quando só acreditar não adianta.

A conclusão que cheguei nessa vida é que existem dois tipos de pessoas: aquelas que acreditam que as coisas podem dar certo e aquelas que acham que esse lance de acreditar é a maior bulshitagem de comercial de margarina já visto por aí. Desse primeiro grupo, vejo ainda mais uma subdivisão: as que acreditam e fazem alguma coisa pra que a vida mude e aquelas que permanecem na inércia, esperando acontecer. Dessa segunda categoria, percebi que estar na inércia às vezes é involuntário. Nem sempre a gente percebe que quando aponta o dedo na cara do outro o problema, está, na verdade, dentro da gente. Que adoramos ressucitar fantasmas e chutar os cachorros mortos pelo nosso caminho. Que mantemos vivas em nossas vidas algumas coisas que deveríamos deixar pra lá – mesmo que corramos um risco enorme de, talvez, nos magoar novamente.

A arte do desapego e da autoconfiança é ainda mais complicada que a arte de acreditar: você  às vezes quer mudar de caminho, mas não percebe que esse movimento deve partir de você. Fica sondando o outro, questionando o outro, esperando do outro, quando, vamos lá, somos nós os senhores do nosso destino. Ninguém pode te fazer feliz se você continuar ancorado no mar. Se deixe navegar.

Acredito em Deus. Acredito que passamos por determinadas coisas para que cresçamos, sejamos melhores, para que aprendamos com a dor mesmo que não seja fácil. Mas acredito também que PRECISAMOS fazer tudo quanto for possível enquanto é possível. Precisamos fazer por merecer aquele emprego, estudar para aquela prova. Precisamos lutar por aqueles  que amamos no matter what. Precisamos nos esforçar pra superar nossas próprias barreiras o tempo todo; não deixar o ciúme dominar, o pessimismo, a discórdia, a desconfiança. Quanto mais ficamos presos a coisas e pessoas que nos fazem mal, mais mal atraímos pra vida da gente, como um verdadeiro vórtex de coisas ruins.

Sua vida tá ruim, cara? A de todo mundo tá. Seja pelo o amor que não deu, pelo dinheiro que não deu, por aquele sonho que não deu também… Mas ainda vai dar.

E mais importante que pensar no que se foi, no que aconteceu e feriu, no que deu errado e magoou é acreditar naquela parte de ar que ficou na outra metade do copo (pra mim, sempre cheio).

E ela quem vai te fazer respirar.

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essa tal de ansiedade.

Ela está sempre lá, em algum canto do nosso estômago. Nas unhas roídas, nas mensagens afobadas da madrugada. Ela acomete até mesmo os mais tranquilos; invade vidas, destrói relacionamentos, faz com que a gente coloque os pés pelas mãos em tentativas desenfreadas de contê-la. Tudo em vão. Ninguém sabe o que fazer, afinal, com essa tal de ansiedade – mesmo quando nos tornamos mestres em sufocá-la.

Hora mais cedo, hora mais tarde, ela vem e explode. É a espinha na ponta do nariz, é o morango com chocolate fora da dieta, é pau, é pedra, é o fim do caminho – ou o meio, quem sabe? Pode ser nosso cigarro, nosso álcool, nossa falta de sono ou excesso de trabalho.

Todo mundo teme por aquilo que desconhece, anseia pelo bom – ou ruim – que está para chegar. Não tem jeito. A coisa fica ainda pior quando – quase sempre –  se sofre pelo o que não sabe.

A ansiedade nunca vai embora. Ela pode ser contornada, ignorada, ela pode ser canalizada para o bem – quando nos torna mais produtivos,  ativos, mais atentos, mas ela sempre fica lá, porque, de certa forma, ela nos MOTIVA.

E faz com que pensemos com muito mais fé em todas as coisas.

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preces.

Estou em busca da tal estrela. Aquela que uns e outros dizem que brilha vez ou outra e faz coisas incríveis, sabe?

Pois bem. Queria que a estrela brilhasse e realizasse pelo menos um dos meus sonhos, não dos meus desejos. Os sonhos são aquelas coisas que a gente coloca na gaveta do inatingível, do inimaginável e acha que nem com muita batalha, insistência e esforço eles irão se realizar.

Tenho certeza que você sabe do que eu estou falando.

É aquela parte da nossa vida que não depende só da gente, que precisa de uma forcinha, de um sopro divino. Da tal sorte, do momento certo,  de um padrinho, ou sabe-se lá o que.

Estou pedindo encarecidamente para que essas tais coisas impossíveis aconteçam. Pelo menos uma vez. Porque todo mundo merece seu dia de princesa, seu Luciano Huck da vida, uma herança de um parente rico, uma bolsa de estudos, uma viagem, ou, simplesmente, uma atençãozinha para aquilo que faz.

Que finalmente a mesa vire. Que um anjo mande lá de cima um sinal para quem pode mudar a minha vida e que essa pessoa o faça, sem delongas. Sem pestanejar. Mesmo sem me conhecer ainda. Mesmo sem saber que eu tenho um potencial enorme. Por que, né? A gente precisa acreditar que pode tudo para, quem sabe, conseguir um pouquinho.

E espero que esse pouquinho faça muito por mim.

E que a minha prece mude, também, um pouquinho da vida de vocês.

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tchau, ontem.

Uma das maiores verdades sobre a vida é que ela não nos dá a opção de ficar parados. Aliás, a vida, essa bandida, não nos dá opções. Assim como um dia amanhece após o outro, seguindo seu curso natural, nossos caminhos se abrem: infinitas possibilidades, casos e acasos que, embora você ache que tem total controle, não faz a menor idéia de como se darão.

