mania de perseguição.

Poucas coisas me irritam tanto na vida quanto gente antipática. Não estou falando em ser super amiga de alguém, ou criar uma intimidade instantânea com pessoas que você mal conhece, estou falando sobre ser cordial, sobre tentar se habituar em um ambiente, escutar, argumentar, ser gente de verdade.

Há mulheres (muitas) que tem mania de perseguição. Que reclamam da sogra, da cunhada, do genro e acham que o mundo, o tempo todo, conspira contra a sua felicidade. Que todos estão muito importados em destruí-la e que, no final das contas, a cumprimentam por educação e não porque tem um real afeto sobre ela. Parto do princípio que todas as relações, em um primeiro momento, são forçadas. Não é possível gostar de alguém que não se revela, ou pior: que está o tempo todo dando desculpas para sua preguiça de interagir, na defensiva.

“Não estou aqui pra agradar ninguém”é uma frase verdadeira. Em partes. Não há como namorar um sujeito e não suportar a família dele, não existe a possibilidade de estar ausente do seu universo, problemas e chateações. Você gosta de alguém em combo, e sim, está aí pra agradar quem quer que seja se desejar ter uma convivência minimamente agradável com aqueles que importam para quem se importa com você.

Não podemos ter medo de ser quem somos e, muito menos, usar isso como desculpa para não gostarmos de alguém. No mundo real é preciso lidar com o chefe, com os problemas, com as personas non gratas, pra evitar as rugas e para provar, por fim, que somos mesmo infinitamente superiores a qualquer picuinha adolescente.

Pior que ser sempre a vítima e se dizer “mal recebida” em território estranho é ser anti-social,  e acabar legitimando ser aquilo que mais teme: chata.

Como diria o rei, “é preciso saber viver.” E só se aprende, tentando.

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o machismo nosso de cada dia.

Nós mulheres reclamamos dos salários reduzidos em relação ao dos homens. Nos orgulhamos por sermos multifuncionais e, ainda assim felizes, por sermos capazes de cuidar da família, da carreira e ter a proeza de encontrar tempo para nós mesma num dia de apenas 24hs. Isso tudo é ótimo, é excelente, mas parem e reparem: somos muito machistas. Muito mesmo. Justificamos tantas coisas injustificáveis que chega a ser assustador.

Não é problema deles o sexo ser ruim, nós é que talvez não gostemos tanto disso. Eles batem em uma mulher porque se descontrolam, não porque tem a ver com algum tipo de problema grave que não saibam lidar. Achamos normalíssimo sermos traídas, porque homem, afinal, quer uma mulher boa de cama e só.  De vez em quando até gostamos dos comentários desrespeitadores sobre a nossa roupa, nossos peitos ou nossa bunda. Não fomos treinadas para combater insultos e para não nos submetermos às agressões físicas sutis que se multiplicam nos transportes públicos, nos shows de rock, ou em qualquer lugar que tenha uma pequena multidão que justifique uma “apalpadinha”.

Não sabemos dizer não. Não aprendemos que mulher também pode (e deve) ter prazer e que isso depende das duas partes do time, e não só de uma. Não sabemos admitir que gostamos disso ou abominamos aquilo; sem saber o que nos faz feliz ( e sem saber o que gostamos ou o que queremos, desistimos de cobrar). Achamos feio quem gosta de sexo e fala abertamente sobre isso, achamos vulgar, baixo e há quem tenha vergonha até do próprio ginecologista. Questionamos de onde vem tanta violência e preconceito e, em casa, criamos nossos filhos como pequenos reis, desvalorizando o trabalho que fazemos e deixando que eles acreditem, desde muito cedo, que cuidar da casa é coisa de mulherzinha.

Julgamos demais. A mulher solteira, a divorciada, a gorda, a sapatão. Sem perceber que talvez elas estejam certas e que com bem menos hipocrisia tenham melhorado consideravelmente nossas vidas por fazer barulho, por nadar contra a maré, por tentar se libertar dessa raiz patriarcal tão forte, mas tão forte, que chega a distorcer o que é o feminismo.

