a maior declaração de amor do mundo.

Amar alguém é supervalorizado.

Tendemos a achar que a prova máxima de que um relacionamento está saudável é declarar o nosso amor para essa pessoa, no Facebook, no Instagram, na p.q.p, pra todo mundo ver. Isso, na verdade, é o mínimo que se espera. É a pontinha do barco.

Bons relacionamentos elaboram, planejam e concretizam sonhos. O tempo todo. Juntos. Porque ambos sabem onde querem chegar, ambos andam e olham na mesma direção. Não há nada pior na vida do que construir todo um castelo enquanto o outro ainda nem comprou as janelas. Enquanto o outro, ainda, nem sabe se quer um terreno.

Casar não é coisa de mulherzinha. Não é o próximo passo. Não é a ordem natural das coisas. É aquilo que desejam todos aqueles que buscam, verdadeiramente, ter uma vida bacana com alguém. E aqui eu incluo o “casar” em todas as suas formas – seja juntando, dividindo as contas ou abrindo mão de algo muito valioso na vida pessoal em prol do outro. O casamento começa quando a gente acredita que consegue viver, pro resto da vida, suportando e convivendo com os defeitos de alguém.

E faz de tudo pra que isso seja verdade.

É, na verdade, uma fórmula bem simples. Que a gente tende a complicar.

Não tenho paciência pra quem está junto porque sim. Porque é preguiçoso demais para mover-se para outra direção, tem medo demais da solidão para tentar algo novo. Disse ontem, para o meu namorado que, via de regra, as mulheres amam mais que os homens dentro dos relacionamentos porque foram treinadas a sustentar o romance. E que esse tipo de relacionamento unilateral, para as mais conformistas, tende a dar certo já que eles, os machos alfa, tem uma preguiça infinita de discutir. De viajar nas expectativas femininas. Eles só permanecem lá, calados, cumprindo seu papel. Não está ruim, afinal. Nem bom de verdade.

Não sei o que acontece com alguns casais. Não sei o que pensam alguns homens que não se preocupam em não ter paixão. É como esperar ser levado, dia à dia, rumo ao inevitável destino: às tão temidas amarras do matrimônio. Porque a vida, huumm… Acho que a vida é assim mesmo.

Cara, nós não vivemos mais os anos 50. Nós podemos dar/trepar/pegar quem a gente quer, namorar quem a gente quer, a gente pode até ser gay, sabia? E feliz! Num é incrível? A gente pode até se apaixonar por uma roda gigante, por um portão de garagem, por uma baleia, pela nossa profissão, por nós mesmos. Ninguém é obrigado a ser infeliz. A não ser quem deseja ser.

Ninguém precisa largar a família, os amigos, tudo na vida é conciliável quando se quer. Mas é preciso querer mesmo, muito, de verdade. É preciso lutar pra que aconteça.

É preciso que tenha sentido.

E não que, simplesmente, tenha amor.

O amor é simples. Difícil é lidar com as expectativas da gente. Principalmente as que só a gente tem.

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por onde recomeçar?

Pedi a uma amiga que me ajudasse a pensar em um tema para escrever aqui. E falando sobre as coisas que a vida anda mostrando com suas reviravoltas, ela sugeriu que uma boa pauta seria o recomeço.

Como recolher tudo aquilo que restou de nós ao final de um relacionamento e voltar a achar o que nos cerca mais maravilhoso que confuso? Como, lá pelos 30 e tantos anos, não achar esquisito voltar à vida de solteira e não ter preguiça de reviver aquelas coisas que, há muito, já haviam sido esquecidas? Onde encontrar alguém realmente interessante e, acima de tudo isso, como ter confiança novamente de que estar envolvido com alguém pode ser mais delicioso que cruel?

As perguntas eram muitas. E as respostas, mais ainda.

Acho que não existem fórmulas para se dar bem na vida; nem no amor, nem no trabalho, nem nos negócios. Mas existem estratégias que nos fazem refletir sobre a nossa conduta em relação aquilo que somos hoje, sobre aquilo que éramos, o que tínhamos e o que gostaríamos de ter. E parece um dos maiores clichês do mundo, mas compreender onde estamos e  onde queremos estar é o que nos faz andar pelo caminho certo. E deixar tudo muito mais simples.

