cada um pra um lado.

Soube esses dias que um casal de amigos que eu gostava demais se separou. Cada um foi pra um lado, conversaram o que fariam para não prejudicar a vida das crianças e foi isso aí, it’s over, the end. Fiquei surpresa e reflexiva depois de ouvir os relatos de ambas as partes, porque existem alguns parceiros no amor que, ao nosso ver,  são imaculados. Casais intocáveis. Aqueles dois que nasceram com o objetivo de fazer valer a máxima dos românticos de plantão como eu: de sempre manter viva a paixão maravilhosa dos primeiros meses.

Sei, porém, que a vida DE VERDADE a dois é bem menos fantasiosa do que se pinta por aí. Tem roupa espalhada e suja pela casa, louça pra lavar e mil contas no final do mês. A convivência pode estimular o relacionamento na mesma proporção que pode destruí-lo. E é muito difícil achar o equilíbrio e a maturidade para encarar que: 1) ou a coisa já não está mesmo boa e é preciso fazer algo pra resolver ou 2) não há nada que possa ser feito para remediar o irremediável.

E sem colocar traição no meio de nada, descobri que o maior impedimento para que duas pessoas sigam seu rumo tranquilas – e sozinhas – nessa louca vida de Jesus Cristinho são exatamente as outras pessoas. Sogro, sogra, tios, filhos e amigos chegados. As pessoas que mais nos impedem de ser genuinamente felizes são aquelas que não estão cientes das angústias de cada um dos envolvidos. Acho que disso, aliás, só sabemos nós mesmos. Os outros, que não fazem parte do relacionamento, desejam que os filhos, sobrinhos e amigos consigam recuperar algo que falta pra todo mundo: um pouquinho de esperança e amor em tempos tão amargos e duros. Uma segunda, terceira, quarta chance, porque é muito difícil admitir o fracasso. Ou compreender que não é que as coisas deram errado; só não estão mais dando certo.

Dedico esse post a esse meu casal de amigos que sabem quem são e a todos os demais casais recém separados, jovens ou não, que tomaram a corajosa e honesta decisão de tomar seu próprio rumo quando as coisas pararam de funcionar. Assim como pessoas nascem e morrem, são também nossos sentimentos – que se transformam e, às vezes, não são mais o que esperamos. Faz parte.

Que venham novos sabores, amores, esperanças. Desde que vocês estejam felizes, eu também estarei, sem hipocrisias, fofocas, meias palavras ou forçações de barra.

Que a vida venha mesmo e siga. E que seja boa.

Continue Lendo

Ousadia.*

E daí se você conheceu o sujeito ontem no bar? E se você ligar? E se você não ligar? Será mesmo que vale a pena se envolver? Por que não valeria, aliás?

É bom viver com urgência. Se jogando nos projetos malucos, dando uma chance para o que não se pode, afinal, controlar. Não dá pra saber o que se passa na cabeça do outro, portanto, não há caminho certo. Não existe plano perfeito, estratégia que seja 100% eficaz. É simples.

Sempre existirão, pelo menos, duas opções – e mais outras tantas entre o sim e o não. Por que, então, insistir em controlar os efeitos daquilo que fazemos? Veja bem, não estou defendendo a impulsividade e a inconsequência, mas por que não dizer um “eu topo”? Porque não assumir? Porque não correr atrás? Por que essa blindagem toda, esse medo de perder, de colocar os pés pelas mãos?
Não temos como saber, afinal, se o nosso errado daria certo.

Se o nosso certo acaba meio errado no final. Não dá.

Aquele sujeito que deixamos de encontrar, o amigo que não demos uma chance, a palavra que não foi dita – nada, nada disso – volta. E se queremos tanto que algumas coisas, pessoas, momentos e afins se eternizem, ou, pelo menos, fiquem só mais 5 minutinhos, por que não tentar? Por que não saborear as coisas e seus efeitos, digeri-las, superá-las e correr o risco de sermos mais felizes que infelizes? Não entendo, aliás, porque sempre nos protegemos de uma possível infelicidade. Podemos ser, também, muito contentes em nossas escolhas, sabia?

Mesmo que elas sejam malucas, ousadas, fora do padrão, exóticas (mas muito melhores que aquilo que tentamos planejar e controlar).
Não temos controle. Nenhum ou muito, muito pouco.

