quando descobrimos que querer não é poder.

Estudos comprovam que 96,5% das publicações textuais realizadas em blogs com o mesmo perfil do meu  te  incentivam a sonhar bem alto –  e sempre, sempre, sempre, colocar o máximo de amor em tudo o que se faz. Acho que a maior mentira – covarde – que te contam sobre a vida é que você pode tudo desde que comece já. Desde que tenha força, fé e foco. Desde que faça com o coração.

Reflita bem, respire fundo e raciocine. Pode ser que até seja esse o caminho. Pode ser que algumas pessoas precisem mesmo dessa dose de fé em si mesmas para começar e ir adiante, mas, nem sempre funciona assim.

É bom ter em mente, bem lá no íntimo, que não é só coração, fé e foco que fazem que as coisas funcionem – ao menos não da maneira que a gente espera que elas sejam.

Me chamem de realista incrédula. Me chamem de agouradora do sonho alheio. Mas olha, é só um ponto de vista diferente dos demais. É só pra fazer pensar.

Acho, aliás, que essa inverdade é uma das coisas que mais gera adultos depressivos e infelizes; esse sentimento de que estamos próximos e distantes, ao mesmo tempo, de todas as nossas maiores realizações (e que nosso sucesso e satisfação depende única e exclusivamente de nós). Que maravilhoso se assim fosse. Quantos negócios não dariam certo? Quantos não seriam os livros publicados? Quantas famílias felizes e plenamente satisfeitas não se formariam?

E os muitos acasos que nos acometem? E os diferentes universos que nos cercam e formam nossas realidades particulares? E a nossa sorte, estrela, e Deus, eu pergunto? Nada disso conta?

Eu mesma respondo que conta sim. Conta bastante. E faz parte do pacote todo. Não se sinta um perdedor(ora) se ainda não chegou lá. Se, mesmo working very hard, não deu certo ainda. Uma hora, dá.

Você pode muitas coisas, geralmente muito mais do que você imagina, inclusive. Deve e precisa batalhar por outras tantas, sempre, mas não é só trabalho duro e zero mi mi mi que faz com que você seja famosa, rica, linda, magra ou qualquer coisa que você desejar ser. Não sei afirmar exatamente o que é.

O trabalho duro vai te garantir sucesso e satisfação de alguma maneira, mas não exatamente da forma como você acredita que as coisas serão. A visualização de uma vida que não é a que se tem pode deixar qualquer ser humano batalhador e super dedicado se sentindo o mais fracassado dos mortais, mesmo estando longe disso.

Não chegar onde se almeja não significa que você falhou. Significa que talvez você esteja vendo de forma distorcida onde quer chegar. Ou que ainda não fez as coisas certas. Estou sendo clara na argumentação?

A felicidade e a satisfação pessoal podem vir de muitas forma pra gente – tantas, que às vezes temos de tudo, muito, e continuamos correndo atrás do que o outro tem e a gente também “merece” ter. Do que o outro é e a gente “precisa ser também”, porque, né, pessoal? Somos humanos. Comparar o nosso sucesso com o dos outros é natural. Uma pena que não vivamos as vida alheias, nem suas partes boas, nem suas partes ruins. Pensando melhor, ainda bem.

Acredito que a comparação, em pequenas doses, faz parte de um desenvolvimento psicológico e pessoal saudável. Nos estimula, norteia, nos dá ídolos para admirar. Mas é preciso parar com essa crença de que podemos tudo, tudo mesmo. Tudo é muita coisa. E se não chegarmos nunca aos nossos ideias, como fica? Sinal de que foi tudo culpa nossa? Que não batalhamos o suficiente? Que não temos talento, força ou garra? Como lidar, então, com essa decepção que nos acomete diante da possibilidade de sim, PODE-SE TER O MUNDO, basta querer? Vim aqui, então, para dizer o que ninguém acha bonito, ou poético: não, às vezes a gente não pode. Às vezes não dá. Às vezes vem a doença, o cansaço, os filhos, a grana que se precisa ganhar com a rotina – e os nossos super sonhos não se encaixam nesse balanço.