A feminista moderna pode se apaixonar, pode depilar as pernas, gostar de rosa e olha só: pode até querer agradar o marido. Aliás, quem disse que pra ser alguém consciente sobre seu corpo, seus direitos e tudo o mais que lhe valoriza e lhe representa precisamos deixar de ser MULHERES, femininas, diferentes?

Está mesmo tudo errado no mundo. E talvez a culpa seja só nossa. E do modo como acreditamos que tudo, em absoluto, é imutável.

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mãe repelente.

Quando um homem é pai solteiro vive rodeado de possíveis pretendentes. Não sei se isso faz parte da vontade de algumas mulheres de ser mãe, ou se é alguma coisa inerente a sermos mais tolerantes, a entendermos que alguns relacionamentos na vida não são eternos (e que podem gerar seus frutos), que filhos não são um estorvo na vida, e sim, benção e que, no final das contas, o relacionamento se dá à dois, ainda que tenha seus percalços emocionais vez ou outra. Qual namoro não tem, não é mesmo?

Tenho esbarrado em muitas mães solteiras e sozinhas que não estão assim tão contentes com essa opção. Mulher com filho é repelente certo de paquera, meus nobres leitores, em pleno o século XXI. Já aceitaram os homossexuais, já aceitaram a pílula, já entenderam que as mulheres têm direitos sobre o próprio corpo, mas essa briga, antiga, sofrida, das mães solteiras, ainda continua.

É compreensível, na  nossa sociedade, o fato do homem ser o provedor e, a mulher, aquela que cuida dos filhos. Na cabeça de uma mulher, inclusive,  o fato de um sujeito se interessar por ela, mas desprezar o fato dela ter filhos é aceitável, é a ordem natural das coisas, como se ela fosse culpada pelo modo como a vida se encaminhou. Não sei se vocês se recordam das aulas de biologia, mas ainda não é permitido termos filhos sem um auxílio masculino, seria ótimo, aliás. Afinal, não são as crianças  o símbolo do envolvimento de uma mulher com um outro alguém? A prova viva de que ela não é mais virgem, casta, santa, outro absurdo que ainda temos que escutar de muitos homens? Que nos tornamos imprestáveis por termos passado? Mas esse, afinal, é assunto para outro post.

O que eu quero dizer, é que as reclamações das mães solteiras são verdadeiras. Que o impedimento em namorar tão comentado  é antropológico. É do preconceito que vem da vó que se recusa cuidar dos netos para a filha “vadiar por aí”. É da possível sogra, que vai fazer de tudo para “separar o filho dessa desqualificada”. E é dos homens que não querem assumir um papel de “pais”, visto que tem dificuldades em se responsabilizar até por si mesmos, que dirá por filhos que não vieram de um relacionamento comum.

Por fim, como as pessoas não são padronizadas e, graças a Deus, o mundo caminha pra frente, conheço uma amiga que foi casada, separou, namorou, separou e  já está namorando de novo: feliz, com duas crianças lindas e super bem resolvida.

O mundo é cruel, a gente sabe. Os homens estão difíceis, a gente sabe. Mas se uma pessoa não tiver a decência de dispensar uma mulher por motivos mais valorosos que o fato dela ter filhos, nunca terá a maturidade para entrar em um relacionamento, se envolver e ficar sujeito a todas as suas implicações. Afinal, por trás de toda a mãe há uma mulher incrivelmente interessante, experiente e muito mais que isso: disposta e preparada para encarar o que vier.

E perde mesmo é quem nem tenta.

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eu-problema.

Todo mundo reclama que o mercado (para os relacionamentos) está complicado. Que ninguém mais quer se envolver, que as pessoas já não dão mais valor para uma boa companhia, que estão individualistas, exigentes e que parece  não saberem nada sobre àquilo que desejam de fato.

