nos intervalos.

Houve um tempo em que eu queria fazer tudo. Estar em duas cidades ao mesmo tempo e praticar quantas atividades físicas/sociais minha falta de sono contemplasse. Me agoniava faltar em algum aniversário, não estar em um almoço de família ou não conseguir ver um filme, ler um livro, ou alguma coisa que me agregasse valor intelectual ou emocional. Havia, nessa época, uma urgência, um desespero por desfrutar cada coisa até secar; sem perceber que as coisas, para serem bem saboreadas, precisavam também de um tempero. De um respiro.

Me dei conta, em termos jornalistico-publicitários, que vivia o briefing dos meus momentos, nunca a obra completa, visto que era impossível abraçar o mundo. Impossível perceber as sutilezas, os sorrisos, as fofocas e as nuances de cada momento. Perdia a noiva bêbada no final do casamento. Não dançava a quadrilha bagunçada, cheia de gritos, onde ninguém é de ninguém. Estava, mas não era.

E hoje, olha só que coisa doida é a vida, só consigo estar em locais que realmente me importam e tolerar situações que muito me acrescentam – porque aos poucos se percebe também que cada prazer tem seus amargores.

Viver nos intervalos, penso hoje, talvez seja mais importante que estar na ópera. É no backstage que estamos vulneráveis, sem máscaras ou fantasias, que nos despimos dos nossos personagens e temos aqueles cinco minutos de contemplação no qual pensamos: cara, que bom é estar aqui. Que deliciosa são essas pessoas, essa comida, quão feliz me faz essa música. E por aí vai.

Aprecie o tempo entre um relacionamento e outro, entre um prato e outro, entre uma viagem e outra. Não é só nos momentos principais que se vive. Aliás, talvez vivamos mais como coadjuvantes que como personagens principais.

Continue Lendo

o outro lado.

Já namoro há algum tempo e estou bastante feliz com o meu atual relacionamento. Tão feliz que às vezes esqueço de ver o outro lado da moeda – o das queridas amigas que estão solteiras, porém, não sozinhas, que estão na constante busca de alguém para dar aquela temperadinha na rotina.

No jantar de ontem, com muitas risadas, gritos e comidas engordativas, falávamos sobre os antigos, os novos e os casos que ainda estão por vir. Numa tempestade de menções bem humoradas ao passado e memórias um tanto quanto traumáticas de uns e outros “rolinhos mais expressivos” percebi que nós mulheres não queremos muito. Aliás, não queremos nada, praticamente.

Em resumo, de todas as nossas não exigências para o talvez amor, fiz um texto corrido, como se fosse dito por uma pessoa só.

Tenho certeza, absoluta, que vai fazer sentido para muitas de vocês:

“Eu só quero me relacionar com pessoas normais, que não me roubem. Que tomem banho, trabalhem, que não tenham manias esquisitas. Só quero gostar de alguém que coma carne e não tenha uma religião alternativa que exija um comportamento x, y ou z. E que me aceite quando eu falar palavrão e pagar de louca pela rua (quem nunca???). Quero gostar de alguém que tenha o mínimo de estabilidade e coerência emocional, que não me mande SMS’s impulsivos – bêbados, sóbrios ou sem noção mesmo – prometendo amor eterno.

Que não bata na porta da minha casa às 3 da manhã querendo colo, sexo e depois suma por 3 meses e apareça noivo, com 2 filhos pequenos e todo um histórico bizarro de ex-namoradas. Só quero gostar de alguém que não trabalhe diretamente comigo. E se trabalhar, que tenha a decência de não ter um caso paralelo com a minha amiga de baia com o maior descaramento e com a certeza absoluta de que, eventualmente, vou saber dos detalhes mais sórdidos de tu-do-que-a-con-te-ceu nesse “rolinho”. Quero um amor que goste de cachorros, mas não tanto a ponto de querer salvar TODOS eles, juntos, e que prefira passar seu tempo jogando bolinhas que tendo um verdadeiro contato com o mundo real. Quero gostar de alguém que páre de andar de skate depois dos 26 anos. Ou que entenda que existem coisas mais interessantes para se fazer quando se viaja. Isso também se aplica aos surfistas.

