da verdadeira motivação.

Olha só, as pessoas reclamam um bocado.

A vida de todo mundo parece estar uma desgraça generalizada. “Não me sinto motivado”  e “Não tenho uma carreira, tenho uma profissão”, são as críticas/frases mais constantemente encontradas em 10, de cada 15 e-mails que recebo (e que não têm relação direta com relacionamentos amorosos).

O que eu digo para todas essas pessoas e vou dizer agora, aqui, nesse breve post de blog é o seguinte: você é sua motivação. Não importa se você é gerente de uma multinacional, ou empacotador das Casas Bahia. O que você faz é parte de um universo de outras funções, e profissões, e personalidades, e tarefas, e realidades das quais você, mesmo sem conhecer, está inserido.

Não espere um aumento, não espere elogios, não espere um ambiente de trabalho mais acolhedor. Seja a mudança que você quer ser na sua vida, também no sentido prático da coisa. Faça sem questionar tanto. Inove sem temer tanto. Seja sempre mais generoso e cordial com as pessoas que uma determinada situação te forçar a ser. Quando a gente começa a fazer coisas positivas em relação à vida, isso com o tempo se torna automático. Se torna imperativo. Se torna fundamental para uma consciência tranquila.

E vou te falar outra coisinha: é fácil se destacar. É fácil fazer diferente. E você nem precisa de escola ou investimentos para isso.

ENGAJAMENTO é o que mais as empresas procuram, sem saber como procurar. É aquele cara que vai ser o melhor xerocopiador do bairro. Que vai fazer o balanço patrimonial mais bonito que você vai ver na vida. É o que gera, afinal, encantamento. E nos dá tudo o que precisamos em troca.

Achamos que só seremos felizes quando trabalharmos no Google. Quando vestirmos roupa social e estivermos ocupadíssimos, com agendas cheias de gente – e compromissos – tão entediantes quanto uma partida de críquete (desculpa se alguém gostar do esporte, acho chatíssimo).

Se o retorno de um bom trabalho for sempre mais trabalho, o retorno de uma atitude negativa é, sempre, a implicância. NENHUM cenário corporativo/social consegue suportar pessoas que o tempo inteiro estão insatisfeitas. E, sim, o mercado é uma bosta. A vida do trabalhador médio é sofrida pra cacete, mas né, minha gente? Estamos aí pra fazer diferente.

Se liberte da zica. Da uruca. Da coisa ruim.

Não alimente a treta.

Não há banho de sal grosso ou Naldecon Noite que livre um ser humano do ranso em relação à própria vida, do olho do furacão em que se enfiou. E não adianta por a culpa em Deus, nas circunstâncias, no trânsito astrológico de marte, vênus ou no ano de Iemanjá.

Tá pesadão lá no trampo, grande? Faz uma listinha, planeje-se. Coloca um funk melódico no fone de ouvido e tenta fazer diferente.

Depois me conta se ninguém ao seu redor reparou que você saiu daquele buraco de bad vibe em que estava e decidiu se movimentar pra melhor.

Duvido.

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quando só acreditar não adianta.

A conclusão que cheguei nessa vida é que existem dois tipos de pessoas: aquelas que acreditam que as coisas podem dar certo e aquelas que acham que esse lance de acreditar é a maior bulshitagem de comercial de margarina já visto por aí. Desse primeiro grupo, vejo ainda mais uma subdivisão: as que acreditam e fazem alguma coisa pra que a vida mude e aquelas que permanecem na inércia, esperando acontecer. Dessa segunda categoria, percebi que estar na inércia às vezes é involuntário. Nem sempre a gente percebe que quando aponta o dedo na cara do outro o problema, está, na verdade, dentro da gente. Que adoramos ressucitar fantasmas e chutar os cachorros mortos pelo nosso caminho. Que mantemos vivas em nossas vidas algumas coisas que deveríamos deixar pra lá – mesmo que corramos um risco enorme de, talvez, nos magoar novamente.

A arte do desapego e da autoconfiança é ainda mais complicada que a arte de acreditar: você  às vezes quer mudar de caminho, mas não percebe que esse movimento deve partir de você. Fica sondando o outro, questionando o outro, esperando do outro, quando, vamos lá, somos nós os senhores do nosso destino. Ninguém pode te fazer feliz se você continuar ancorado no mar. Se deixe navegar.