E se é assim, que, pelo menos, a gente peque por tentar.

 

*Texto originalmente publicado e produzido por mim para o Lumagga.

Continue Lendo

língua afiada.

Dizem que as mulheres são o maior gênero fofoqueiro já visto sobre a Terra. Discordo. Já repararam como os homens gostam de comentar sobre a vida alheia também? E sem nenhum filtro para isso?

Acho que a maior diferença entre homens e mulheres para fazer fofoca é a motivação. Os primeiros, via de regra, reclamam. As segundas, invejam. E não venha me dizer que você está fora de um desses grupos.

Falar de alguém, mais que um hábito feminino ou  masculino, é humano. Parece que quando uma pessoa nos incomoda,  é inevitável ela não pautar nossas conversas durante o almoço da firma, o chopp com os amigos ou um bate papo informal no Facebook. Às vezes, nossa obsessão pela vida de alguém é tão grande que acabamos prejudicados pela língua – e aumentando um pouquinho as histórias no calor das emoções.

As pessoas tendem a pensar que as palavras tem menos poder que as ações. Em parte, isso é verdade. Mas o fato de um grupo perder tempo de vida pura e simplesmente para tecer algumas maldades sobre alguém, quem quer que seja, pode gerar um clima terrível e mágoas, às vezes, irreversíveis.  Uns dirão que melhor que ficar aos cantos falando de outra pessoa é sermos super sinceros e jogar tudo na cara, sem pudores, para que as coisas fiquem em pratos limpos. A verdade é que poucos tem coragem de falar aquilo que pensam diretamente aos seus desafetos e menos ainda são aqueles que conseguem encarar as críticas como construtivas. Ser criticado é sempre desconfortável. Aliás, vamos ser sinceros, quando falamos de alguém não visamos a melhora dessa pessoa, ou a solução do seu mal:  fofocamos por prazer. E daqueles bem destrutivos.

Melhor que tentar ser super sincero e ofender, dizer tudo o que vem à mente sem muitas delongas ou filtros, é pensar. Pensar se isso é mesmo necessário. Pensar se nossa opinião é mesmo válida. Pensar se com os nossos comentários estamos sendo diferentes, justos, ou apenas mais destrutivos que aqueles que tentaram nos destruir. Eu  não faço isso em 100% das vezes, confesso. Mas quando enxergo as coisas pelo avesso, longe da situação, começo a pensar. Então escrevo para que vocês reflitam sobre isso também.

Porque uma pessoa é irritante ou vive contando vantagens. Por ser inescrupulosa e falsa. Por talvez não gostar das mesmas coisas e não partilhar do mesmo universo que você. Por ser negra, pobre, gorda ou homossexual. Porque sim.

Eu entendo que a maldade dentro de nós não tem mesmo cura. Mas pode ser menor.

E excesso de amor, ao menos,  não agride  ninguém.

Continue Lendo

chuva lá fora.

Dias chuvosos acabam me fazendo refletir, no final das contas, por não serem úteis pra muita coisa além disso. E fora as gotas lá fora tem o frio também, aquele de São Paulo, bem seco, diferente do frio da praia. Dizem que na Europa as pessoas entram em depressão devido à sucessão de dias vazios e cinzas, como esse de hoje, que é feriado e, teoricamente, deveríamos aproveitar loucamente os minutos e coisa e tal. Mas não. Em dias como esse acabamos fazendo tudo aquilo que não temos muita vontade de fazer em casa, mas que precisamos, afinal. Arrumar o som, organizar o armário e o imposto de renda. Estamos embaixo do edredon, vendo tv, curtindo o ócio quase beirando ao tédio e escreveno textos como esse, sobre nada e sobre muita coisa ao mesmo tempo.

O que não é de todo ruim.

Não é o sol a real motivação dos seres humanos, são os outros seres. O trabalho. Os compromissos, os laços, os amigos, a necessidade de contato. Deve ser isso que falta na Europa e em cidades como São Paulo, onde tem muita gente e poucas pessoas. Poucas histórias, risadas, programas em grupo. Não que não exista amor em SP, mas em dias tão molhados, com litros de água brotando do céu desde a madrugada, falta. Não que seja ruim essa introspecção, esses momentos de relaxamento se cansar. Mas aqui tem muita movimentação e pouca intimidade, pouco “War”, truco, pouco Wii pra integrar o pessoal.