Quero um homem que invista o seu dinheiro em algo que tenha valor de mercado. Que não fique colocando luzinha em carro e listras adesivas ridículas em cima do capô. Quero gostar de um cara que pague, pelo menos no nosso primeiro encontro, a conta inteira. Porque ele quer o melhor de mim e quer me dar o melhor que puder. Mesmo que seja um lanche do McDonald’s, um saco de pipoca. Que me leve num motel de qualidade sem nem questionar, não precisa ser a suite mais cara, no lugar mais badalado, nós não ligamos para o sua conta bancária – mas para o quanto valemos o seu investimento (update: EMOCIONAL – Thanks, Bia!). Quero gostar de um sujeito que não use cuecas bege, que não me chame de princesa, de boneca ou de qualquer desses apelidos pré-definidos vexatórios. E só. Só isso.

Se nós temos que ser magras, lindas, depiladas, bem vestidas, cheirosas, inteligentes, não interesseiras, dispostas, comprometidas, fiéis, trabalhadoras e independentes, que, ao menos, eles sejam algumas das coisas que a gente espera.

As solteiras agradecem.”


Continue Lendo

sem glamour, com amor.

Todo o blog de moda famoso tem uma lista com “imagens da semana”. Meu blog nem é de moda, nem é famoso, mas como nas minhas férias prometi que iria dedicar mais tempo a esses espaço (e essas tais férias já estão quase acabando e eu NÃO FIZ ISSO!) aí vão as imagens da minha semana, que comprovam que, bem… Estive fazendo absolutamente NADA nesses últimos tempos – muito merecidamente, aliás. Aproveita e me segue lá no Instagrão: @erickamr!

=D

1 – Me formei em Design!! (!!!),  fui pra Santos, fui no dentista, comi uma torta de banana sensacional e voltei pra Sampa. Quando fui para Santos de novo, aproveitar pra resolver os problemas da vida adulta (entre eles tirar os sisos) VOILÁ! Tava um trânsito de APENAS 5 horas. Consegui ler um livro INTEIRO no caminho. (y)


2 – Em Santos aproveitei pra ajudar meus pais na mudança (eles estão indo para outro apartamento no mesmo prédio que eu já moro!) e fiquei pintando, guardando e organizando mil coisas. Entre elas esses espelho colonial que era da minha avó e precisava de algumas camadinhas de amarelo pra ficar mais feliz! =) Aproveitei também para brincar com meus vizinhos, curtir um pouco a família e me distrair da vida paulistana – fingindo que teria muito mais tempo ainda para ficar ociosa. Esse garotinho da foto é o Victor, meu xodó! <3


E foi isso aí! Sem glamour, mas com amor!

Um beijo e bom final de semana pra vocês!

Continue Lendo

sensível demais.

Sei que quando estamos magoados, a razão fica sempre em último lugar. Não existem motivos justificáveis, problemas pequenos, não existe exagero ou ausência de intenção. Quando estamos tristes achamos que todas as pessoas do mundo partilham das mesmas sensações que a gente e que, no fundo, sabiam que tal coisa iria nos magoar, que foi tudo premeditado.

Todos somos humanos e semelhantes em alguns pontos, mas aquilo que é de extrema importância para um pode não ter nenhum significado para o outro. Vou tentar explicar melhor.

