Uma grande não novidade.

Venho por meio desse texto contar a todas as mulheres desse Brasil uma novidade incrível: tem homem no mercado SIM. Gordo e magro. Alto e baixo. Rico, coxinha, alternativo e hippie. Que gosta de ruiva, de loira, de negra e que não liga pra celulite. Que vai achar ótimo você trabalhar e pagar suas contas ou que vai querer pagar tudo pra você porque é um pãtcham pro-ve-dor e bi bi bi. Pois é. Tem homem pra cara*** no mundo. De esquerda e de direita. Do sertanejo, do rock e do surf. Homem que ama moda? Tem também. E aqueles que não ligam de usar xadrez com bermuda florida? Aos montes.

Tem homem e mulher pra todo o lado, de todo o tipo, e óh – SOLTEIROS. Não é incrível? Aquele ex da sua prima que num tinha nada a ver com ela, mas que entendia tudo sobre vinhos? Olha lá, rapaz! Um partidão. O cara do inglês que sempre faz uma piada gostosa de rir, sabe? Vale o investimento. E o seu vizinho sério? Que deve trabalhar no banco e que você encontra todos os dias no 669A com destino à Av. Paulista? Tá aí, na pista, pra ga-me.

Encontrar alguém é fácil. Dificil é CONQUISTAR alguém, não vamos confundir as estações. As pessoas acham que só basta se mostrar interessada pelo outro, quando mais importante que sair à caça do homem ideal é se mostrar INTERESSANTE. Até porque ser linda e atraente por 24 horas é fácil. Um relacionamento de verdade é muito diferente e mais complexo que isso. E isso, claro, partindo do princípio que você quer ter alguém nessa vidinha de meu Deus. Se não, pode parar de ler esse post que num tem nada a ver com a sua realidade. E estamos conversados.

Mostre-se. Quem você é? Do que você gosta? Sem medos. Se você nunca arriscar, nunca vai atrair o tipo de gente que procura e sempre continuará com as mesmas e velhas desculpas sobre o mundo – e tudo o que existe nele.

Páre de se justificar no machismo, feminismo ou nas exigências do trabalho na vida moderna que dificultam uma vida pessoal de qualidade. A sua vida é você quem faz. Há lá fora, se você estiver realmente afim de encontrar, gente incrível. Certinha pra você.

Inclusive do tipo que você nem imagina.

 

Post inspirado nesse texto incrível da Folha.

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brasileiridade.

Pense comigo, caro leitor, quantos CDs de música nacional você comprou atualmente?

Quem são os artistas tupiniquins que te fazem pagar um valor desonesto para ir a um show? E quantos desses estiveram no Loolapalooza, ou nas últimas edições do Rock in Rio, dos quais  você teve crises histéricas desejando assistir?

Pense também nos livros que anda lendo. Quantos autores brasileiros contemporâneos você conhece? Além de ler “Crônicas de Gelo e Fogo”, “50 Tons de Cinza”, “Os Diários de Carrie” ou “100 anos de Solidão”, quantas vezes você esbarrou, assim, numa Adriana Falcão? Num Luis Fernando Veríssimo?

Pense em tudo aquilo que você consome que foi feito para a TV. Quem escreve as séries que você ama? Não sabemos o nome nem dos roteiristas dos filmes internacionais mais renomados, que dirá dos nacionais. Não nos interessamos em saber de onde vem a criação das coisas, se tem origem sueca, indiana, ou se vem ali óh, da Zona Sul de São Paulo.

Quantos artistas gráficos, arquitetos, escultores, circenses, quantos profissionais de entretenimento você admira? Quais desses tem real identidade com o seu país? Aposto que quase nenhum.

Você aí, que acha o capitalismo uma merda, que acha os políticos ladrões e o transporte público uma vergonha, sabe o real valor que isso têm? Sabe que as militâncias não adiantam em nada se não falarem a linguagem das pessoas? Se representarem apenas uma classe e não uma nação?

Insistimos o tempo todo pela valorização da cultura, por salários melhores para os criativos. Reclamamos que o nosso povo não lê, não se interessa por cultura e que só consome funk e sertanejo sem qualidade, mas não é verdade. Consumimos cultura o tempo todo, popular, erudita, só não fazemos a menor ideia de onde ela vem, ou do porque só coisas bem ruins vingam. Ou da importância que essas coisas têm. E mais que isso: não vemos a propagação das ideias nacionais com 1/8 da ênfase que sabemos sobre jogos de computador, por exemplo. Sobre os lançamentos dos filmes da saga Senhor dos Anéis. Não há buzz nenhum no lançamento de “Tainá”, mas a gente quase tem convulsões para estar na primeira fila de “O Homem de Ferro”.

Pensei nisso, porque ontem, lendo uma matéria sobre blogs, percebi que tenho os dois talentos mais desvalorizados que alguém pode ter: o de desenhar e o de escrever. Todo mundo gosta quando lê algo bacana, ou acha agradável uma arte bem feita, mas ninguém da valor. Ninguém acha que por trás de um artista de rua, de palco, de boteco, de agência, há um real trabalho intelectual sendo feito, um referencial difícil de se construir, resgatar, elaborar e estruturar.

Um humorista não é só um cara engraçado ou irônico. Um escritor não é só um sujeito que sabe bem as regras de português.

Nos tornamos máquinas de produzir coisas complexas, o tempo inteiro com a cabeça a mil, e na pequena parte do nosso dia livre consumimos realidades completamente fora da nossa. Hollywood, Bollywood, que seja. Não é errado gostar de outras culturas, é errado não perceber quanta coisa rica existe por aqui e sempre se render  aos best sellers gringos, traduzidos, enlatados e a tudo mais que as grandes editoras nos colocam como sucesso. Depois você vem reclamar que “nosso povo” é inculto. É burro.

Nós somos o povo. E nós ouvimos mais Britney Spears na Joven Pan que Titãs.

Não sei quanto à vocês, mas enquanto Hogwarts existe claramente em várias partes de Londres, aqui, na terra do Carnaval, ela só pode ser construída na minha imaginação. E apesar de incrível, de trazer um enredo altamente envolvente, não tem nada a ver comigo. Se quisermos mesmo fazer aquilo que amamos, se quisermos mesmo ser valorizados por nossos pequenos dons, precisamos também valorizar as produções de quem está conosco nesse barco. De quem insiste em viver de arte no Brasil.

E incentivar nossos filhos a ler Ana Maria Machado, Pedro Bandeira, Maurício de Souza… E a apreciar o verão, os sabores, as estampas, as cores e tudo aquilo que só tem por aqui.

O Brasil é uma merda sim. Mas em grande parte, é porque a gente vive nele.

E acha que não tem a menor responsabilidade sobre isso.

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