Se faz doer, não faça.


Eu não tenho pena de quem magoa as pessoas que eu amo.
 Simples assim. Fico puta mesmo, grito, xingo, amaldiçoo e demoro pelo menos algumas semanas para começar a organizar os sentimentos, ponderar os lados – e a entender os por quês. Vocês sabem que tudo nessa vida tem uma causa e uma consequência, não sabem? Sabem sim. É algo que aprendemos desde crianças, na prática, e que depois vivenciamos em diferentes esferas da vida adulta, obviamente, também nos relacionamentos. O tesão acabou, o encanto se foi, num dava mais pra aguentar as manias x, y, z do companheiro, não era bem aquela “felicidade toda de Instagram” fazia tempos, meses, anos, às vezes, enfim.

Quero dizer aqui que nada acaba do nada, não se engane. Ninguém se apaixona por outra pessoa sem esforço, sai de casa, muda a vida e f**e tudo sem dar uma pensadinha antes. Ouviram bem? Ninguém.

Ninguém é manipulado, tolo, maluco, fraco das ideias ou levado unicamente pelas emoções. Uma das maiores ferramentas para justificarmos a dor que vivemos ou fazemos a outra pessoa viver é a loucura, a insanidade, dizer que agimos sem pensar em uma determinada situação. Se, quando estamos com um problema, tudo o que fazemos é exatamente pensar sobre isso (ou sobre o nosso objeto de desejo ou desprezo) como temos a cara de pau de dizer que “não foi bem assim, não queria te magoar, foi mal, não medi as consequências”? Mediu sim. Mediu pra caralho. E eu acho que pior que magoar o outro é insistir em se justificar de alguma forma, ou ficar buscando no que havia (ou seja, no relacionamento anterior) motivos para legitimar algo que é de única e inteira responsabilidade de quem o fez.

Eu sei que é horrível dizer isso pra você, homem/mulher traído(a), mas o nosso companheiro sabe bem quando está em um processo de traição – e eu posso falar sobre isso porque já traí e fui traída inúmeras vezes, bem como já ajudei cornos e cornas amigas, colegas ou leitoras do blog. Traição é perfeitamente normal em humanos, é perfeitamente cabível em diferentes cenários, mas não pode ser justificada: só acontece porque duas pessoas, além das anteriormente já envolvidas, desejaram e optaram RA-CI-O-NAL-MEN-TE por isso. E ponto final. 

Dói pra caramba, pra todo mundo, pra quem traiu e foi traído, pros amigos, familiares e filhos. Uma sofrência geral. Dói porque, ainda que seja um processo, ou seja, exige reciprocidade, esforço e envolvimento das partes, sempre surpreende. Ou porque não queríamos ver o que de ruim estava lá, vivendo e convivendo com nossos sentimentos, ou porque tais problemas nunca foram considerados, de fato, problemas. Ou porque, no fundo, mesmo quando está tudo uma merda, tendemos a confiar naqueles que amamos. Cegamente. Afinal, sem confiança, melhor nem começar relacionamento nenhum.

Para corações partidos, onde a raiva habita e a solidão desola, tempo. Bons filmes, excelentes livros, café e bons amigos. Trabalhos com bastante afinco e dedicação, novas metas na dieta, de aprendizado, um curso, um hobby, uma mente disposta a ser melhor que a de ontem. Uma boa terapia, daquelas de sair chorando de soluçar, embalada daquela auto-avaliação de quem somos hoje, de quem queremos ser amanhã e do tipo de pessoa que buscamos e desejamos mesmo cultivar em nossas vidas: isso é urgente.

E para quem magoou, um grande foda-se. O mundo gira. E, também por experiência própria, posso dizer: vai doer muito mais que dói hoje. Vai piorar. Vai destruir, vai mudar tudo, virar do avesso. Vai ter arrependimento, vai ter caos, vai ter vontade de voltar e reconstruir o que nunca deveria ter terminado assim. Mas você vai ficar de boa. Você não vai ter a falta de decência de querer reconstruir o que não vai ser mais a mesma coisa. Até que aprendamos que antes da paixão, do tesão ou de qualquer sentimento impulsivo é preciso ter respeito. E que, sem ele, nem os maiores e melhores relacionamentos resistem – que dirá, os que no íntimo, já sabíamos que não iam mesmo durar.

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o tal do único e maior amor do mundo.