Tenho uma memória terrível. Não consigo lembrar nenhuma data de aniversário, batizado, casamento e acabo marcando 93886464 mil programas para um único dia. Obviamente, sempre alguém sai perdendo nessa. Sei que isso é terrível, que é #omeujeitinho, mas deveria ser mais capaz de controlar. Quando vejo, deixei de ir num casamento para ir ao bingo, sabe? Coisas assim. Isso magoa as pessoas ao meu redor e já me trouxe tantos problemas que comecei a tratar quem importa com mais cuidado. A presença é uma coisa muito valorizada por aqueles que nos amam e deve ser levada a sério. Não há presente, desculpa ou carinho que repare o “não estar”, e eu sei disso. Sei, porque quando fazem isso comigo, também fico arrasadíssima. Logo, consigo compreender quando batem o telefone na minha cara depois.

Há outras coisas, porém, que ofendem única e exclusivamente a mim, num grau incompreensível. Como, por exemplo, me deixar de fora de um programa entre amigos, não pedir minha opinião para escolher o sabor da pizza (que eu tambémvou comer) e, principalmente, ser chamada a atenção por falar alto. ODEIO que façam isso. Mas quem não é louco, como eu, por exemplo, não tem como saber essas coisas me magoam. Nem quem me conhece, sabe.

Uma das coisas que percebi ao longo da vida é que as pessoas próximas, via de regra, não fazem as coisas com má intenção. Nem tudo o que é dito ou não dito, feito ou não feito tem a real intenção de nos magoar. Mas magoa. Há momentos em que temos vergonha de admitir que uma palavra atravessada, um convite que não foi enviado ou uma frase não dita teve a capacidade, incrível, de arruinar os nossos dias. Essas micro mágoas vão se acumulando, irritando e quando a gente vê, gritou na gota d’água. Pagou de louca na fila do cinema. Reagiu muito acima do esperado, xingou a sogra e chutou o cachorro.

Precisamos ponderar.

Nenhum erro é irreparável e ninguém deixa de falhar nessa vida. Se hoje nosso calo foi chutado, amanhã chutaremos o do outro, e assim por diante. O mundo não é uma conspiração contra a nossa felicidade, mas shit happens, babe, lidemos com isso.

 

Continue Lendo

da sorte e do azar.


Nunca gostei da palavra azar, até porque não acredito nela. Não é possível que a nossa vida seja guiada por um pré estabelecimento cósmico que vem em fases, por uma maré de coisas boas ou ruins. É muito irracional pensar que não temos controle sobre as nossas vidas, e olha que eu não sou a pessoa mais racional que vocês conhecem, você pode crer. Acredito em pré-determinação, acredito que algumas coisas realmente DEVEM acontecer e que junto a elas virão lições importantes sobre alguma coisa em nossas vidas, mas não acredito em pré-definições para coisas boas ou ruins. Somos maiores que isso.

As coisas boas que ocorrem não são sorte; são o resultado daquilo que buscamos, do que realizamos, são os efeitos do modo com o qual levamos nossas vidas. E quando coisas ruins acontecem para pessoas boas? Como explicar? Tudo culpa do tal do azar? Obviamente, não. As coisas ruins acontecem para todo mundo, o tempo todo, pra quem é do bem e quem é do mal. Elas existem, não dá pra ser feliz o tempo inteiro, não dá pra não ter doença, pobreza, amor mal resolvido, e problemas familiares, todo mundo tem. E sempre vai ter. A pior coisa do ser humano é ser dotado de razão. E da capacidade de tecer teorias para tudo aquilo que acontece por mais sem fundamento que elas sejam. Aliás, quem disse que todas as coisas devem ter fundamento?

O que muda, não é quanta sorte ou azar temos na vida, mas o quanto essas coisas tem a capacidade de nos afetar.

Há dias em que estamos fortes, que pode cair o mundo que a gente aguenta. Há dias, que não. Isso também de nada tem a ver com as forças sígniquicas ou cármicas, isso tem a ver com o nosso próprio humor. Ou você conhece alguém que consegue ser feliz o tempo inteiro? Nem rico, nem pobre, nem apaixonado, nem abandonado: ninguém tem uma vida perfeita.

Se é assim, que tal pararmos de lamentar por aquilo que ainda não deu pra alcançar? Uma hora, a gente chega lá.

