maluco beleza.

Para ler ouvindo: Maluco Beleza – Raul Seixas

Ser adulto, entre vitórias e coisas verdadeiramente boas, é também meio frustrante. Ao invés de conquistar o mundo e atingir todos aqueles objetivos que você tanto sonhou, da riqueza ao reconhecimento, somos obrigados a encarar a parte desconhecida da coisa toda: a falta de tempo. E de pessoas realmente confiáveis para contar.

Ser adulto é ver gente querida partir, o tempo todo – dessa para uma melhor, dessa para uma pior. É perceber que nem todos aqueles que você chama de amigo, de fato, o são. É saber que algumas boas e longas memórias, que tanto significaram para você, foram apenas momentos passageiros para os outros. E só. Que você não irá à metade dos casamentos, chás de bebê e eventos que te foram prometidos na juventude, e que as circunstâncias, muitas vezes, não te farão, SEQUER, se importar com isso. Saberá também reconhecer aqueles que realmente importam, que, via de regra, estarão ao seu lado se você mudar de país, de religião, de trabalho ou de sexo. Nada disso vai mudar aquilo que você representa,  muito pelo contrário. Os amigos de verdade querem estar presentes mesmo sabendo que você está fazendo uma cagada faraônica, algo incompreensível para todo o resto da sociedade. Amigo mesmo quer ter a oportunidade de estar ao seu lado quando você perceber que tudo o que parecia bom, não era tanto assim. Amigo mesmo, vai registrar seus erros pra rir da sua cara depois, quando tudo passar. Quando as coisas sérias se tornarem banais.

Ser adulto é ter uma real responsabilidade sobre a própria vida e uma total ausência de controle sobre o destino. É tapar o sol com a peneira, adiar o regime mais uma semana, deixar de comprar cabide pra comprar um anão de jardim. É ter dinheiro um dia só no mês e comer miojo durante o resto dos dias porque fez uma viagem e gastou demais, porque foi à uma festa e gastou demais, porque teve que pagar o aluguel, a água e, meu Deus, você precisa ganhar mais. Sempre mais.

Ser adulto é, principalmente, acreditar que tudo, tudo mesmo, pode mudar.

Ou ninguém chegaria vivo aos 35.

Faz todo o sentido do mundo querer ser criança pra sempre.

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