Outra coisa que dizem por aí é que só superamos um amor com outro. Não acho que emendar relacionamentos sem sentido seja a melhor estratégia, mas acho que manter-se disponível torna as coisas mais leves. Saiba que agora você está livre para olhar uma pessoa bonita no metrô (aliás, quando foi que não esteve?) e que não existe problema nenhum em ser mais simpática com aquele colega de trabalho que sempre foi muito solícito (e super gracinha). É preciso, também, reviver antigas amizades e fazer novos círculos de relacionamento. Seja na academia, no curso de inglês ou em um aniversário no bar. O importante é não ficar em casa, isolada do mundo, sofrendo com as memórias daquilo que foi planejado – e nunca mais vai se concretizar. Não com aquela pessoa.

Aliás, acho que o principal ingrediente para tornar nosso recomeço mais simples é parar de ter pena da nossa existência. Parar de achar que seremos para sempre infelizes e incapazes de nos envolver. Se não dá pra suportar o modo como sua vida encontra-se hoje, viva outra vida, então. Uma alternativa. No qual você é linda, incrível e não precisa se preocupar com quem vai casar depois de amanhã.  Você nem ao menos consegue pagar aquela parcela da máquina de lavar, pare com isso, menina! Permita-se um pouco de esquizofrenia. Reinvente-se

Lembre-se sempre do seguinte:

1 – Seu problema não é o maior do mundo. Para todas as coisas que acabam na nossa vida, outras começam. E há situações muito mais irremediáveis que um fim de um namoro, noivado, casamento…Shame on you.

2 – Não fique remoendo memórias, guardando fotos, fuçando a vida do outro. É como jogar álcool nas feridas abertas, um sofrimento completamente opcional. E irracional.

3 – Não desconte na comida, na bebida, no álcool, nas baladas em excesso, no trabalho… Equilibre-se. Aproveite para concluir projetos individuais dos quais nunca teve tempo e, se estes nunca existiram, invente novos objetivos de vida. Pra já.

4 – Desabafe. Chore. Xingue. Reclame dele pra sua mãe, irmã e amigas (ou amigos). Mas nunca, em hipótese alguma, faça barraco. Não peça para voltar, não queira estar com quem optou por se afastar. A maior insanidade é cobrarmos dos outros coisas que não tem valor. E que, há muito, já não fazem mais sentido.

5 – Seja uma pessoa linda. Por dentro e por fora. Se os quilos a mais ou a menos te incomodam, insista numa dieta. Se esse corte de cabelo te desagrada, mude. Aprenda a não depender de ninguém para sentir-se maravilhosa. Busque uma razão maior para existir que outra pessoa, que um emprego, abrace uma causa. As pessoas mais incríveis que eu conheço não são as mais gostosas/malhadas ou super cheias de plástica. Aliás, muito pelo contrário.

No mais, acho que um dia após o outro nos obriga a superar.

Toda e qualquer coisa.

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cão e gato.

Eles brigavam o tempo todo. Ela confessou para as amigas que nunca chegou ao orgasmo e ele dizia aos caras que o que ele queria mesmo era poder jogar futebol no sábado à tarde. Ela não gostava de cerveja, não suportava barba por fazer e ele tinha espírito de Homer Simpson, piadista, e uma pancinha de bacon que adorava evidenciar. Detestava ter que colocar uma roupa bacana pra ir nos lugares requintados que ela adorava –  “É final de semana, pô!” – Esbraveja.

Para resolver o romance que andava ruim, resolveram morar juntos. Achavam que o problema não estava na total incompatibilidade de pensamento, mas na distância, na falta de rotina ou de planos em comum. Ela decorou a casa com mil bibelôs que ele quebrou jogando Wii, mas não foi por esse motivo a pior e maior briga. A coisa ficou feia mesmo quando ele foi ao casamento da prima dela de tênis. O fotógrafo riu, a mãe dele reparou e fez cara feia, e ele, coitado, chamou a mãe do noivo de gorda, num súbito de sinceridade desmedida e constrangedora.

– Você não tem postura! – ela reclamou.

– Você é chata! – ele gritava.

E foram embora no mesmo carro, pra mesma casa, dormir na mesma cama. E por dias e dias angustiaram aquilo que perderam da vida enquanto ficaram 6 (ou 8) anos juntos. Se estranhavam nos corredores pela toalha molhada, pelos copos espalhados, pelas roupas manchadas e pelo pó que acumulava atrás das portas.

Não dava mais.

Ele voltou pra Sorocaba e ela foi morar em Montevidéu.

Ele descobriu que era excelente com as palavras e me mandou um e-mail.

Ela, enfim, casou com um amigo de família, que a mãe dele adora, que o vô paparica e que só veste Ralph Lauren.