Eu costumava achar que tínhamos um único grande amor na vida. E chamava de grandes amores aqueles avassaladores, exagerados, cheios de problemas, ciúmes, descontroles e desaforos. Buscava sentir aquela angústia misturada com ânsia novamente, aquela agonia, uma coisa de tirar o fôlego, desnortear, bagunçar tudo, acabar com a gente.

Mas sabe, há alguns anos entendi que grandes amores não são assim. Também não acho que eles precisam ser pra sempre, aquela coisa da morte separar, da igreja casar, acho que o amor se transforma a todo o momento e também transforma quem somos. Eu descobri que amar é uma opção e não exatamente uma condição de sentir algo. E que amar também é uma construção de histórias e fatos que vivemos com alguém.

Hoje você não é quem foi um dia, quem foi naquele tempo, daquele outro amor ou do anterior àquele – você nunca sai de nenhum tipo de relacionamento sem se transformar de alguma forma. Assim sendo, amor(es) grandes, mais de um, são perfeitamente explicáveis – se você não é mais o mesmo, o que te leva a acreditar que vai sentir todas as coisas da mesma forma? Não vai. E que bom.

Eu entendo que vivemos de comparações. Entendo também que quando estamos feridos, magoados e nos recuperando do nosso último grande amor da vida tendemos a achar que aquele foi o melhor, ou a relembrar todos os anteriores que tinham muito potencial. Mas o fato é que a gente cagou de alguma forma, que burras nós éramos. Mas vocês sabem que ressentimento e dor de coração partido passam, né? Sempre. Então tá.

Você vai amar de novo, vai ser bom, maior, muito mais incrível. Pode não ser da primeira vez, talvez nem das cinco seguintes, mas em um ano podemos mudar a cor do cabelo, nosso tipo físico, alimentação, cidade, emprego e nosso grande amor eterno e verdadeiro também, ué. Acontece. E o tempo todo. E se não for na semana que vem, que enquanto isso, nos preparemos para ele.

Enquanto houver disposição, existem amores possíveis.

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Vontades secretas que vem do nada.

Vem cá, conta pra mim o que mora aí na sua cabecinha.

Eu sei que você às vezes tem vontade de não ter tido esse neném lindo que está aí do seu lado, mas vamos por partes: tenho certeza que você nem queria ter se envolvido amorosamente e profundamente com ninguém, para começo de conversa. Sei que às vezes ser casada é uma merda. Você é nova, você é gata, tem tanta gente nesse mundão e tanta vida lá fora pra viver, que porra essa coisa de ter que ficar resolvendo qual cor vai escolher pros azulejos do banheiro, né? Que merda deixar de comprar aquele vestido bafo porque precisa parcelar o IPVA. Eu te entendo, miga, você precisa de férias. Se pelo menos seu marido fosse rico, ou você rica de berço, se pelo menos você não precisasse aguentar seu chefe de merda, nesse trabalho de merda ou enfrentar todos os dias um transporte público de merda pra chegar no escritório – onde tudo também anda uma merda e coisa e tal, mas não. Bosta vem em combo. Nada está bom. Aquela secretária estúpida mandou todos os papéis errado e as cobranças parecem que vem em tiroteiro, de tudo quanto é lado: é a família que quer um novo bebê, é o chefe querendo mais resultados, é você mesma precisando ficar mais magra, proficiente no inglês, cheia de flexibilidade na yoga ou a puta que o pariu.

A gente tem vontade de comer um bolo inteiro, dois bolos inteiros, sozinha, vendo Netflix, nos próximos 3 meses. Não quer ter essa obrigatoriedade maldita social de sempre confraternizar com a família, ir em chá de bebê, participar de batizado, mutirão da solidariedade, festinha da academia. Eu sei que você também pensa assim. Tem dias que tem vontade vontade de sumir de si mesma, de dar uma pausa na rotina, de raspar a perna, cair na vida e criar uma personagem selvagem que vive cada dia como se fosse o único – e que se danem as crianças na escola, a roupa pra passar, a janta por fazer, o chão da cozinha literalmente cagado de cocô de cachorro, por inteiro, pra você limpar. Que se foda essa vida comum toda.

