coisa de mãe.

Toda a mãe que se preze, nessa e em qualquer outra galáxia, é  intrometida.

Sem exceção.

Sempre quer estar por dentro da vida dos filhos como se, mesmo depois dos 15, tivesse um total controle sobre tudo o que está acontecendo. Mãe coruja é aquela que quer conversar com você, 7 horas da manhã, pós formatura de medicina, e quer que você conte – sóbria e empolgada – tudo o que aconteceu na tal festinha. Nos mí-ni-mos detalhes.

Mãe sabe quando estamos de casinho novo, sabe quando nossa vida amorosa anda uma merda e, principalmente, ADORA dar palpite. Nunca estamos magras o suficiente ou gordas demais. Nunca fizemos a melhor escolha de sapato. Aquele sujeito que dispensamos é sempre mais interessante do que o outro, que escolhemos. E por aí vai.

Ser mãe é torcer pelo sucesso dos filhos mesmo sem fazer nada prático para ajudar. Ou fazendo muito mais que pode.

Acho que Deus colocou as mães no mundo pra nos questionar em níveis absurdos, pra nos fazer refletir mesmo quando não enxergamos mais um palmo à frente dos olhos.

Ser mãe é ser um pouco chata, um pouco mala. Mesmo para as mais modernas e descoladas, mesmo para as que são super amigas dos filhos de fato. Afinal, mãe tem a obrigação de nos fazer pensar; e a liberdade de dizer tudo o que vem à cabeça.

– Por que você não namora o fulano, filha? Ele é uma graça!
– Nada a ver mãe.
– Mas como nada a ver, filha?
– Ele é melhor amigo do meu ex, mãe.
– Ai, até parece! Vocês jovens são muito apegados a esses detalhes sociais… E aquele outro magrinho? De cabelinho com gel?
– É gay.
– Imagina, filha! Aquele menino educado e bem arrumado gay? Você deve estar confundindo as coisas…

Pois é.

Não sei ,ainda, como deve ser a sensação de ser mãe.

Mas digo uma coisa sincera: que bom ter a sorte de ter alguém pra encher o saco (e o nosso coração de amor) tanto assim.

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como nossos pais.

Na dinâmica social cada um tem sua função e as coisas não se dão dessa maneira à toa. Às vezes, as pessoas se misturam e acabam ocupando lugares por acreditarem ter conquistado esse direito. Às vezes, impõe respeito sem ter, exigem amizades, sem as possuir de fato, e cobram amor, sem merecer. Daí surgem os problemas de relacionamento, as crises familiares e os aborrecimentos no trabalho; é tudo uma questão de auto-conhecimento, de encontrar o seu lugar e o seu espaço no mundo.

A relação dos pais com os seus filhos, por exemplo, sofre uma série de transformações. Os pais cuidam, orientam, mas não podem ser donos da vida de ninguém que não seja da própria, lamento. Devem ser autoritários sem perder a razão e saber que por alguns momentos serão odiados por isso. Recompensa de pai e mãe nunca é imediata ou justa.

Não sei quem foi que disse que os familiares devem ser nossos amigos, acho essa colocação ridícula. Pai e mãe são superiores às amizades, são eles que passam todos os nossos valores, que nos ensinam cada coisinha que nos faz ser quem somos. Não entendo por que eles desejam tanto ocupar o posto de confidentes quando devem ser educadores: é como pedir pra que o professor do colégio nos ajude a cabular aula – não tem cabimento.

Os pais não devem, não precisam e não podem ser íntimos dos filhos, pois há assuntos e questões tão particulares e individuais que nem as famílias mais modernas saberiam lidar e que as crianças – por mais abertas que sejam – não querem compartilhar.

Cada um deve ter sua vida, personalidade e círculos de convivência que, eventualmente, se misturam, óbvio, mas que tem uma hierarquia. Mães, sinto muito, mas o tempo de vocês passou. Não dá pra serem filhas e sair de balada fazendo fofoca dos “amigos de 14 anos” porque eles tem menos que a metade da sua existência, experiência e maturidade – são algo que você, há muito, não é – e que, com certeza, não deseja ser.

Não dá pra dizer que saia curta pode, mas que dormir com o namorado não. Não pode achar legal beber de vez em quando, mas ficar bêbado, não. Nas regras deve haver coerência.

Quando somos, somos INTEIROS e não metade. Por isso que você viveu mais; pra aconselhar, acompanhar e reprimir quando for preciso, não para ser gente boa: se for ruim demais, não funciona. Se for mole, também não.

Posso estar parecendo uma tradicionalista, quadrada, mas acho que é isso que falta no mundo. Será que não estamos confundindo o nosso amor pela família e misturando as coisas? Será que essa confusão de parâmetros não deixa os filhos perdidos, desorientados e mal educados? Você pode ser uma mãe “prafrentex” só não pode ser invasiva. Você pode usar roupas da moda, só não pode perder a noção do ridículo. Você também é parceira dos seus filhos, só não é um membro da turma deles. Você é mãe e não companheira de birita e carteado, não pega bem.

Você pode quebrar as regras eventualmente, claro, só não pode perder o controle.

É importante ter referências. E saber que quando a coisa se complicar alguém vai ter as palavras mais reconfortantes e sábias para dar. Pais acreditem: apesar dos pesares os filhos sabem disso.

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