Tenho em mente que sempre quando as coisas ao meu redor começam a me incomodar em demasiado, é que, talvez, o problema não esteja nelas e sim, em mim. Talvez eu que esteja cobrando demais das pessoas erradas, ou cobrando demais de mim mesma. talvez eu esteja querendo controlar coisas que estão fora do meu alcance e que, às vezes, não sãpo pra agora. De repente o que me falta não é um relacionamento assim ou assado, me falta uma vida melhor, uma nova perspectiva em relação às coisas, parâmetros de análise realmente bons, não sei, talvez falte mesmo um bom óculos pra perceber quanta vida tem na vida. Não há coisa mais triste e irritante que viver com pena de si mesmo, é destruidor, mas às vezes, inevitável.

Quando começo a reclamar demais de tudo, da faculdade, da família, do trabalho, da música alta do bar e da cerveja, sem sabor, tenho a certeza que quem está com problemas sou eu. É a minha análise que está distorcida e as minhas expectativas é que tomaram proporções grandes demais em situações mínimas.

Que fique de exercício pra você, leitor, quando começar a se irritar, a se enciumar, a ficar com raiva ou aborrecido com qualquer coisa que seja, pare e penso: esse é um motivo que realmente vale a pena? Essa é uma pessoa que realmente merece  conhecer meu lado azedo?

Nem sempre somos bons. Nem sempre somos corretos, fortes ou nobres. Nem sempre estamos com saco ou disposição. E não dá pra exigir que os outros sejam, não dá pra querer uma vida perfeitinha num mundo cheio de gente naturalmente imperfeita.

Não são os outros que estão complicados, talvez te falte um pouco de paciência. Não é o trabalho que é ruim, talvez você é que tenha procurado pouco. Não falta homens e mulheres no mercado, o que falta é saco pra se envolver e estar sujeito a sofrer tudo de novo.

E não, não é fácil de admitir. Mas já é um começo tentar se analisar.

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como nossos pais.

Na dinâmica social cada um tem sua função e as coisas não se dão dessa maneira à toa. Às vezes, as pessoas se misturam e acabam ocupando lugares por acreditarem ter conquistado esse direito. Às vezes, impõe respeito sem ter, exigem amizades, sem as possuir de fato, e cobram amor, sem merecer. Daí surgem os problemas de relacionamento, as crises familiares e os aborrecimentos no trabalho; é tudo uma questão de auto-conhecimento, de encontrar o seu lugar e o seu espaço no mundo.

A relação dos pais com os seus filhos, por exemplo, sofre uma série de transformações. Os pais cuidam, orientam, mas não podem ser donos da vida de ninguém que não seja da própria, lamento. Devem ser autoritários sem perder a razão e saber que por alguns momentos serão odiados por isso. Recompensa de pai e mãe nunca é imediata ou justa.

Não sei quem foi que disse que os familiares devem ser nossos amigos, acho essa colocação ridícula. Pai e mãe são superiores às amizades, são eles que passam todos os nossos valores, que nos ensinam cada coisinha que nos faz ser quem somos. Não entendo por que eles desejam tanto ocupar o posto de confidentes quando devem ser educadores: é como pedir pra que o professor do colégio nos ajude a cabular aula – não tem cabimento.

Os pais não devem, não precisam e não podem ser íntimos dos filhos, pois há assuntos e questões tão particulares e individuais que nem as famílias mais modernas saberiam lidar e que as crianças – por mais abertas que sejam – não querem compartilhar.

Cada um deve ter sua vida, personalidade e círculos de convivência que, eventualmente, se misturam, óbvio, mas que tem uma hierarquia. Mães, sinto muito, mas o tempo de vocês passou. Não dá pra serem filhas e sair de balada fazendo fofoca dos “amigos de 14 anos” porque eles tem menos que a metade da sua existência, experiência e maturidade – são algo que você, há muito, não é – e que, com certeza, não deseja ser.

Não dá pra dizer que saia curta pode, mas que dormir com o namorado não. Não pode achar legal beber de vez em quando, mas ficar bêbado, não. Nas regras deve haver coerência.

Quando somos, somos INTEIROS e não metade. Por isso que você viveu mais; pra aconselhar, acompanhar e reprimir quando for preciso, não para ser gente boa: se for ruim demais, não funciona. Se for mole, também não.