Eu sei que sua vontade secreta é de não ser você mesma, muitas vezes. De não ter feito essas escolhas que fez, de não estar nesse mundo que achou que seria ótimo, mas querida, aqui está a verdade sobre todas as vidas: num tá fácil pra ninguém não. E pra cada “rebosteio” temos também os sorrisos, os vinhos tintos, os finais de semana de sol, os passeios no parque, a comida caseira, fresquinha, nossa, tem coisa mais gostosa que um arroz recém feitinho? Num tem não.

E as primeiras palavras do seu filho, opiniões, conquistas, o cheiro de cama limpa, o reconhecimento mínimo por algo que você se esforçou por meses, o abraço sincero de quem a gente ama, aquela “brusinha” da promoção… A gente tem muitas coisas boas pra comemorar, mas a gente se foca nas que irritam, nas mini insatisfações, acontece.

E que esse texto te sirva de alívio para relembrar que se a gente tem um emprego normal, uma família normal e uma vida minimamente normal, vai se encher dela. E tudo bem, eu guardo o seu segredo comigo, fica tranquila. Também tenho essas vontades secretas que vem do nada…

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Amores bons e correspondidos dão medo.

Pra caramba.

Muito mais medo que amores complicados, truncados, cheios de traição e desconfiança, os amores tranquilos são assim, uma coisa assustadora. Tenho alguns amigos, muitos na verdade, que não sabem o que fazer quando algum romance dá certo. Tem medo das declarações, das demonstrações de carinho. De serem apresentados para os pais.

Não sabem lidar com o sentimento que se instaurou e, em alguns casos, fogem dele. Tem pessoas que simplesmente não sabem ser bem tratadas, cortejadas, elogiadas. Que correm ao primeiro sinal de afeição. Que ficam criando conjecturas mentais sobre quando isso, afinal, que está bom demais para ser verdade, vai afundar. Quando é que vai começar a dar ruim? Quando ele/ela vai aparecer com outra e tal? Ninguém é plenamente feliz no amor, o tempo todo. Isso não existe.

Os desiludidos ou os que nunca deram chance para as intempéries da vida, sempre terão certos problemas para amar.

Tem gente que nunca esteve bem no amor mesmo, acha esquisitíssimo quando está. E talvez, pelo pavor do compromisso, dos laços duradouros, nunca esteja, não sei. Amar é para os fortes. Afinal, algo que nunca se torna alguma coisa não dói quando vai embora. Não dói se um dia não está mais lá. Nunca foi mesmo, afinal. Então tudo bem.

O afastamento é o mecanismo de defesa dos amedrontados. O não assumir, o lance de ser aberto. Assim também ninguém fica magoado se vacilar, ninguém vai ser cobrado por nada, né? É. Só que não é. Envolver-se dói. No trabalho, na família, nos negócios e na vida a dois. Ainda se for só dois beijinhos e tchau, fica alguma coisa, vai alguma coisa, muda alguma coisa em menor ou maior grau, mas sempre, sempre muda. Só não se afeta quem já morreu, daí não dá mesmo pra tentar ser feliz embaixo da terra.
Nem sempre a vida é boa com a gente, é sabido. Mas enquanto ela der essa chance, se abra para o que vier. Se a felicidade passar, que seja marcante enquanto ficar. Com medo mesmo.
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Relacionamentos bons também tem brigas.

Odeio brigar com as pessoas. Por qualquer motivo que seja.

Odeio criar caso, discordar e odeio tanto, mas tanto isso, que evito emitir opiniões polêmicas mesmo quando elas dizem respeito a mim mesma – sobre o que eu sinto, sobre como eu sou ou sobre como determinada situação me faz sentir. Eu sei, é um erro. Precisamos sempre ser honestos acima de qualquer coisa e nunca – NUNQUINHA – passar por cima dos nossos próprios sentimentos. A vida, os amigos e grande parte dos e-mails que eu recebo aqui no Consultório Sentimental me ensinaram isso. Mas, ao mesmo tempo, sofro de uma submissão quase que inconsciente da qual preciso estar constantemente alerta para combater. Por mais que o outro seja importante, nada nesse mundinho é mais importante que eu mesma. E eu vou explicar porque vocês também deveriam pensar assim.