Acredito em Deus. Acredito que passamos por determinadas coisas para que cresçamos, sejamos melhores, para que aprendamos com a dor mesmo que não seja fácil. Mas acredito também que PRECISAMOS fazer tudo quanto for possível enquanto é possível. Precisamos fazer por merecer aquele emprego, estudar para aquela prova. Precisamos lutar por aqueles  que amamos no matter what. Precisamos nos esforçar pra superar nossas próprias barreiras o tempo todo; não deixar o ciúme dominar, o pessimismo, a discórdia, a desconfiança. Quanto mais ficamos presos a coisas e pessoas que nos fazem mal, mais mal atraímos pra vida da gente, como um verdadeiro vórtex de coisas ruins.

Sua vida tá ruim, cara? A de todo mundo tá. Seja pelo o amor que não deu, pelo dinheiro que não deu, por aquele sonho que não deu também… Mas ainda vai dar.

E mais importante que pensar no que se foi, no que aconteceu e feriu, no que deu errado e magoou é acreditar naquela parte de ar que ficou na outra metade do copo (pra mim, sempre cheio).

E ela quem vai te fazer respirar.

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sobre a internet e suas chatices.

Olha só, eu amo a internet. Passo horas lendo e produzindo conteúdo para os meus clientes, passo horas tentando entender melhor o que se passa na cabeça dos usuários – e como prever seus possíveis engajamentos e gostos – e  poderia ficar HORAS discutindo acerca do quanto a internet é maravilhosa (e dinâmica), se qualquer pessoa me questionasse sobre isso num ponto de ônibus, na fila do pão ou em um brainstorming na firma. Mas, olha só que coisa louca: estou profundamente de saco cheio da internet (e das pessoas que se acham profundamente conhecedoras sobre ela).

NÃO EXISTE, ao meu ver, profissional nenhum que saiba tudo. De nada, aliás. Se você se diz um mestre em ciências digitais, já está completamente fadado ao fracasso – visto que não se pode conhecer profundamente aquilo que é, e não é,  o tempo todo – ficou esquisito? Algo que muda tão rápido que não pode ser definido, ou analisado em sua totalidade, sei lá, absorvido por completo. O que hoje é hype, amanhã é brega (aliás, hype já se tornou uma palavra brega). O que era tendência semana passada, já passou, cansou, saturou. Já não se faz mais assim, já não é mais essa a fórmula para o sucesso. Aliás, o sucesso, gente, é extremamente relativo quando falamos de internet,de gente, quando falamos dos 8 bilhões de universos (para não dizer trilhões) que existem aqui dentro  da WWW – e a gente tem consciência de no MÁXIMO 10.

Acho ótima essa coisa de todo mundo ter acesso a tudo. Mas acho lástimável todo mundo achar que conhece de tudo. Porque não dá. Se fosse assim, dava pra ser meio médico, meio cientista político e chefe de cozinha nas horas vagas. Né? Num tem como não.

Veja bem, manjo NADA de métricas. Sei o básico. Sei aquilo que é preciso  para fazer uma estratégia simples, para analisar se o que eu faço está fazendo sentido para o público. Sou capaz de dar um retorno em relação ao investimento do cliente de forma superficial. E só. E tá tudo certo. Esse não é meu foco de vida, embora todo e qualquer  conhecimento não ocupe espaço, e sei que preciso profundamente dos caras que são mestres nesse setor. Isso não faz de mim uma profissional menor. Nem de ninguém melhor.

Ser comunicador é saber estar e fazer parte de um time, é ter um cara FERA em programação, outro em design, outro em análise profunda de dados, outro que saiba indexar sua marca maravilhosamente bem no Google, é COMPLEXO PRA DANAR. É humanamente impossível  tratar de Ciências Humanas em sua completude, por mais que todo o comunicador que se preze seja um profundo curioso em relação à tudo.

Nesse contexto, de forma bem resumida e nada teórica, ser blogueiro anda chato pra cacete.  É muito MI MI MI sobre as coisas. Muita gente ruim ganhando uma grana preta por um trabalho medíocre  – ou por um trabalho copiado, pior ainda. Muita empresa grande e confiável investindo nisso. Dá tristeza, dá pena, dá ranso de um setor que tem tudo pra ser magnífico, mas que acaba mal utilizado.