Posso estar parecendo uma tradicionalista, quadrada, mas acho que é isso que falta no mundo. Será que não estamos confundindo o nosso amor pela família e misturando as coisas? Será que essa confusão de parâmetros não deixa os filhos perdidos, desorientados e mal educados? Você pode ser uma mãe “prafrentex” só não pode ser invasiva. Você pode usar roupas da moda, só não pode perder a noção do ridículo. Você também é parceira dos seus filhos, só não é um membro da turma deles. Você é mãe e não companheira de birita e carteado, não pega bem.

Você pode quebrar as regras eventualmente, claro, só não pode perder o controle.

É importante ter referências. E saber que quando a coisa se complicar alguém vai ter as palavras mais reconfortantes e sábias para dar. Pais acreditem: apesar dos pesares os filhos sabem disso.

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família.

Pais neuróticos e mães histéricas. Avós conservadores ou extremamente desbocados. Prima sapatão, primo gay, tia  religiosa e tio ateu. Alguém com câncer, alguém com pressão alta. Parente rico, parente pobre. Todas as famílias são igualmente problemáticas, todas as famílias tem alguém que incomoda ou alguém para servir de vítima em uma discussão.

Não existe a vida perfeita, a família modelo, os parentes ideais. Somos pessoas. Sendo assim, já nascemos com problemas de personalidade, com vontades incompatíveis e somos obrigados a conviver com gente que em circunstâncias normais nem gostaríamos tanto assim, mas que aprendemos a amar porque assim a vida impôs.

Palavras cortantes, discussões sem sentido, momentos de raiva incontroláveis. Você promete que não vai fazer igual e faz. Você promete que não vai mais discutir e discute. É assim que é com todo mundo e é assim que as coisas devem ser. Se fossem diferentes, provavelmente, não seriam tão boas quando são boas. É impossível não viver nenhum momento agradável em meio a gente que te conhece mais que você mesmo.

Se tem uma coisa que a família ensina é a ser forte. E a amar muito independente de qualquer situação.

Ainda que, às vezes, dê vontade de sumir.

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um pouco de carinho.

O engraçado é o fato de que eu, a pessoa que mais gosta de escrever sobre os relacionamentos alheios, sou também a menos carinhosa do mundo com a minha família. Odeio abraços apertados, beijos melosos e não me lembro, uma única vez, de ter dito para a minha mãe o quanto eu a amo. Percebi isso quando perdi minha vó, derramei pouquíssimas lágrimas e ainda tenho algumas guardadas pelas lembranças. Do curau, dos tricôs e crochês que ela me ensinou a fazer, do cheiro de sabonete que só tinha na casa dela e de muitas, muitas outras coisas que se eu começar a pensar depois que ela se foi me dá aquele aperto no peito de saudades. Daquela saudade que nunca vai conseguir ser sanada porque minha vó, dos cheiros, gostos e prendas, não está mais aqui. E vó, caso vocês tenham a sorte de ter uma como a minha, é mãe duas vezes.

Minha família, na verdade, é bem desunida, pequena, sem graça. Natal sem grandes cerimônias, nenhum aniversário marcante, pouquíssimas comemorações em conjunto. Num é daquele tipo que eu vejo por aí e fico pensando: “como essas pessoas se toleram tanto?” É tudo muito complicado, muito distante, todo mundo vive a sua vida e ninguém faz questão de estar junto quando pode estar. Mas daí, no meio de tantos entraves, de tanta falta de tempo, convivência e outras centenas de coisas, eu lembro da minha mãe. Minha mãe nunca me deixa tempo pra eu ter saudades dela, porque ela está e sempre esteve lá, aqui, em qualquer lugar que eu estiver. Essa coisa de ser mãe é nata, é dom, muda a vida, vem de dentro; literalmente. Que me desculpem os pais, mas não existe um amor igual ao de mãe, e olha que eu nem sou mãe ainda.