Temos que dar asas à imaginação e não basear toda uma vida de micro satisfações pessoais e realizações nela.

Desculpa chutar assim, sem nem me apresentar, seu castelinho de areia. A gente não pode ser a nova Gisele Bundchen, já existe uma nesse mundo. Não dá pra treinar duro e mentalizar positivo pra alcançar o Neymar – talvez ele mesmo quisesse é ser o Pelé, nunca saberemos. E mesmo que você malhe e vire uma obcecada da batata doce, treinando por 24 horas na academia, desculpa. Você nasceu com o corpinho mignon. Não vai ser Panicat, nem garota do Faustão. E não há mal nenhum nisso.

Encontre mais felicidade onde já se tem.

Que o que vier a mais, nesse cenário, é lucro.

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para além dos 25.

Achei que estaria bem sucedida aos 25. Achei também que estaria bem casada, com certeza de mim, com certeza do outro, com certeza do que eu queria daqui em diante, de lá em diante, que veria adiante.

Achei que teria controle sobre muitas coisas. Que aos 25 seria capaz de não cometer mais erros tolos, de não me apaixonar por falsas verdades, que já não haveria mais tempo para as cartas de amor, para os poemas que nos fazem suspirar, para declarações impulsivas, para porres homéricos. Achei que seria madura, firme, 100% correta.

Pensei que as coisas seriam cada vez mais fáceis quando a grande verdade sobre a vida adulta é que quanto mais os anos passam, menos a gente sabe sobre o que já foi. Menos a gente consegue absorver os aprendizados, as escolhas. É muito difícil mudar quando a gente quer, a todo custo, que alguma coisa seja diferente.

Daí, fiz 26. E não conclui plano nenhum.

Não tirei carta de motorista. Não casei e nem sei se vou casar. Não tenho certeza de hoje, que dirá, de amanhã, de depois ou da semana que vem. Me tornei muito mais insegura que antes, ao contrário do que pregam sempre sobre maturidade, não tenho mais facilidade para emagrecer, não tenho mais tempo para perder e conforme passam os dias, mais difíceis ficam os encontros e, mais estreito também, o destino.

Entretanto, você descobre um senso de urgência em ser feliz, em ser inteiro. Não se importa com as cagadas, com os tais porres, não se importa mais com o que quer que seja preciso desde que te traga plenitude. Que te traga esperança para ser mais do que foram esses primeiros 25.

Nesse 1/4 de vida – para quem pretende viver até os 100 – percebe-se que tudo passa rápido. Os sonhos, o tempo, os planos. E que é preciso fazer já. Esquecer as meias palavras, as danças, os ensaios e se jogar no que vier.

Para que se consiga buscar o que se procura é preciso saber por onde caminhar. E enquanto não se decide o caminho, sejamos vítimas da sorte.

Ela é supreendente.

Ao menos, foi pra mim.

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a maior declaração de amor do mundo.

Amar alguém é supervalorizado.

Tendemos a achar que a prova máxima de que um relacionamento está saudável é declarar o nosso amor para essa pessoa, no Facebook, no Instagram, na p.q.p, pra todo mundo ver. Isso, na verdade, é o mínimo que se espera. É a pontinha do barco.

Bons relacionamentos elaboram, planejam e concretizam sonhos. O tempo todo. Juntos. Porque ambos sabem onde querem chegar, ambos andam e olham na mesma direção. Não há nada pior na vida do que construir todo um castelo enquanto o outro ainda nem comprou as janelas. Enquanto o outro, ainda, nem sabe se quer um terreno.

Casar não é coisa de mulherzinha. Não é o próximo passo. Não é a ordem natural das coisas. É aquilo que desejam todos aqueles que buscam, verdadeiramente, ter uma vida bacana com alguém. E aqui eu incluo o “casar” em todas as suas formas – seja juntando, dividindo as contas ou abrindo mão de algo muito valioso na vida pessoal em prol do outro. O casamento começa quando a gente acredita que consegue viver, pro resto da vida, suportando e convivendo com os defeitos de alguém.