Eu sou uma pessoa que está sempre disposta. Mesmo. E se não estou, finjo bem estar. Ainda que eu reclame, ainda que eu faça cara feia, ainda que eu esteja doente, cansada, contrariada eu sempre – E DIGO SEMPRE MESMO – tento fazer a outra pessoa que está comigo feliz. Levo a sério o lance da alegria e da tristeza, da saúde e da doença, do mi casa, su casa. Mi divida, su divida, mi rolê, su rolê, e, assim, sempre segui nos muitos relacionamentos que tive nessa vida. Faz parte de mim, não consigo ser de outro jeito.

Não existe nada mais desagradável do que estar com uma pessoa que não topa absolutamente nada, que é antipática, anti social, corta vibes e coisa e tal, mas eu notei que 97% das pessoas que habitam a face da Terra são assim – e que o egoísmo é tão importante para o sucesso de um bom relacionamento quanto o altruísmo. Pois é, chocante, não?

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro, a canção estava certa. E ninguém consegue. Sabe, eu trabalho 7 dias por semana, quase que 12 horas por dia. Eu sou bem workaholic, tenho um senso de urgência, de solução, de responsabilidade que me dá prazer e me consome na mesma medida. Minha relação com o trabalho é altamente controversa, mas isso é assunto para outro post, enfim, vamos nos focar aqui.

Eu gosto de viver, gosto de gente, mas, às vezes, tudo o que eu queria era não ter que lidar com pessoas no final de semana, eu só queria ficar em casa, curtindo um edredon, vendo Netflix e comendo pizza. Não queria ir no job, na reunião com os ~ broders ~, não queria curtir balada, barzinho, nada disso. Eu só queria ter a obrigação de fazer as coisas por mim, única e exclusivamente por mim. E isso, ao mesmo tempo que parece óbvio, é inviável para uma pessoa que é altamente sociável e gosta de agradar aos outros como eu. Portanto, vejam bem essa contradição que habita em mim e esse problema: quem faz tudo por todo mundo sempre é cobrado por isso.

Eu PRECISO estar em Santos, com os amigos do trabalho, com a minha família, com a família do meu namorado, no rolê da academia e em qualquer outro evento social que surja pelo caminho. Sempre. E em todo o tempo livre que eu tiver. E em todos os finais de semana. Porque fui eu quem instaurei esse limite sem limite para as pessoas, eu mesma coloquei na cabeça que não tinha o direito de ficar ~ de boas ~ e sofro horrores com isso.

Ando cansadíssima, meio doente, e eu já disse que esse ano seria o meu ano, do qual eu faria coisas por mim – pela minha saúde, pela minha felicidade, mas na prática, até as coisas que arranjei para o meu próprio prazer e satisfação viraram obrigação. Sabe, é muito difícil agradar esse mundo de gente que eu tento agradar e ainda agradar a mim mesma – pra não dizer que é impossível.

Então, amiguinhos, por que estou escrevendo tudo isso? Porque apesar desse cenário psicológico descrito acima, eu tenho um namoro muito incrível. E pessoas muito maravilhosas e compreensíveis ao meu redor que, por mais louca que eu seja, sempre estarão lá por mim, tentando entender o que eu sinto. Em bons relacionamentos – de todo o tipo – também existem brigas. E faz parte. Se você, assim como eu, se culpa por todo o mal do mundo e acha que tudo está perdido porque deu uma gritadinha com o namorado, fica calma aí. As pessoas que estiverem dispostas vão entender seus surtos. Podem não gostar, podem discordar, podem não entender porque diabos você se sente assim, tão reprimida com um cenário que você mesmo se enfiou, mas enfim… Vão entender.

E tudo vai ficar bem no final das contas, tá? Eu prometo.

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Amor e Orgulho*

O orgulho e o amor próprio são coisas diferentes. E igualmente destrutivas quando ou ausentes ou em excesso em qualquer relacionamento.
Ama a si mesmo aquele que mesmo gostando verdadeiramente do outro, opta por não continuar um relacionamento nocivo. Aliás, ama tanto, que prefere guardar apenas a parte boa do que foi vivido, sem ocasionar ainda mais mágoas que àquelas que o coração foi capaz de absorver.

Tem paixão por si aquele que abre mão de ser violentado moralmente, intelectualmente ou, até mesmo, fisicamente. Tem autoestima aquele que não se deixa levar pelas revistas, pelos padrões e que possui personalidade forte o suficiente para separar crítica de ofensa, bom de ruim, e mais que isso: tem força para recomeçar. Isso não é, de longe, ser orgulhoso; é ser sensato. Orgulho é não admitir erros, não aceitar elogios. É ter aquela necessidade de estar sempre sob o controle de tudo, de não ceder aos pequenos e breves prazeres da vida por se julgar superior a isso. É não ligar, não explicar, não pedir, não sentir.