Dá pra sentir, no ar, o quanto nós, filhos, somos especiais. Não importa quais sejam as desavenças, os xingamentos, as tragédias… Elas sempre perdoam. Guardam as crias, ferozes, bravas, mesmo quando não temos razão de nada. Acho incrível. A maternidade é um lance incrível. E minha mãe, mesmo sendo chata por muitas e muitas vezes, sem noção alguma de estética e com uma mania incansável de roubar e de destruir meus sapatos, também é incrível. Pode ser imatura e agir impulsivamente muitas vezes, e quem não é? Mas carrega nas costas um mundo de outras coisas que eu nem faço idéia do quanto devem ser difíceis, mas sei que estão lá. E que se tornam quase que invisíveis porque ela não deixa que eu tome ciência de tudo pra não sobrecarregar, pra não doer, pra me proteger de toda e qualquer coisa que possa vir a acontecer. Mesmo que seja impossível me proteger do mundo inteiro.

Ela me ensinou a gostar de estudar, a gostar de verdura e a respeitar os outros. Me ensinou a fazer o melhor arroz do mundo (com a ajuda do meu pai, né?), a curar dores de barriga com chá de camomila e maçã e mais uma série de outras coisas básicas pra sobrevivência. Coisas que só quando a gente pára, pondera e observa percebe: sem mãe num dava pra ser ninguém nessa vida.

Feliz dia das mães, mãe! E apesar de eu ter todas as dificuldades do mundo pra demonstrar meu amor, você sabe que eu sinto!

=]

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sabedoria de vô.

 

Depois dos 80, não se sorri mais em foto.

Não só meu avó, os velhinhos todos, de uma forma geral. Costumo falar dos relacionamentos jovens, das pessoas que precisam aprender coisas diariamente para viver melhor, das amantes, dos namorados, de gente que ainda tem toda uma história para construir. Quem já tem lá seus 80 e poucos num tem mais esse tipo de preocupação na vida, aliás, a única preocupação que se passa na cabeça de quem já muito viveu é a hora que vai morrer. Triste, mas real. Acho que os desejos, com o passar dos anos, vão perdendo o por que. Ou melhor, parece que não existem mais com tanta força dentro da gente.

Meu vô  já teve um bom emprego e um grande amor. Comprou apartamento, carro, deu uma boa faculdade para minha mãe. Teve netos, bisnetos, irritou-se muitas vezes com cada um deles, foi contra as regras e os agradou também, outras tantas vezes. Perdeu pessoas das quais se importava em progressão geométrica. Não uma ou duas vezes, como as pessoas ocasionalemente perdem, umas 30, de uma vez. Depois começaram os problemas de saúde, o andar já não era mais o mesmo, nem a respiração, a pressão, os cabelos… Sem falar das rugas. A cabeça, porém, sempre avança. Enquanto o corpo vai padecendo a compreensão do mundo vai aumentando, agora que ele precisa, não quer tanto a ajuda dos outros. Nem um carro importado, nem status social…Quer saúde e atenção, coisas difíceis de se ter. Fica saudosista, sente falta de quem partiu sabendo que não terá todas essas coisas de volta porque não existe volta pros que já foram. Repete, inúmeras vezes, como nós, jovens, somos imprudentes e ansiosos. Como devemos aguardar para que as coisas aconteçam, que pra quem não estuda as coisas não são fáceis como eram no tempo dele e que pra quem estuda, também nunca foram e agora estão piores. Que a vida não é uma sucessão de coisas boas o tempo todo, mas de boas pessoas, que a gente acumula e perde. E deve estar o tempo todo pronto para perder; para morrer, basta estar vivo.

Fico pensando em como tudo passa rápido demais. Será que conseguimos viver, de fato, tudo aquilo que queremos viver? Começo a crer que não há tempo para tudo isso. E que é melhor aproveitar, com força, tudo aquilo que se tem.

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cabeça de sogra.


Você cria os filhos com todo o amor e carinho do mundo. Ensina a andar, comer e falar. Orienta sobre como se portar em público, sempre com educação, fala sobre os acidentes, sobre as maldadas do mundo, explica sobre a morte, de onde vem os bebês e mais uma série de coisas que a gente não sabe exatamente como vieram parar na nossa cabeça porque parece que desde sempre estiveram por lá.

É você quem proibe.