E é isso gente. Por isso não tenho blogado tanto como sempre, tanto como gostaria, tanto como deveria, talvez.

Enquanto eu observo a zueira que se tornou a internet – no sentido não bacana da coisa – continuo pensando em jeitos diferentes de reinventar quase tudo; e fazer as coisas de um modo mais original e interessante pra ver se a coisa engata, se as pessoas se inspiram, se a maré muda.

Por hora, melhor o silêncio. E os posts de desabafo que nos ajudam a recomeçar.

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(às vezes) é melhor não ter consciência.

Você até pode dizer que não, mas sabe que é verdade: todo mundo se importa com o que o outro pode pensar. Em menor ou maior nível, os julgamentos atrapalham a nossa vida de alguma forma e é impossível, no trabalho, na família, na rua, na chuva ou na fazenda, viver da forma como a gente quer sem pensar em absolutamente nada. É fato.

Mas mais importante que aquilo que os outros pensam sobre a gente é o que pensamos sobre nós mesmos. E aqueles momentos nos quais somos confrontados em relação às nossas atitudes pela consciência, entre ser feliz ou ter razão. Porque, convenhamos, às vezes ser feliz é fazer uma coisa que foge dos nossos princípios. Ser feliz exige que sejamos canalhas, egoístas. Ser feliz, às vezes, pede que esqueçamos as dores e as cicatrizes de um passado recente e nos joguemos puramente no desconhecido. Ser feliz às vezes pode parecer burro e inconsequente, mas ninguém quer ser infeliz. Ninguém quer saber que pode ter o melhor de alguma determinada situação ou fase e se ver impedido, por si próprio, a não seguir adiante.

Nossos conflitos internos são muitos. São bizarros. Acontecem o tempo todo. Não quero aqui incentivar ninguém a agir de forma maluca, nem a ferir outras pessoas em prol da mera satisfação pessoal, principalmente se ela for momentânea. Mas vale colocar em perspectiva o quão críticos somos em relação às nossas atitudes. O quão podemos flexibilizar nossa mente e coração para permitir – e por que não nos permitir às vezes? – a viver algo que parece imoral? Ilegal? Engordativo?

Uma das coisas mais incríveis dos seres humanos é a capacidade de conter instintos. E uma das coisas mais aprisionadoras, em contrapartida, é o nosso senso moral. De justiça. Nossa capacidade de nos limitar às inúmeras regras que sim, somos obrigados a seguir, para viver em harmonia com nós mesmos e com os demais membros da sociedade. Mas às vezes, só às vezes, fazer merda aduba a vida. E faz florescer coisas inimagináveis em terrenos inférteis.

Agir contra a consciência pode nos meter em muita confusão? Pode, claro. É preciso ter parcimônia e responsabilidade sobre tudo o que se faz. Só que a regra de que tudo em excesso faz mal, também se aplica nesse caso. A vida é implacável.

Mande aquela mensagem, fique com aquele cara. Supere essa perda, namore quem você ama. Perdoe. Perca a memória sobre algumas coisas, passe um pano nas boas lembranças, recorde, reviva, reaja.

Vai fazer bem.

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Por que você deve escrever um blog? (e ser feliz por não ganhar dinheiro com ele)

De uns tempos pra cá tenho recebido muitos textos. Muitos BONS textos. De gente de todo o lugar do país. Fico contente em ver tanta coisa bacana chegando na minha caixa de entrada e feliz, também, por pensar que talvez as pessoas acreditem que a minha opinião seja relevante em algum quesito. Além de vir por meio desse dizer que a minha opinião não vale absolutamente nada,  HE HE, gostaria de dizer que todas essas pessoas que desejam que seus textos sejam publicados em algum lugar, onde quer que seja, precisam, urgentemente, criar um blog.

Se você já tem o hábito de escrever constantemente, já sabe que essa é uma atitude terapêutica. Já sabe também que escrever te leva a pensar sobre outras coisas, te transporta para outras realidades, te faz sentir menos só. E ter um blog amplifica tudo isso. Você passa a ter sede por outros textos, conhece pessoas e abre uma imensidão de possibilidades quando cria uma porta entre a sua vida e a de pelo menos meio milhão de desconhecidos que acessam a interwebs todos os dias.