E faz de tudo pra que isso seja verdade.

É, na verdade, uma fórmula bem simples. Que a gente tende a complicar.

Não tenho paciência pra quem está junto porque sim. Porque é preguiçoso demais para mover-se para outra direção, tem medo demais da solidão para tentar algo novo. Disse ontem, para o meu namorado que, via de regra, as mulheres amam mais que os homens dentro dos relacionamentos porque foram treinadas a sustentar o romance. E que esse tipo de relacionamento unilateral, para as mais conformistas, tende a dar certo já que eles, os machos alfa, tem uma preguiça infinita de discutir. De viajar nas expectativas femininas. Eles só permanecem lá, calados, cumprindo seu papel. Não está ruim, afinal. Nem bom de verdade.

Não sei o que acontece com alguns casais. Não sei o que pensam alguns homens que não se preocupam em não ter paixão. É como esperar ser levado, dia à dia, rumo ao inevitável destino: às tão temidas amarras do matrimônio. Porque a vida, huumm… Acho que a vida é assim mesmo.

Cara, nós não vivemos mais os anos 50. Nós podemos dar/trepar/pegar quem a gente quer, namorar quem a gente quer, a gente pode até ser gay, sabia? E feliz! Num é incrível? A gente pode até se apaixonar por uma roda gigante, por um portão de garagem, por uma baleia, pela nossa profissão, por nós mesmos. Ninguém é obrigado a ser infeliz. A não ser quem deseja ser.

Ninguém precisa largar a família, os amigos, tudo na vida é conciliável quando se quer. Mas é preciso querer mesmo, muito, de verdade. É preciso lutar pra que aconteça.

É preciso que tenha sentido.

E não que, simplesmente, tenha amor.

O amor é simples. Difícil é lidar com as expectativas da gente. Principalmente as que só a gente tem.

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o lado bom da vida.

Todo mundo, o tempo todo, me manda largar tudo. Largar tudo e seguir os sonhos, viver a vida como ela deve ser, buscar a felicidade. Essas mesmas pessoas citam casos de sucesso, gente que vive com pouco e vive bem, gente que faz o que ama, que uma hora encheu o saco dessa vida média de acordar, trabalhar e dormir e resolveu ousar, pedir demissão, dar um tapa na cara do chefe, mudar de país, etc, etc, etc.

As pessoas também insistem em dizer que tenho potencial. Que sou excelente naquilo que faço, que não posso engolir tantos sapos, me submeter a tantas coisas, que não devo perder tanto tempo dentro de um escritório, gastando minha criatividade com coisas e pessoas que não dão à minima pra isso, criticam e, pior ainda: acham que é fácil. Acham que a criatividade vem do nada, pro nada e só serve para tornar as coisas mais atraentes, bonitas, vendáveis. E é isso. Pagam muito bem engenheiros para que sejam construídos prédios, mas pagam muito mal profissionais que constroem ideias. Porque é impossível mensurar o sucesso de coisas abstratas, não é? Pelo jeito é. Mas essa é uma discussão para outro post.

Todas essas pessoas que me mandam raspar as pernas e cair na vida estão (bem) empregadas. Todas continuam em seus cargos cheios de rotina, encarando a vida, pagando as prestações das casas Bahia e morando de aluguel. Nenhuma delas saiu de onde estava sem uma nova proposta de trabalho e nenhuma faz puramente o que gosta – desconfio, aliás, que ninguém faça.

Porque trabalhar implica também em ser um pouco miserável, em acordar cedo, dormir tarde, em se esforçar, aprender, crescer. Não se reconhece a plena felicidade sem ter vivido o lado ruim da coisa, e, cara, se trabalho fosse 100% bom (e precisamos de pelo menos algum dinheiro pra viver), chamaria lazer.