É orgulhoso aquele que não dá o primeiro passo, que não pede desculpas, não sabe o significado de uma nova chance. E o orgulhoso não se afeta com situações grandes, preocupantes, é tudo bem pequenininho, bem simples, coisa de birra mesmo.

O orgulhoso prefere ter razão que ser feliz.

Briga e dorme sem querer reatar, mesmo sabendo que aquilo dentro do peito vai corroer, vai minar o que há de bom. E, às vezes, até se dá conta disso, mas não sabe como se livrar. O orgulho é feio. É o disfarce da alma cansada, que já apanhou demais por aí e que agora não quer mais saber: vai se proteger de todas as formas para não correr o risco de ser feliz.
Viver dói, pessoal.
E é melhor que seja sem arrependimentos por nossas próprias atitudes.
*texto originalmente publicado no Blog Lumagga
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cada um pra um lado.

Soube esses dias que um casal de amigos que eu gostava demais se separou. Cada um foi pra um lado, conversaram o que fariam para não prejudicar a vida das crianças e foi isso aí, it’s over, the end. Fiquei surpresa e reflexiva depois de ouvir os relatos de ambas as partes, porque existem alguns parceiros no amor que, ao nosso ver,  são imaculados. Casais intocáveis. Aqueles dois que nasceram com o objetivo de fazer valer a máxima dos românticos de plantão como eu: de sempre manter viva a paixão maravilhosa dos primeiros meses.

Sei, porém, que a vida DE VERDADE a dois é bem menos fantasiosa do que se pinta por aí. Tem roupa espalhada e suja pela casa, louça pra lavar e mil contas no final do mês. A convivência pode estimular o relacionamento na mesma proporção que pode destruí-lo. E é muito difícil achar o equilíbrio e a maturidade para encarar que: 1) ou a coisa já não está mesmo boa e é preciso fazer algo pra resolver ou 2) não há nada que possa ser feito para remediar o irremediável.

E sem colocar traição no meio de nada, descobri que o maior impedimento para que duas pessoas sigam seu rumo tranquilas – e sozinhas – nessa louca vida de Jesus Cristinho são exatamente as outras pessoas. Sogro, sogra, tios, filhos e amigos chegados. As pessoas que mais nos impedem de ser genuinamente felizes são aquelas que não estão cientes das angústias de cada um dos envolvidos. Acho que disso, aliás, só sabemos nós mesmos. Os outros, que não fazem parte do relacionamento, desejam que os filhos, sobrinhos e amigos consigam recuperar algo que falta pra todo mundo: um pouquinho de esperança e amor em tempos tão amargos e duros. Uma segunda, terceira, quarta chance, porque é muito difícil admitir o fracasso. Ou compreender que não é que as coisas deram errado; só não estão mais dando certo.

Dedico esse post a esse meu casal de amigos que sabem quem são e a todos os demais casais recém separados, jovens ou não, que tomaram a corajosa e honesta decisão de tomar seu próprio rumo quando as coisas pararam de funcionar. Assim como pessoas nascem e morrem, são também nossos sentimentos – que se transformam e, às vezes, não são mais o que esperamos. Faz parte.

Que venham novos sabores, amores, esperanças. Desde que vocês estejam felizes, eu também estarei, sem hipocrisias, fofocas, meias palavras ou forçações de barra.

Que a vida venha mesmo e siga. E que seja boa.

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Amor X Medo

O amor é um sentimento que não convive bem com o medo. Não dá pra tentar prender o amor, ensinar o amor ou investigar o amor. Quando em cativeiro, o amor morre, aos pouquinhos, cansa. Para lidar com o amor é preciso lidar, antes de mais nada, com aquilo que se tem de mais feio dentro de si: o ciúme, a inveja, as dores que nunca foram completamente sanadas, os traumas e aquela série de coisas que deixamos de lado e fingimos não estar lá.

Um amor neurótico não suporta nem uma ida ao cinema. Vive desconfiado, ressabiado, encontrando coisas aqui ou ali para se encalhar.