É isso aí. Talvez sinta falta de ser quem eu era há uns anos atrás. E da disposição que a distância me roubou.

Continue Lendo

profissão blogueira.

A internet é pública. Nesse mundo todo mundo pode ser aquilo que quiser, de psicólogo, médico e pintor à jogador profissional de golfe. Aqui as pessoas tentam colocar aquilo que tem de melhor – das idéias, aos bens materiais, do físico escultural, à viagem para Paris – e não importa o quanto você seja claro: cada um enxerga o mundo sob seus próprios filtros. No mundo virtual as pessoas se permitem ser um pouco mais felizes, mais magras, mais polêmicas e mais sinceras, claro, porque acabamos por esquecer que isso aqui também é feito por gente real.

Como em todo círculo social, é impossível agradar todo mundo e por essas ondas invisíveis existem assuntos mais delicados que bater na mãe e que ofendem mais que chamar mulher de gorda. Você não é impedido de publicar aquilo que deseja, claro, o problema é exatamente esse: todo mundo poder escrever o que quer, do jeito que quer e sem se responsabilizar por isso. Ninguém paga suas contas, sabe de verdade sobre a sua vida ou tem a ver com aquilo que você realmente acredita, mas quem se expõe precisa saber que também será atacado. Quem faz um texto com erros de português, criticado será pelos defensores da língua. Quem escreve sobre relacionamentos, atacado será pelas feministas, pelos machistas, pelos conservadores da família brasileira e pelos fanáticos religiosos. Quem fala de moda e beleza, será atormentado por ser fútil, por ser gordo, por ser feio, por ser brega e por mais um sem número de adjetivos bons e ruins vindos de homens e mulheres de todas as idades e classes sociais, entendem? Não é pessoal. Se você dá sua opinião o outro também pode dar a dele.

Não importa para ninguém se você ganha dinheiro falando de calcinha ou da crise econômica mundial. Sempre existiram blogs de assuntos variados e para toda a opinião é preciso ter a consciência de que existe uma resposta e uma reação que pode ser boa, ruim ou neutra, faz parte. Assim como nos anos 90 todas as meninas de 13 anos queriam ser Chiquititas, a febre de 2012 é ser blogueira e, de preferência rica. Sendo assim, todo mundo vai olhar aquilo que você diz. Todo mundo vai achar pêlo em ovo.  Os reacionários são cruéis.

Nem toda brasileira é bunda. Nem toda a patricinha é burra. Nem toda blogueira é vazia. A questão é que vivemos um momento tão intenso de proliferação dos blogs que está tudo meio igual, meio ruim, meio sem valor. O excesso desorienta.

Ninguém é melhor porque escreve sobre “ser” e não “ter”, até porque o consumir faz parte da nossa existência e vivemos nos identificando e nos reforçando pela maquiagem, pelos brincos, roupas e sapatos que vestimos. Mas quem publica e vende, influencia. E como influenciador é preciso ter cuidado com aquilo que se prega e um compromisso maior com as pessoas, com os produtos, com as gerações e com o fato de que hoje, ser legal é ter um iPhone um Louboutin e uma Balenciaga, coisa que só 3% (ou menos) da sociedade possui.

Ninguém é só cultura o tempo todo e porcaria também faz parte do negócio. Aliás, porcaria é negócio. E bem aventurados são aqueles que conseguem chegar lá sem passar por cima de ninguém, fazendo um trabalho bacana e respeitando a inteligência do leitor: são raros.

Se eu pudesse dar um recado aos blogueiros, blogueiras e aos que atacam as pessoas pela forma como elas ganham a vida seria o seguinte: já fomos melhores.

Já fomos menos homogêneos. Já fizemos parte da contra-cultura, contestadora, que fugia dos esteriótipos e pregava uma vida diferente, mas hoje, somos massa. E quem conseguir sobreviver, burlar, se destacar nesse mundo de gente que come, bebe, dorme, viaja, pensa, se maquia e veste igual, vence. Porque assim como ser Chiquitita deixou, há muito, de ser meu ideal de vida, as coisas passam. E só os fortes sobrevivem.

Continue Lendo