Dizem por aí que ele é super careta, ela concorda.

Posso imaginar.

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romantismo desenfreado.

Me considero uma pessoa extremamente romântica. Adoro demonstrações de carinho fora de hora, surpresas, declarações… Acho importante dizer às pessoas que amamos que elas são mesmo especiais, principalmente quando não temos motivo aparente para tal. A questão é que de uns tempos para cá tenho notado nos relacionamentos alheios uma tendência ao hiper sentimentalismo, tanto para o bem, quanto para o mal, com altos níveis de drama, barraco e mi mi mi. Chega a dar dor de cabeça.

Na mesma proporção que são feitas públicas e calorosas declarações de amor, são expostas as brigas. Na velocidade e na intensidade que as coisas se iniciam, elas terminam, e tanto quanto  tudo que era doce as crises tornam as pessoas amargas, sujas, cinzas, feias. E não pára por aí. Depois dos juramentos de ódio profundo, do não envolvimento brusco e de declarar, aos quatro ventos, o quanto não vale a pena relacionar-se a pessoa retira tudo o que disse e está lá, em menos de um mês, fazendo tudo novamente. Sem grandes intervalos surgem novos e avassaladores amores, iniciando o ciclo contínuo de excessos e de ausência de reflexão.

Não há problema em envolver-se e dar tudo de si para fazer a coisa funcionar. Não há problema em ser um romântico à moda antiga. O problema é depositar toda a felicidade do mundo no outro, baseando-se pura e simplesmente na sorte. Se fosse simples encontrar alguém eu nem precisaria escrever esse blog. Se fosse fácil manter um relacionamento apenas por romantismos e demostrações desenfreadas de sentimento que beira mais à intensa paixão que ao amor ninguém se aborreceria meses depois, por aquele que jurou suportar toda e qualquer situação.

Amar não é dar flores todos os dias. Não é fazer faixa e colocar na porta da casa do outro. Não é se endividar comprando coisas que não pode pagar, pular de para-quedas ou fazer promessa. Não dá pra achar que só é verdadeiro se for insano.

É ser e estar presente quando tudo desmoronar. É saber que existe lugar pra fugir. É ter alguém pra mostrar que nem tudo que o outro pensa, age, sente e vive é necessariamente daquela forma, que há outros caminhos, outras saídas. E não temer que isso acabe porque não fez o suficiente.

Amar é doar a si mesmo. Quer mais que isso?

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e por falar em traição…

Se eu pudesse fazer uma estatística da minha caixa de entrada do blog diria que 90% dos e-mails são relacionados à traição – eminente ou em andamento. De pessoas que se dizem culpadas, mas possuem um prazer secreto em manter duplas (às vezes triplas…) realidades, de gente que não tem coragem de terminar com o oficial para ficar com o outro, e de gente, principalmente esse tipo de gente, que já não ama mais, mas que não consegue admitir.

Eu não sei se já disse isso em algum lugar nesse blog, mas eu já trai há anos atrás e foi uma das piores situações da minha vida. Não porque eu seja uma moralista, mas porque fiz isso dominada pelo descaso, pela vontade de chamar a atenção de qualquer forma e de demonstrar o famoso “se você não me quer tem quem queira”. Coisas da juventude.

Não conheço todos os meus leitores ao vivo. Não sei com precisão o que acontece dentro desses namoros e casamentos,  que são narrados como longos e sem conflito. A questão é que consigo notar, só pelo jeito que descrevem, que são situações tão sem sabor quanto xuxu congelado e tão grudentas quanto xarope em cobertor Parahyba; as pessoas se vêem presas à vínculos de respeito e não de amor. E acabam por desrespeitar o outro para se ver livres.

Mais que vadiagem, safadeza ou curiosidade: trai-se por ausência de perspectiva ou por vingança. Você gosta da pessoa, mas sabe que a coisa não vai pra frente. Você gosta, mas ela não é para você. Você gosta, mas o relacionamento está morno, chato, não vale a pena nem discutir. Você trai porque não tem coragem de dar um basta, foi traído ou se sente preterido. Não tem mais tesão por AQUELA vida à dois e passa a olhar para os lados em busca de alguém que faça você sentir de novo alguma coisa. Qualquer coisa. Ainda que seja raiva. Aí entra a emoção do proibido, a chance de ser um pouquinho mais feliz de forma complicada. Adoramos problemas, eu sei, mas tome cuidado antes de jogar para o alto algumas coisas mesmo que não estejam mais tão boas assim.

Há atitudes na vida que são irreversíveis.

 

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