Não dá para o amor reinar onde existe mágoa. É preciso deixar tudo pra trás, ou melhor, esquecer que um dia qualquer houve uma desavença, pisada de bola ou briga feia. E vão existir muitas brigas feias, muitas pisadas de bola, e  falhas “imperdoáveis” dentro de um grande amor. Se tem algo que é inerente ao aprendizado da vida a dois são as séries de erros cometidos a dois. Não tem jeito.

Aliás, para viver um grande amor é preciso parar de atribuir culpas. Porque o amor nunca é meu ou seu, é sempre nosso. E se está ruim, se machucou, falhou ou provocou dor, todo mundo está envolvido. E todo mundo tem sua responsabilidade quanto a isso.

Um grande amor não pode ficar buscando desculpas. Se acabou, você sente. Se está ruim, você sabe. Amores ruins não podem ser adiados, protelados, não podem ser empurrados com a barriga; como bombas relógio, explodem. E espalham estilhaços por todos os cantos.

Tenha a dignidade de terminar um grande, mas medroso amor. Ou ele mesmo dará um jeito de sugar você.

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Os 5 melhores livros para quem gosta de gente (e relacionamentos)

Sei que todo mundo que visita o blog espera ler algumas crônicas – ou textos relacionados ao que acontece no coração. É sabido, porém, que inspiração não dá em árvore, e que alimentar 30 dias de #BEDA unicamente com crônicas seria um desafio pra lá de brutal, vamos combinar.

Conversando com a Lec, resolvi fazer uma listinha com os 5 melhores títulos (e autores) que me inspiram e que eu procuro ler sempre quando falamos de relacionamentos. Não costumo consumir muitos livros com histórias longas ou cheias de personagens como essas que estão na moda (ALOOOO Game of Thrones) fico, na verdade, bastante entediada com esse tipo de escrita. Como já é esperado, tendo a gostar mais do estilo que eu acredito escrever melhor, as tais CRÔNICAS (sem gelo e sem fogo, por favor! Rs…)

Piadinhas à parte, achei que falar sobre cada um dos livros individualmente seria muito chato e todos são uma espécie de coletânea sobre diversas situações do amor, da vida, decepções, aspirações, enfim, um belíssimo aparato pra DEVORAR quando precisamos pensar sobre a vida.

Segue meu the best of:

#1 As verdades que ela não diz – Marcelo Rubens Paiva

#2 Um amor depois do outro – Ivan Martins


3# Fora de mim – Martha Medeiros

#4 Canalha! – Fabrício Carpinejar

#5 Não sei se vale como um número 5 porque não achei nada dela publicado ainda, mas TUDO o que a Ruth Manus (atualmente colunista do Estadão!) já escreveu! <3



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as grandes pequenas coisas do amor.

Procure um amor que esteja atento. Acima de tudo, ao que você diz. Que se não souber interpretar esse ou aquele sinal – um olhar cansado, uma carinha meio triste ou uma resposta atravessada – se preocupe com isso. E tente resolver.

Procure um amor que se interesse pelos seus assuntos, mesmo que eles sejam banais. Que você não fique em dúvida o tempo inteiro se está sendo ouvida, ou não, e que ele lembre daquilo que é importante pra você. Procure um amor que faça você se sentir relevante, porque nem sempre nos sentiremos especiais.

Procure um amor que te acompanhe. Que faça as coisas combinadas sem reclamar (muito). Que as faça por você. Mas também procure um amor que esteja disposto a argumentar, discutir, a se colocar e a te entender quando for a sua vez de fazer tudo isso. Procure um amor que busque sempre o consenso, a união, que não brigue, discuta. Um amor do qual você não tenha medo de falar. E que não deixe o silêncio resolver quando nada estiver resolvido.

Procure um amor que te ajude com as coisas do cotidiano. A pagar uma conta, fazer comida, lavar roupa. Um amor que sabe que essas tarefas não são divertidas, prazerosas ou obrigatórias para uma das partes. E que, se são feitas, são feitas por amor. Muito acima de qualquer imposição que a vida coloque.

Procure um amor de pequenos gestos, delicadezas, gentilezas, um amor que te deixa passar na frente, que te protege, que olha por você. Porque, no final das contas, são essas pequenas coisas do amor que te fazem não ser qualquer pessoa. Que fazem você sentir que está vivendo mesmo, de fato e direito, um grande amor.

A gente não precisa de muito.

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