Que fala palavrão, mas insiste para não fazerem o mesmo, que come gordura e bolo de chocolate quente, mas não oferece pra quem ainda não tem nem estômago forte o suficiente para isso. É você quem impede os filhos de ir às festas, de voltar de madrugada pra casa. Que nega mil coisas,  que na adolescência é evitada na porta das escola e não é mais tão querida no dia-a-dia. É de você que eles saem, mas é para o mundo que eles vão.

De uma forma quase que ofensiva eles vão se desligando; deve ser triste quando isso acontece. As primeiras semanas fora, as viagens, os primeiros encontros. Nessa última parte o negócio fica perigoso. O filho encontra alguém que nunca fez nada de tão importante por ele, mas, que por algum motivo incompreensível, ele se importa tanto à ponto de ceder o melhor lugar da mesa na hora do jantar e por em prática tudo aquilo que você ensinou. Para ela, ele abre a porta do carro. Reserva o melhor pedaço do bolo e fica HORAS à fio no telefone. Ela é quem recebe as juras de amor que foram negadas à você depois dele ter completado 6 anos de idade, é para ela que ele compra aquele brinco de pérola que você sempre sonhou.

Com você ele absorveu todas as instruções de como tratar bem uma mulher para, na prática, dar tudo isso à outra. Uma traição que você sabia que ia acontecer, mas que quando está lá, na frente dos seus olhos, você quer morrer. A moça, que nada tem a ver com isso, faz de tudo para agradar, mas você é irredutível. Reclama do modo que ela fala e se veste, reclama do modo que ela age. Sente ciúmes do tempo que ele passa longe de você, arranja programas e mais programas insuportáveis pra testar a paciência (e o amor) da moça. Se ela estiver incomodada, que vá embora, melhor.  Tenta impedir passeios, pára de pagar a conta de celular, o proibe de pegar o carro aos finais de semana. Não tem mais mesada, não tem mais nenhuma vantagem se continuar a namorar com essa talzinha aí, sem família, que quer te roubar dela. Sendo que há anos vocês já não eram mais assim, tão ligados.

O mais triste ainda é que, sob essas condições de tirania, geralmente um namoro acaba. Ninguém aguenta sogra louca e família complicada, poucos relacionamentos resistem à descaso, desprezo, maus tratos e falta de educação. As mães ensinam tudo para os filhos para que depois, quando eles finalmente encontram alguém para aplicar os conhecimentos recebidos, ajam como loucas e façam tudo, TUDO ao contrário.

A minha sogra atual, graças a Deus, é um ser evoluído e NUNCA agiu assim. Mas se você, nessas linhas, não encontrar qualquer semelhança com a vida real, considere-se uma pessoa de sorte. E aproveite bem esse amor familiarmente tranquilo.

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caso de família.

Oi querida!
Estou em uma situação o tanto quando “desesperadora”… Meu namorado é um ex-galinha, já transou com várias, pegou a cidade inteira… As meninas ficam em cima, eu fico mto irritada, ligam de madrugada… Até as primas ficam em cima dele! E eu sou uma pessoa totalmente ciumenta… Ele tá comigo sempre, sabe? Se ele me trair, só se for na faculdade (o que eu não acho totalmente impossível)… Eu me sinto muito incomodada com isso, em lembrar de todo o passado dele, eu sei que isso não devia importar, porque comigo ele é um princípe, sabe? Me trata mto bem mesmo… Mas sempre fico com o pé atrás e não consigo confiar. Um dia teve uma história dele com uma “amiga” minha, ele adicionou ela no msn e ficou dizendo que ela era bonita e todas aquelas coisas que a gente sabe que um homem namorando fala mesmo assim! No começo do namoro sem saber de nada disso, me sentia nas nuvens, me sentia a pessoa mais amada do mundo… Mas agora, fico sem vontade de ficar com ele, o sexo não tem mais graça, mas minha família ama ele e toda vez que penso em terminar ou sei lá, eles são contra mim e dizem que nunca vou arrumar alguém igual ele… Eu fico totalmente perdida sem saber o que fazer… Minha situação é muito complicada, além de tudo isso, EU NÃO SUPORTO A FAMÍLIA DELE, é claro, que você depois de ler tudo isso vai pensar “e o que essa menina ainda está fazendo com ele”, mas por algum motivo, eu também tenho medo de ficar sozinha… Eu não confio nas pessoas por uma trauma de um ex meu (que vai ser pra sempre o amor da minha vida, pois o que eu vivi com ele acho que nunca mais vou viver com alguém), mas ele vivia me traindo… Sempre mesmo, fico até mal de falar isso, mas eu era uma burra. Novinha, né, me iludi e me ferrei. Agora sou tão fria… Não sei, só queria mto um conselho pra saber o que eu faço, o que eu mudo, o que faço da minha vida… Porque estou tão perdida, às vezes tenho vontade de fazer minhas malas e ir pra algum lugar bem longe daqui ficar sozinha e pensar…