Eu não ganho um centavo com esse blog. Nunca ninguém teve interesse em patrocinar minhas palavras, porque, honestamente, elas não são rentáveis no sentido monetário da coisa (eu sei, essa frase ficou estranha). Elas são rentáveis no sentido emocional. E, em grande parte, unicamente para mim.

E se você acha que todo o blogueiro é popular e super conhecido, basta dar uma olhadinha aqui na barra de comentários para perceber que, não cara, tem gente que escreve simplesmente por escrever. Porque isso pode se tornar uma profissão surpreendente lá pra frente, ou pode não servir pra nada. Porque você vai estar se dedicando, despendendo um tempo danado pra deixar aquele seu espacinho atualizado, com a sua cara e… Talvez, ninguém leia.

Um blog te ensina que, na vida, é preciso aprender a lidar com as rejeições. Com os haters ou com o fato de que talvez, tudo o que você produz, só faça sentido para você. E não há nada de mal nisso.

Os blogs fazem parte de um nicho comercial, assim como muitos outros existentes dentro e fora da internet, mas não é apenas para ganhar dinheiro que um blog serve. Quantas coisas bacanas eu deixaria de descobrir se todo mundo que resolvesse ter uma humilde pagina www pensasse assim, não é? Quantos universos ficariam restritos a apenas a pessoa que os cria?

Se você escreve por prazer, tem um hobbie, ou algum talento, faça um blog. Crie um vlog. Inicie um fórum, uma página de Facebook. Mais importante do que aquilo que fazemos para os outros é o que fazemos por nós mesmos.

E já sabem. Com amor, tudo vale muito a pena.

=)

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dos conselhos alheios.


Nada me irrita mais do que gente que quer dar opinião sobre o relacionamento alheio. Nada.

Entendo que quando estamos tristes, precisamos desabafar, conversar com aqueles que confiamos e pedir um overview sobre nossas dores e desgraças pessoais, faz parte, mas até mesmo nesse hora (inclusive nessa hora), precisamos selecionar bem quem pode acrescentar – e ajudar de fato a chegarmos a uma conclusão – ou quem só quer ver onde é que a coisa vai chegar. Esse segundo tipinho, costuma destilar meia dúzia de abobrinhas, aumentando bem a altura da fogueira, as ansiedades do seu coração e óh,  em termos bem reais, acaba ca-gan-do o seu rolê.

Entendo, inclusive, que as pessoas não façam isso por mal. Elas amam você. Elas querem que você fique bem, fique feliz, saudável, que sua vida entre nos eixos. Só que tem coisas que a gente pode até achar sobre a vida do outro, mas não pode sair por aí julgando. Que me desculpem os santos e santas desse Brasil, mas aquele que nunca fez um CAGADONA com alguém que ama não merece nem se manifestar sobre a minha vida, honestly. E não, não vai ter o mínimo de sensibilidade para se colocar no meu lugar, no lugar do outro, pra analisar friamente seja lá que diabos o que alguém (ou você mesmo) fez.

Fica a dica.

Não é porque você foi louca e surtada por um motivo babaca que não seja uma pessoa legal. Não é porque cometeu um erro que nada mais pode dar certo. Eu e você podemos até já ter nos sentido assim alguns dias, algumas vezes, mas não é real. Por essas e outras que eu também nunca, JAMAIS, conto qualquer briga sinistra com o namorado ou amigas(os) pra minha família, ou pra quem já tem propensão a ser uma pessoa odiadora. Como eu fico depois que a poeira baixar? Quando eu racionalizar meus sentimentos e quiser manter meu relacionamento seja lá qual for? Como fazer quando, no íntimo, a gente sabe que quer ficar, que precisa dar outras 45 chances, que sejam, e já proferiu pelos quatro cantos desse planeta nosso ódio e rancor por quem talvez não merecesse tanto assim?

Num conflito eterno, né? Pois é, rapaz.

Quando escrevo aqui, falo sobre sim. Sobre o que eu já vivi, senti, sobre como eu penso que as coisas sejam. Não estou aqui para cagar regras, para dizer como você deve agir se foi traído, se foi enganado, se sofreu ou se foi quem fez as piores atrocidades com a pessoa que amava. Aliás, ninguém pode dizer nada, querido, depende de você. E do que você sente e já viveu. E da avaliação que você precisa fazer friamente sobre si, sobre o outro e sobre quem é quando está em um relacionamento.