Entendo o que todas essas pessoas, amigos, amigas, vizinhos e familiares, querem dizer. Entendo que seria muito bom mesmo fazer algo que valha verdadeiramente a pena, que acrescenta na alma e que, de quebra, encha o bolso. Só não vejo motivos para jogar tudo o que eu tenho na vida até agora pro alto para ser feliz. Até porque, desculpem-me os idealistas, felicidade também é poder comprar uma passagem pra Berlim e conhecer coisas incríveis, comer em um bom restaurante, presentear quem a gente ama com algo bacana e, pessoal, isso tem custos. A vida, até mesmo a mais simples, tem seus custos.

O meu “tudo” no momento não me manda de volta nem pra São Vicente. Não me deixa um lugar pra morar nem os boletos em dia, se é que vocês me entendem.

Sinto muito por quem acredita na minha imensa capacidade em ser mais que uma mera funcionária. Isso é o que temos por ora.

Eu não estou, ainda, TÃO profundamente infeliz com isso, só um pouquinho. Mas certamente em busca de dias melhores.

Pra sempre.

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um quarto do todo.

Passamos quase um quarto das nossas vidas nos preparando para viver. Para o dia em que vamos escolher uma profissão, uma família, e, enquanto isso, recebendo, de todas as frentes, ensinamentos sobre biologia, matemática, química, física e relações interpessoais; sobre aquilo que devemos fazer e que não devemos fazer aos nossos amigos, inimigos, familiares, etc, etc.

Passamos um bocado de tempo preocupados com os nossos planos para o futuro e depois reclamando sobre a não concretização desses mesmos planos, sempre tentando satisfazer alguém. A professora, o cliente, o chefe. E daí vêm infinitos questionamentos: será que estamos absorvendo algum conhecimento dessa experiência? Será que seremos reconhecidos? Será que é dessa forma que devemos mesmo fazer isso ou aquilo? E poucas respostas. Quase nenhuma resposta, na verdade.

Se há uma coisa nessa vida que temos certeza é de não ter certeza de nada. Se vamos conseguir pagar as contas mês que vem. Se estamos fazendo as coisas por paixão ou obrigação. Se estaremos felizes com as nossas escolhas, com as nossas vontades, e se teremos esses mesmos desejos e escolhas ano que vem ou daqui há 10 anos. Quem nós seremos, afinal, daqui há 10 anos, não é? Ninguém sabe.

Mas mesmo sem sabermos direito aquilo que queremos, onde estaremos ou como vamos sobreviver até semana que vem, continuamos insistindo. Mesmo sem fazer absolutamente nada diferente, o mundo anda, afinal, pra frente. Levados ou não pelo acaso, pela nossa gana em conquistar sabe-se-lá o quê – ou simplesmente porque precisamos – estamos lá. Repensando, replanejando, refazendo a vida que nunca foi feita de fato, que nunca se concretiza, que nunca é plena.

E talvez um dia a gente entenda que há motivos, afinal, para termos sempre essa sensação de não conclusão em relação ao todo.

Pra que não percamos, afinal, o fio da razão.

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eu inimigo.

Não sou italiana, mas falo com as mãos. Aliás, minha família é meio índia, meio portuguesa, meio escrava e não tem nada a ver com pouca massa e muito molho, mas eu adoro. Adoro tudo em excesso.

Sempre amei demais, sofri demais, chorei demais e, em contrapartida, ri demais também. Adoro uma coisa que é proibida, ilegal, imoral, arriscada, problemática… E lá pelos 15 anos era a rainha da confusão. Pensando dessa forma, percebo que envelheci uns 20 anos em 10, hoje dou muito mais valor a cultivar o que conquistei de bom na vida, ao invés de sair por aí, me arriscando como se não houvesse amanhã. Pra completar, arranjei um medo fortíssimo de altas velocidades que me impede de ser #vidalokakabulosa como no passado.