Continue Lendo

reciclagem.

Hoje me desfiz de algumas coisas que achei que já tiveram muito valor um dia.

Joguei fora cartas, presentes e documentos bestas de um passado que não dói mais. Me livrei de algumas roupas que já não cabiam e perfumes que já haviam perdido o cheiro há uns 4, 5 anos, mas que estavam lá, simbolicamente armazenados na prateleira. Apaguei do MSN nomes fantasmas e recordei que um dia eram tão intensos, tão amigos, tão meus e agora nada, nada mesmo. Não lembro da última vez que souberam de mim e vice-versa, não lembro se um dia tomamos um porre juntos, se conheci no trabalho ou pela rua. Só sei que um dia eles estiveram lá, fortes, fazendo sentido, fazendo barulho, até provocando uma dorzinha de cotovelo, às vezes.

Deletei algumas fotos também, que não queria recordar. Não porque eu me arrependa, e pensando melhor sobre isso, me arrependo mesmo de grande parte delas, mas joguei tudo fora porque não me reconheço mais naqueles acontecimentos. Parece que estava fora de mim quando aquelas coisas aconteceram, e não digo no sentido etílico da coisa, não era eu. Eu não sou mais daquele jeito, não uso mais aquelas roupas, deixei de gostar daquelas pessoas e parei de comer aquelas coisas.

Mudamos tanto com o passar dos dias e estamos tão longe de nós mesmos que deixamos de notar. De repente, quando paramos pra olhar pra trás, encontramos registros acumulados em caixas, potes, armários que guardamos com tanto carinho e sem nenhum por que que estranhamos. As coisas boas ficam armazenadas na mente, não precisam de suporte para que estejam vivas, não precisam de registros físicos. Um cheiro, uma música, um nome são o suficientes para despertar na gente o bom e o ruim do que se foi vivido.

E uma faxina no coração, daquelas bem feitas, sempre libera espaço pra coisa boa.

 

Continue Lendo

Encoleirados.

Se tem uma coisa realmente feia é quando em uma relação entre pessoas maduras uma das partes chefia. E pior que ver isso acontecer com amigos próximos é perceber que para eles é assim mesmo que as coisas devem ser, tipo sacrifício, autoflagelação.

Ela não usa mais a saia curta porque ele não gosta, mudou o corte de cabelo porque o antigo era muito provocativo e não atende mais o melhor amigo no telefone porque ele tem ciúmes. E ele então? Ele não consegue mais sair pra jogar bola. Almoço com os pais é controlado por radar e se demorar mais de 15 minutos é divórcio. Acordar tarde aos finais de semana? Nem pensar. O tempo livre dele é dela, seja ele qual for. E ai dele se reclamar, quem reclama não ama. O amor não tem vontade própria, é unilateral, é escravo, quem ama faz absolutamente tudo que o outro quer (e não tudo que o outro precisa.) Só eu consigo enxergar uma contradição enorme aí? Amar não era pra ser uma coisa boa e voluntária?

Tenho pena de quem não sabe se impor, tenho pena de quem se sujeita ao outro como se isso fosse natural, porque sei que em algum momento até o cachorro mais manso ataca quando maltratado e, geralmente, o ataque arranca pedaço. De um aparente equilíbrio para um caos generalizado. Hoje não podia nada, amanhã, pode tudo. Com o fim das amarras, o fim do senso de ridículo. E por aí vai.

Há quem goste de viver em plena submissão, há quem só consiga se relacionar sendo pisado. Não cabe a mim julgar.

Mas pra mim relacionamento bom sempre foi livre. E quem tentar muito prender… Perde.

Continue Lendo

dos amores perfeitos.

Esse foi mais um final de semana daqueles de me fazer acreditar que a vida é maravilhosa e que tudo acontece direito quando a gente encontra o caminho certo.