Ai! É, isso. Espero que me dê uma luz!!!

Beijosssss!

*****

Oi, xuxu!

Seu caso é mais comum que você pensa. Não te acho doida por continuar com o seu namorado em meio a toda essa situação, principalmente em relação à parte em que você diz que nunca mais vai encontrar alguém como ele e que vai ficar sozinha caso desista desse relacionamento escravo em que você está! Vamos aos pontos, com calma, pra ver o que podemos fazer…

O cara é um galinha, de fato. Você pode controlá-lo, estar com ele em todos os lugares, mas sem confiança… Não dá. Por mais que tenhamos ciência de cada passo que o sujeito execute, traição vai muito além de concretizar os fatos. Só por ele ficar de conversinha mole, com uma AMIGA sua, já indica que ele não teme o perigo. E, também, que você precisa escolher melhor as pessoas que chama de amiga… Enfim…O relacionamento, por mais vantajoso que você julgue ser, está cansativo. E essa história do sexo não ser mais interessante? Que TERROR. Não estou vendo assim tantas vantagens como você está…A possibilidade dele encontrar alguém interesssante, te deixar de lado ou dele simplesmente te trair, situação que você já viveu anteriormente, te assombra. Você quer viver com medo? É o típico caso de namoro “síndrome do pânico”. Você teve um trauma, o cara não te dá segurança, você pira ocasionalmente, mas, aos poucos, retoma a confiança na relação e acha que está tudo sob controle… Até que BANG. Alguma coisa vem e te enfraquece novamente.

Você disse que a família dele é insuportável, certo? Isso é, de longe, a pior coisa num relacionamento. Não sei nem quais são seus motivos pra sentir isso em relação a eles, mas sei que é uma droga. Quando nos unimos à alguém, inevitavelmente, nos unimos à familia dessa pessoa e não há relacionamento que não se abale por uma convivência familiar ruim. Há casos em que dá pra relevar, outros, não. E, sinceramente, na sua situação, a convivêrncia familiar só seria de grande importância para você se sentir segura. Ter sogros que te amassaem garantiria maior controle sobre ele, coisa que você pode acreditar ter, mas que você no fundo sabe que é impossível. Sabe que nem aquela geleinha de brincar da infância? Quanto mais a gente aperta, mais ela escapa entre os dedos? Então… Assim é o relacionamento no qual uma pessoa assume o posto de xerife e outra de réu. Pode dar certo durante anos e anos, mas se não mudar de perfil, está fadado ao fracasso.

Sabe, Miriam, você merece estar com alguém que DESEJE estar com você e que tenha motivos que vão além de uma bunda, um sorriso ou um cabelo bonito para não te trair. Sempre existirá mulheres mais bonitas, mais interessantes, menos problemáticas… E homens também. Não adianta querer que o cara se torne o padre Marcelo Rossi, as pessoas só se transformam se desejarem de fato que isso aconteça. Porque a outra vale a pena. E não é que você não valha. É que tem gente que simplesmente não enxerga o valor das coisas que tem quando elas estão por perto…Creio que a situação, ao contrário do que você vê, é ruim PRA ELE. É ele quem não encontrará por aí alguém como você, por mais que a sua família o ache maravilhoso e digno de todos os louvores. Só você sabe o que vive. E só você pode decidir até que ponto se torturar assim te faz feliz.

Espero ter ajudado, muita boa sorte em qualquer decisão que você tiver!

Um bjão,

Ericka.

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