A questão é que quanto mais envelhecemos, mais começamos a refletir sobre as coisas que deixamos de fazer. E a remoer os tempos que passaram, a viagem que não foi feita, aquele caso amoroso que por umas ou outras nunca se encaminhou, etc, etc. E o pior não são as saudades que ficam, mas os medos que se instalam. Ficamos saudosistas num grau de deixar de aproveitar a vida como ela se apresenta, como se tudo fosse trabalho e feriado, como se vivêssemos num ciclo infinito de chatisses adultas. E como fazemos planos, Senhor! Todo o tempo livre vira um esquema tático, qual o melhor horário para ir no cinema sem se estressar, para comer sem abusar, pra ir pra praia sem enfrentar 5 horas de trânsito no sol… Lá se vai a espontaneidade e ficam os questionamentos.

Não se tem mais vontade de pular de para-quedas. Não experimentamos mais um prato exótico. Não saímos mais do conforto que encontramos.

Por que não encontro um novo amor?

Por que não consigo um emprego bacana?

Por que sempre acabo mais cansado quando deveria descansar?

Pensar demais, cansa. Deixe a vida surpreender um pouco, preste atenção naquilo que você quer e nas atitudes que toma para que essas coisas aconteçam. Às vezes, os maiores inimigos da nossa felicidade somos nós mesmos.

E somos realmente cruéis.

 

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verdades femininas.

Uma das piores coisas de ser mulher é a obrigação de estar sempre impecável. Não que todos os dias seja necessário ter os cabelos escovados, as unhas feitas ou estar arrasando na maquiagem, mas temos a constante preocupação em estar apresentáveis e são raras aquelas que dizem o contrário.

Aos homens é perdoada a barriguinha de chopp e a marca de estria nos joelhos, provocada pelo crescimento exagerado na adolescência. Nós sofremos, vivemos de dieta, com medo dos cabelos brancos, com medo das marcas de expressão e, ainda que não façamos nada para mudar, em algum momento, essa preocupação vem à tona – o tempo é implacável.

E como se não bastasse temos uma infinidade de modelos de roupa para comprar, cores de esmalte para testar e produtos e mais produtos que prometem milagres, mas que temos a certeza de que não irão funcionar. Feliz é a mulher que tem apenas um shampoo e um condicionador no box, hoje em dia, ela é quase única.

Podemos colocar aí, além da corrida estética contra os anos que passam, o desejo de ter família, carreira ou ambos, em simultâneo, e, de preferência, antes dos 30. Não nos basta ter um amor ou um trabalho que nos traga alguma satisfação, precisamos ter uma casa, um carro, uma vida pronta para funcionar. E como é frustrante desejar algo que está além das nossas capacidades, que não depende única e exclusivamente dos nossos esforços pessoais, não é mesmo? É como concorrer à Mega Sena sem poder perder.

E ainda temos os hormônios e as desvantagens de estarmos em maior número que eles. Temos que concorrer umas com as outras ainda que juremos de pé junto que queremos nos tornar mais bonitas, evoluir e tentar ser pessoas melhores para nós mesmas. Sem hipocrisia, mulherada: sabemos que bem lá no raso todas nós temos uma inimiga ou uma pontinha de inveja de alguém, ainda que não declarada. E que apesar de não ser o mais nobre sentimento do mundo é ele que, inevitavelmente, nos move para frente, e nos faz pertencer a mesma espécie.

A vida não ficou até mais leve pensando assim?

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ansiedade.

Nasci de um mês. Tenho essa louca mania de querer as coisas para ontem e sofro mais com isso do que com a minha conta bancária, vocês não tem uma idéia. Se alguém nesse mundo vai ter pressão alta de tanta ansiedade, essa pessoa sou eu. Sofro no começo, no meio e no fim, assim que acaba, de saudades.  E sei que muita gente é assim, que é um mal da sociedade moderna e tem a ver com o tal do hedonismo, mas olha, pessoal, num é fácil.