Não existem culpados e inocentes. Não existe ação sem reação. Mas acho, de coração e peito aberto, que recomeços são bem vindos e que podem (muito mais que fins), serem providenciais ao longo da vida.

Pense sobre isso.

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gentes.

Não nasci para ser uma ilha.

Embora muitas pessoas afirmam conseguir viver tranquilamente livre do contato social, penso completamente o oposto: viver única e exclusivamente com as minhas próprias ideias, sem poder dividí-las com mais ninguém, seria devastador.

E assim construí minha vida, meus relacionamentos, minha carreira; com pessoas que muito e sempre me acrescentaram e despertaram em mim desafios e paixões das quais eu nem poderia prever que um dia aconteceriam.

Dos lugares, coisas, empregos e tudo mais que pude conhecer ao longo desses (quase) 28 anos de estrada, o que permaneceu foram as risadas. E os participantes ativos de tudo isso. Nunca fui boa com a lógica, razão ou matemática, mas não sei ser criativa sem dividir. Tenho problemas em interpretar papéis que não me cabem e até da roupa social eu fujo – as tais máscaras nunca me serviram muito bem. Não sei, inclusive, que diabos eu fiz com as minhas.

Sou do tipo sincero, livre, de risada fácil, cabeça solta. Se me cerceiam, fico amoada. Não reproduzo em cativeiro. Não sei, afinal, ser o que desejam. Gosto de pensar que cada um tem o direito de tirar suas próprias conclusões sobre tudo, o que também me inclui e, de certa forma, não me preocupa. Sempre tive poucos e bons amigos, muitos colegas e poucas inimizades espalhadas por aí. As que insistiram em se prender ao que não servia – de mim, nelas – ainda bem, estão longe.

E assim a vida segue.

Não vim para esse mundo, e disso tenho certeza, para desagregar. Vim para espalhar amor, bom humor e autenticidade. Para deixar pelo menos uma marquinha boa, uma coisa positiva, em quem estiver ao meu redor e quiser vivenciar isso.

E espero, que dentro do imenso universo de escolhas certas e erradas que a gente precisa tomar, que eu continue, sempre e sempre, tendo espaço.

Porque nada é mais triste que estar preso dentro de si mesmo.

 

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nos intervalos.

Houve um tempo em que eu queria fazer tudo. Estar em duas cidades ao mesmo tempo e praticar quantas atividades físicas/sociais minha falta de sono contemplasse. Me agoniava faltar em algum aniversário, não estar em um almoço de família ou não conseguir ver um filme, ler um livro, ou alguma coisa que me agregasse valor intelectual ou emocional. Havia, nessa época, uma urgência, um desespero por desfrutar cada coisa até secar; sem perceber que as coisas, para serem bem saboreadas, precisavam também de um tempero. De um respiro.

Me dei conta, em termos jornalistico-publicitários, que vivia o briefing dos meus momentos, nunca a obra completa, visto que era impossível abraçar o mundo. Impossível perceber as sutilezas, os sorrisos, as fofocas e as nuances de cada momento. Perdia a noiva bêbada no final do casamento. Não dançava a quadrilha bagunçada, cheia de gritos, onde ninguém é de ninguém. Estava, mas não era.

E hoje, olha só que coisa doida é a vida, só consigo estar em locais que realmente me importam e tolerar situações que muito me acrescentam – porque aos poucos se percebe também que cada prazer tem seus amargores.

Viver nos intervalos, penso hoje, talvez seja mais importante que estar na ópera. É no backstage que estamos vulneráveis, sem máscaras ou fantasias, que nos despimos dos nossos personagens e temos aqueles cinco minutos de contemplação no qual pensamos: cara, que bom é estar aqui. Que deliciosa são essas pessoas, essa comida, quão feliz me faz essa música. E por aí vai.

Aprecie o tempo entre um relacionamento e outro, entre um prato e outro, entre uma viagem e outra. Não é só nos momentos principais que se vive. Aliás, talvez vivamos mais como coadjuvantes que como personagens principais.

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confesso que me excedi.

Confesso que nesse final de semana eu caguei. Errei rude. Pisei na jaca. Perdi a linha.

