor Parahyba; as pessoas se vêem presas à vínculos de respeito e não de amor. E acabam por desrespeitar o outro para se ver livres.

Mais que vadiagem, safadeza ou curiosidade: trai-se por ausência de perspectiva ou por vingança. Você gosta da pessoa, mas sabe que a coisa não vai pra frente. Você gosta, mas ela não é para você. Você gosta, mas o relacionamento está morno, chato, não vale a pena nem discutir. Você trai porque não tem coragem de dar um basta, foi traído ou se sente preterido. Não tem mais tesão por AQUELA vida à dois e passa a olhar para os lados em busca de alguém que faça você sentir de novo alguma coisa. Qualquer coisa. Ainda que seja raiva. Aí entra a emoção do proibido, a chance de ser um pouquinho mais feliz de forma complicada. Adoramos problemas, eu sei, mas tome cuidado antes de jogar para o alto algumas coisas mesmo que não estejam mais tão boas assim.

Há atitudes na vida que são irreversíveis.

 

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desconfie.

Ele te liga todo o domingo sem falta; 1 e 45 da manhã. Te chama de neném, te chama de amor, diz que você é a mulher mais linda que ele já conheceu, mas nunca combina um cineminha no sábado à tarde, ou um passeio rápido do shopping. É sempre simpático, mas diz que não é afeito às demonstrações públicas de carinho; nada de beijinho de oi, nada de pegar na mão. De segunda à sexta, some. Vira e mexe te manda uma mensagem mais apimentada, principalmente às quartas-feiras, quando você já estava considerando o sujeito morto. Não tem Facebook, Twitter, Tumblr, mas de alguma maneira sabe o que você posta por lá. A cada 15 dias dá uma desculpa qualquer e viaja, SEMPRE  “à trabalho”. Não atende o celular nem sob decreto e o último relacionamento em que ele esteve e você teve conhecimento foi aos 12 anos.

Se você se identificou com qualquer uma das afirmações acima, fuja para as colinas. Essa coisa de amar uma vez por semana, sem telefone, sem carinho, sem contato, sem intimidade, sinceramente, me dá nojo. E pena das mulheres que, talvez por nem saberem que pode ser diferente, se sujeitam a um relacionamento assim.

(e ainda acham que não são traídas.)

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romance instantâneo.

As mulheres tem reclamado que os homens não querem se comprometer. Os homens tem reclamado que falta mulherada de qualidade no mercado. Que descompasso é esse, minha gente? Tendo em mente que tanto os homens quanto as mulheres que eu tenho contato são pessoas realmente interessantes, no sentido amplo da coisa, porque as pessoas andam se desencontrando dessa forma?

Acho que ficamos muito presos à teoria, escolhemos demais e paramos de nos envolver.

Ou porque temos medo que dê terrivelmente errado, como muitas e muitas vezes já aconteceu na minha vida e na de vocês, ou porque tememos que dê certo. Esquisito, não?  Quando um envolvimento qualquer funciona ele gera novas responsabiliades e preocupações que também podem vir a ser problemáticas. Tudo na vida tem seu lado complicado.

Ficamos sempre no raso, como crianças sem bóia na piscina. Conhecer à fundo uma pessoa demanda um tempo que hoje não temos nem para nós mesmos. A gente quer todo um romance pronto, à primeira vista, um bater de santo logo no olhar. Preguicinha de ficar perguntando sobre as preferências, discutindo sobre a vida, falando daquilo que interessa. Até porque o que é interessante pra mim pode não ser para o outro e imagina que saco ser descartada por gostar de pagode e não de rock? Melhor nem revelar certas tendências.

Gostamos e achamos confortável desconhecer. E continuando nesse ritmo é impossível ter real interesse sobre alguém, a vida não é como nos filmes, infelizmente. Na vida real ele é muito gordo, ou muito intelectual, ou muito superficial, ou muito respeitoso, ou muito cansativo, ou muito alguma outra coisa. Nosso inconsciente sabe que vai ser difícil ter alguma coisa com alguém tão diferente então nem ousamos tentar pra depois dizer por aí que a culpa é dos homens, das mulheres ou do mercado que anda fraco.

A culpa toda é da nossa lógica.

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