Esperar é uma virtude que faz as pessoas serem melhores, que reflitam e entendam sobre cada uma das etapas do processo. Tudo na vida vem em partes e quando você não as compreende acaba deixando pra trás algum aprendizado que será útil lá pra frente. Eu sou tão afobada que o primeiro parcelamento de compra que fiz na vida foi na semana passada e só porque não conseguia comprar um celular à vista. Tenho urgência pra que funcione, pra que se resolva, pra que cresça, pra que vá e para que volte. Não sei aguardar e apreciar o tempo livre, me irrito na fila, me irrito no trânsito, me irrito por achar que toda a hora livre precisa ser ocupada com alguma coisa útil e é dessa forma também que sempre, desde criancinha, acabo morrendo de tanta ocupação.

É preciso dar um tempo para o tempo. Saber que não são os desejos que fazem as coisas irem para o caminho certo e, principalmente, que aquilo que objetivamos não pode se tornar uma obsessão. Não dá pra desistir antes mesmo de darem a largada, por preguiça de correr, por impaciência. Eu sou dessas.

Mas estou tentando, desesperadamente, me corrigir.

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sobre o talento.

Dizem que quando queremos alguma coisa de verdade encontramos o caminho para chegar onde desejamos. Que nada é impossível para aqueles que creem, estudam e correm atrás daquilo que desejam. Não sei se acredito plenamente nisso, até porque, nem sempre sabemos em exato aquilo que nos fará realmente felizes e acabamos insistindo em coisas que não são para ser. Conforme a vida anda e suas circunstâncias mudam, mudam também os sonhos, os planos e algumas coisas acabam não fazendo mais tanto sentido assim.

Precisamos entender, de uma vez por todas, que as coisas se arquitetam na vida do modo exato como devem ser. Nem sempre o que está escrito tem conexão com aquilo que desejamos. Penso que se houver mesmo essa coisa de destino o melhor está sempre guardado, mesmo que não entendamos quando uma coisa de ruim acontece ou quando nossos planos parecem nunca se concretizar. Sou contra quem acha que algumas metas são impossíveis, que não tem sorte na vida, que Deus só da asas para quem sabe voar e coisa e tal. Não dá pra direcionar a culpa para as circunstâncias, que, afinal, não se dão sem por que.

Mais uma vez, somos NÓS quem fazemos a vida caminhar, somos nós quem estudamos, nos preparamos, trabalhamos duro, mesmo que não saibamos ao certo como tudo vai culminar no final das contas – não dá pra querer mil coisas e não mover uma palha pra que elas se concretizem.

Se você prestar atenção, 90% das pessoas bem sucedidas não sabem dizer ao certo como chegaram lá ou, às vezes, nem se consideram assim tão incríveis. Os conselhos dados pelos grandes, geralmente, são tão genéricos quanto o uso de filtro solar: não desista no primeiro não, se esforce sempre que puder, saiba contornar os obstáculos, etc, etc, etc. A verdade é que a vida é só essa. Não somos autorizados a desistir, por mais que, no íntimo, façamos isso centenas de vezes. Não dá. Todo o dia é um novo dia, novas oportunidades, caminhos, devemos agradecer por isso.

O sucesso é um combinado de fatores aleatórios que não são determinados apenas pelo esforço, pelo talento, pela fé ou pela insistência; é questão de timming. Os sutis desvios que a vida dá  em seu curso  tem um por que, ainda que nos aborreça. Às vezes, estamos tão obcecados por um único objetivo que não enxergamos mais nada ao nosso redor, não notamos os sinais, não aproveitamos as brechas.

Temos aptidões. Temos dons. Precisamos estar atentos àquilo que somos bons em fazer, em desenvolver a nossa competência. Talvez sua vida hoje não esteja de acordo com o plano A. Talvez você tenha se perdido em meio aos problemas, esteja um pouco desacreditado sobre suas próprias capacidades, sem fé no futuro. Pare de se sabotar. Continue caminhando, estudando, tentando que uma hora as coisas acontecem. Mesmo que surpreendentemente diferente daquilo que você esperava, se resolvem pra melhor.

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