Me excedi nas palavras, nos gritos, falei o que nem queria dizer. De vez em quando dou dessas mesmo, pago de louca. Viro 100% emocional e atropelo quem estiver na minha frente como um caminhão. Não sei muito bem porque isso acontece, mas desconfio que tenha uma relação direta com aquele sem número de coisas que engolimos para evitar conflito. E com a TPM, lógico.  Tem a ver com aquelas coisinhas pequenas, irrelevantes, 100% superáveis, que, num minuto de surto psicótico, parecem um problemão.

Eu odeio brigar. Odeio discutir. Odeio sentar, ter aquela conversa desconfortável sobre os meus, os seus erros, os erros da humanidade, os caminhos do nosso relacionamento, etc, etc. Acho um saco, um porre, coisa de gente que perde mais tempo falando que amando, mas óh, faz parte. Conversar é preciso, dormir brigado é uma porcaria.

Só tem um problema nisso tudo: sou catastrófica. Acho que o amor vai acabar, que meu relacionamento está fadado ao fracasso, que eu fiz uma merda, assim, irreversível. Me sinto péssima, me culpo, faço aquela auto-análise e me dou conta que sou maluca mesmo, inadequada para a sociedade, para o convívio entre os demais seres vivos, olha, fico na madruga bo-la-do-na, é complicado.

Aí, nessas horas em que a gente precisa de uns tapas na cara pra recolocar a vida nos eixos, apelo para as amizades femininas. Aquelas que não falham nunca. Que vão ouvir sem julgamentos você dizer que exagerou e que, quando caiu novamente em si, já estava pulando na jugular alheia com as pupilas pra fora, salivando que nem cachorro raivoso. É.

Essas pessoas vão te entender porque já fizeram igual. Uma, duas, 150 vezes. E você se sentirá acolhida por esse grupo de psicopatas, sentirá que amar também é um pouco ter medo. Se sentir insegura. Se questionar. E que no dia que você tiver todas as certezas sobre si e sobre o outro talvez essas certezas sejam ruins. Sejam algo que você não queira encarar. Ainda bem, graças a ALÁ, que não tenho certeza de nada.

Esse texto, portanto, é pra agradecer. E pra dizer que se você também deu uma pirada na batata nesses últimos meses, fica bem, fica em paz, força na peruca que vai dar tudo certo. E a vida vai se encarregar de mostrar que uma sacudida (de vez em quando, ok?) vem para colocar algumas coisas no lugar que lhes são devidas.

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Ousadia.*

E daí se você conheceu o sujeito ontem no bar? E se você ligar? E se você não ligar? Será mesmo que vale a pena se envolver? Por que não valeria, aliás?

É bom viver com urgência. Se jogando nos projetos malucos, dando uma chance para o que não se pode, afinal, controlar. Não dá pra saber o que se passa na cabeça do outro, portanto, não há caminho certo. Não existe plano perfeito, estratégia que seja 100% eficaz. É simples.

Sempre existirão, pelo menos, duas opções – e mais outras tantas entre o sim e o não. Por que, então, insistir em controlar os efeitos daquilo que fazemos? Veja bem, não estou defendendo a impulsividade e a inconsequência, mas por que não dizer um “eu topo”? Porque não assumir? Porque não correr atrás? Por que essa blindagem toda, esse medo de perder, de colocar os pés pelas mãos?
Não temos como saber, afinal, se o nosso errado daria certo.

Se o nosso certo acaba meio errado no final. Não dá.

Aquele sujeito que deixamos de encontrar, o amigo que não demos uma chance, a palavra que não foi dita – nada, nada disso – volta. E se queremos tanto que algumas coisas, pessoas, momentos e afins se eternizem, ou, pelo menos, fiquem só mais 5 minutinhos, por que não tentar? Por que não saborear as coisas e seus efeitos, digeri-las, superá-las e correr o risco de sermos mais felizes que infelizes? Não entendo, aliás, porque sempre nos protegemos de uma possível infelicidade. Podemos ser, também, muito contentes em nossas escolhas, sabia?

Mesmo que elas sejam malucas, ousadas, fora do padrão, exóticas (mas muito melhores que aquilo que tentamos planejar e controlar).
Não temos controle. Nenhum ou muito, muito pouco.

E se é assim, que, pelo menos, a gente peque por tentar.

 

*Texto originalmente publicado e produzido por mim para o Lumagga.

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