Um dia aquela sua amiga de infância fica grávida. A outra, que tinha certeza que estava casando com o tal amor da vida, separou. Seu primo, engenheiro, resolve montar uma cafeteria e se dá super bem. E a professora de história se descobriu mesmo sendo ilustradora infantil. Nada é definitivo, embora tentemos ao máximo fazer com que seja.

Um dia o cliente acha aquele texto uma porcaria. No outro, elogia sua eloquência. Temos um dia e depois mais outro para nos renovar, reinventar, mudar. E ainda que você continue fazendo as coisas exatamente iguais, para não arriscar, hoje é completamente diferente de ontem. Você não é mais o mesmo, nem as pessoas ao seu redor.

Acho imprevistos deliciosos. Eles dão graça e sabor à vida, dão ritmo as coisas paradas, abrem perspectivas. Ainda que você sofra um acidente, perca um filho, não consiga mais enxergar. Ainda que alguma coisa realmente ruim aconteça, NADA é por acaso. Nada é sem por que. Você hoje por não entender porque está num emprego tão ruim ou o que fez para merecer tamanho castigo. Não entende porque não namora com o cara x, y, z, não sabe porque não consegue passar na maldita prova. Continue tentando, continue insistindo.

Hoje não nos é permitido saber sobre amanhã.

E ainda que tivéssemos o poder de olhar para frente, viveríamos na expectativa das coisas boas ou ruins, viveríamos escravos dos futuros resultados. Você deve viver o agora. Se o dia está sendo ruim, se a noite foi mal dormida, se a semana está passando devagar – não importa. Haverão mais dias, noites e semanas para que tudo mude de rumo, constantemente.

E é por isso que você,ainda que negue, ainda que se entregue, ainda que não queira mais olhar para nada em relação a vida, não pode desistir, não consegue.

E, sinceramente, não deve.

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ansiedade.

Nasci de um mês. Tenho essa louca mania de querer as coisas para ontem e sofro mais com isso do que com a minha conta bancária, vocês não tem uma idéia. Se alguém nesse mundo vai ter pressão alta de tanta ansiedade, essa pessoa sou eu. Sofro no começo, no meio e no fim, assim que acaba, de saudades.  E sei que muita gente é assim, que é um mal da sociedade moderna e tem a ver com o tal do hedonismo, mas olha, pessoal, num é fácil.

Esperar é uma virtude que faz as pessoas serem melhores, que reflitam e entendam sobre cada uma das etapas do processo. Tudo na vida vem em partes e quando você não as compreende acaba deixando pra trás algum aprendizado que será útil lá pra frente. Eu sou tão afobada que o primeiro parcelamento de compra que fiz na vida foi na semana passada e só porque não conseguia comprar um celular à vista. Tenho urgência pra que funcione, pra que se resolva, pra que cresça, pra que vá e para que volte. Não sei aguardar e apreciar o tempo livre, me irrito na fila, me irrito no trânsito, me irrito por achar que toda a hora livre precisa ser ocupada com alguma coisa útil e é dessa forma também que sempre, desde criancinha, acabo morrendo de tanta ocupação.

É preciso dar um tempo para o tempo. Saber que não são os desejos que fazem as coisas irem para o caminho certo e, principalmente, que aquilo que objetivamos não pode se tornar uma obsessão. Não dá pra desistir antes mesmo de darem a largada, por preguiça de correr, por impaciência. Eu sou dessas.

Mas estou tentando, desesperadamente, me corrigir.

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sobre fé, religião e afrontamentos.

Fui criada em um lar evangélico e não me considero melhor que ninguém. É claro que isso guia várias posturas na minha vida e me faz questionar outras tantas, mas não sei se é a religião, a criação, o caráter ou a junção de um ou mais desses fatores que faz uma pessoa ser considerada “boa”.

Uma pessoa que acredita em Deus, não é perfeita. Assim como aquela que diz não acreditar em nada, não é ruim. Há praticantes de boas e más obras em todo o lugar, a religião não precisa ter conexão com fazer bem ao outro, mas as pessoas, via de regra, acabam confundindo fé com boas ações. Atitudes doutrinárias com conduta.

A igreja é feita por homens, é falha. Aliás, tudo aquilo que é instituído por pessoas tende a ter algum tipo de problema, de ordem ética, ou não. Como seres imperfeitos não há como gerarmos frutos perfeitos, você nem precisa ser muito estudioso de religiões para chegar a essa conclusão. Não casar virgem, não ter paciência com os idosos, ser egoísta ou invejoso não são atitudes características dos crentes, que não fazem aquilo que pregam, e sim, dos humanos. O que muda é como você encara essas coisas,se importa com elas ou se preocupa em alterá-las na sua vida.

Assim como fico aborrecida quando vejo crentes julgando não crentes, não gosto de quem levanta a bandeira contra a religião de alguém. As atitudes, apesar de terem relação com isso, não são simples de serem transformadas, estamos todos sujeitos a errar.

Pior que fazer algo que vá contra àquilo que você acredita, é julgar o outro por não ser o que você acha correto. Evangélicos, católicos, budistas ou espíritas: que tal pararmos de ser tão separatistas?

O gay não precisa ser ateu.

A prostituta pode ser católica.

O ladrão se arrepende, a freira se rebela.

Porque somos todos complicados demais para só a fé transformar alguma coisa. A razão também comanda.

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