conselhos.

…perguntei, então, sobre uma série de coisas que gostaria de saber. Sobre amor, sobre filhos, sobre sexo antes, durante e depois do casamento. Ela parecia se divertir enquanto respondia aquelas questões, acho que não imaginava conversar assim comigo um dia. Lembro de ter perguntado, no final de tudo, se ela havia sido feliz durante os tantos anos de vida e ela disse que isso era muito difícil de responder. Falou sobre só sabermos sentir por completo a tristeza. Falou que a alegria é algo que vivemos tão intensamente que não paramos pra pensar sobre ela ou para mensurar quando, como e porque estamos sendo felizes. Ser feliz não é algo notável, sabemos quando estamos infelizes. Entendi daí que não valorizamos as coisas positivas, notamos a ausência delas. Incrível como foi bom enxergar aqueles olhinhos de jabuticaba, sentir o cheiro, passar mais um tempo com ela. Tempo que eu acharia curto para a vida toda se ela ainda estivesse comigo. Quando ia perguntar sobre o que ela achava do meu futuro, acordei com uma frenada brusca e um sacolejão do micro-ônibus-metido-a-cabrito. Escrevi algumas coisas desconexas pra não esquecer desse sonho louco no meu caderno de desenhos e me dei conta que ainda havia muitas respostas que eu gostaria de ter, mas que talvez nunca mais tenha a oportunidade de perguntar.

Minha avó era, definitivamente, uma mulher sábia.

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2 Comentários

  1. Adorei! Mais um post sensacional com esse teu jeito todo próprio de escrever! Escreve uma cronica um dia 🙂

    beijooo ericka!

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