Não que eu não acreditasse em tudo isso, sempre acreditei. Mas um amor de verdade  muda a vida da gente de um jeito enlouquecedor, é sério mesmo. Nem imaginava que as coisas pudessem ser muito mais do que tudo que um dia eu senti, eu nem sabia que amar dava pra ser algo ainda melhor, com tanta sintonia. É tão especial que num dá pra entender. E nem precisa.

Não são só os carinhos e a conversa, é a admiração, a cumplicidade, a sensação de que ele sempre vai estar lá pra mim, e por mim e eu, por ele. E sem cobrar nada. Daquelas histórias de amor verdadeiras que a gente vê acontecer na novela, nos filmes, na vida dos amigos próximos, no Consultório Sentimental aqui do blog, mas que nunca, nunca mesmo, achei que fosse assim… Tão bom.

E que sensação mais incrível amar dessa forma, parece sonho, parece mentira. A gente fica até esperando uma briga, um desentendimento, uma dorzinha, pra ver se acorda com o beliscão. O trabalho fica melhor, a faculdade fica melhor, a doença, a pobreza, os pesos da vida, todos ficam mais leves, inexistentes quase. E tudo vale a pena como nunca porque nos tornamos invencíveis no amor.

E dá vontade de ter casa, família e 5 filhos,  dá vontade de sair por aí deixando tudo de lado só pra ficar um dia inteiro na boa, à toa, olhando praqueles olhos verdes tão meus, tão lindos, que me dizem tantas coisas sem me dizer uma única palavra.

E que todo mundo no mundo um dia encontre um amor assim e saiba reconhecer e não deixar nunca passar porque, tenho certeza, acontece uma vez só.

E é incrível.

Continue Lendo

desamarração.

Há duas perguntas que recebo com tanta frequência no Consultório Sentimental que fica impossível não comentar sobre elas de forma genérica. A primeira, mais complexa, é qual a fórmula correta para se esquecer um grande amor e a segunda, que mais me preocupa, é como encontrar um.

Gostaria de entregar de bandeja a todas vocês uma mandinga para a DESAMARRAÇÃO  do amor, para mandar o seu amor mal resolvido pra Jamaica em 7 dias, vender meus serviços de curandeira sentimental e coisa e tal, mas não é assim que funciona.  Aliás, se vocês querem saber, nunca esqueci meus amores, aprendi a conviver com cada um deles e transformá-los do ódio, para o aprendizado, da mágoa, para a lembrança, e por aí vai.

A sabedoria popular ensina uma coisa que eu discordo:  que só se cura um amor com outro.

O amor é uma espécie de recompensa por estarmos bem conosco, tranquilas,  resolvidas e sem grilos. O que acontece é que quando a gente não tem paciência para esperar a vida se encaminhar a gente DISTRAI a perda de um grande amor com outros, falsos-micro-amores, e às vezes, isso até funciona, mas não cura.  Se o último relacionamento foi uma bagunça, se você saiu magoado, foi traído ou apenas ainda existe algum resquício de sentimento, tenha pena do seu próprio coração e pare de fazer bobagem: recomponha-se. Não se envolva com outra pessoa antes de se entender. Não prometa sentimentos, provoque compromissos e se prenda a situações das quais você possa se arrepender. Essas lições a vida me ensinou di-rei-ti-nho e já dizia o Pequeno Príncipe: “Tu te tornas eternamente responsável pelo o que cativas.” – e eterno é TEMPO PRA CARAMBA. Cuidado com quem você se envolve.

Meu conselho se resume a três dicas básicas que se tornaram um mantra pra quando eu começo a me sentir encalhada: saiba o que buscar, saiba que não é necessário buscar e, por fim, entenda que um dia vai encontrar.

É simples.

Durma tranquila, sem planejar vinganças, esqueça as baladas com tequila e affairs temporários, conviva bem consigo mesma.

Me encontro em um momento incapaz de acreditar que realmente alguém esteja disposto a estar comigo, virei refém das minhas análises. Ando com o amor próprio suficientemente fortalecido pra saber que gostar são dois, não um. Que não adianta forçar a barra, exigir presença, carinho ou qualquer outra coisa; quem quer, fica. E aprende a lidar seja com que situação for.

Quanto a encontrar os grandes amores, não sei exatamente como proceder.  Os meus novos rolos, pelo menos, simplesmente vem. E não digo que isso seja bom, na verdade, há pessoas que a gente sabe que só está junto por distração e disponibilidade, tem a convicção de que não irá além disso.  E tem aquelas que a gente está junto porque sim. Porque é uma delícia a convivência, as palavras, as risadas… E começa a temer as coisas, entre perder, ganhar ou estragar o que se tem, pensa que pode não dar certo, pensa que pode dar, aquela agonia característica de quem está apaixonada e não admite.

No bar, no supermercado, na aula de inglês, na academia, na viagem, na fila do McDonalds, que seja. O amor não é nosso, ele passa pela gente. De vez em quando, dá pra agarrar, ocasionalmente ele escapa, e inevitavelmente ele se vai, como se nunca nem tivesse existido.

E a gente percebe que essa coisa de viver em par é muito mais complexa do que só juntar os trapos.

Continue Lendo

prudência.

Pra falar de gente contida eu sou péssima. Se tem uma coisa nessa vida que eu não faço é deixar de agir por medo das consequências. Conheço pessoas que ponderam tudo, da compra de uma meia, até sair ou não do emprego que faz infeliz. Lembrando que quem vos escreve é uma pessoa que estudou 4 anos, largou emprego, apartamento e um amor seguro para recomeçar do NADA: porque apesar de tudo estar nos conformes, ela queria ser mais feliz. Só pra esclarecer.

Das coisas mais simples às mais drásticas somos obrigados a decidir, o tempo todo, sobre como devemos agir. Se não está bom, porque não ousar? Eu opto por tentar. E tendo em mente que as respostas na vida não são todas imediatas, é preciso ter paciência.  Terminar um romance, dói. Abandonar uma vida certinha, pode ser devastador. Você vai se sentir faracassado, eventualmente, vai se sentir perdedor. Mas ainda bem que as dores do coração são passageiras – desde que você opte por esquecê-las e queira superá-las.

O excesso de prudência pode ser sufocante, muito mais que benéfico. O amor que não se viveu, a promoção que não aproveitou, a viagem que não fez. O casamento que vai de mal a pior, mas se mexer, pode feder ainda mais, e mais aquela série de micro decisões diárias que fazem as coisas terem mais sabor: pego ônibus ou taxi? Almoço no local caro ou barato? Respondo ou não aquele e-mail? E por aí vai.

Não estou fazendo aqui uma apologia ao não pensar, em sair por aí passando por cima de tudo e de todos para fazer valer a sua vontade – porque gente assim, também sofre e eu não suporto ver as pessoas que eu amo infelizes gratuitamente. Somos responsáveis diretos por aqueles que estão ao nosso redor. Mas saibam que, às vezes, ser feliz faz alguém sofrer. Ainda assim,  não dá pra ficar o tempo todo em cima do muro, na espera de que a vida decida pela gente aquilo que deve ou não ser feito. Detesto gente acomodada, que prefere não ousar pra não doer, pra não correr o risco de ficar pior. Há coisas que não podem ficar piores do que já estão, que tal pararmos de engolir os conformismos?

Pecamos por não arriscar e temos a tendência de reclamar por isso.  Se ficarmos levando a vida como ela se apresenta, cansados, porque tememos uma reviravolta muito maior da que podemos suportar, porque então sofrer com essa realidade? Se não está bom, mude de ares, oras. Chute o balde.

Viver, por si só, já é um risco. Vai dizer que você não fica satisfeito quando alguma coisa sai do planejado e te surpreende de maneira positiva?

Eu adoro. E é por isso que prefiro a intensidade às certezas frias.

Continue Lendo