Trabalhar para viver, viver para trabalhar.

Esse blog surgiu quando eu ainda escrevia tudo em folhas de papel almaço. Quando a internet ainda era terra de poucos aventureiros e quando quase não havia espaço pra que as pessoas falassem sobre aquilo que pensavam. Aqui eu falava sobre sentimentos, relacionamentos, decepções amorosas e mais uma série de percepções que eu tinha sobre o que achava que a vida adulta (ou a vida que eu vivia naquele momento) seria. Meus escritores favoritos, eram, em sua maioria, cronistas. Eu lia muito. Eu tinha um tempo incrível para dormir e aprender o que eu tivesse vontade. E embora eu amasse escrever desde aquele tempo, nem de longe imaginei que escrever seria uma parte fundamental – e talvez um pouco mecânica – da minha profissão hoje em dia. É aquela coisa: trabalhe com o que ame e…Você terá que se reinventar todos os dias porque até mesmo naquilo que amamos é complicado ser sempre genial.

De uns tempos para cá, abandonei bastante o blog. Pedi para a minha amiga/vizinha/parceira de todas as horas (que sempre dá um jeito em tudo) dar um talento no layout daqui, pra ver se as ideias fluiriam melhor com um visual mais “clean”, mas eu sempre voltava com a velha desculpa da falta de tempo. Dizem que a gente só não tem tempo para aquilo que não se esforça para colocar na agenda, não é mesmo? Fazemos tanta coisa por obrigação e encontramos espaço para tal…

Eu trabalho muito, eu acho. Faz parte da carreira que escolhi, parte da vida que acabei por levar. E priorizo as horas do meu dia para o trabalho. Me cobro sobre não ter mais ideias para postagens reflexivas e poéticas que sempre fluíram como rio por aqui, mas é muito interessante como cada fase da vida da gente tem seus por quês. Quando eu era novinha, achava que sabia de todas as coisas sobre o amor, hoje acho que não sei nada sobre absolutamente nada. Tenho minhas opiniões, mas elas mudam tão ferozmente (e o tempo todo) que chegar a uma conclusão sobre casamento, filhos, relações familiares ou divórcio se tornou algo muito difícil; cada caso é um caso e acho que a melhor certeza que podemos ter é não ter certeza nenhuma.

Com o tempo as pessoas também deixam de compartilhar seus problemas. Os adultos parecem não poder demonstrar suas fragilidades e embora estejam a todo o tempo publicando sobre suas vidas nas redes sociais, têm uma dificuldade imensa para viver suas dores, compartilhar suas felicidades e questionar um outro adulto responsável: cara minha vida tá uma merda, será que ser gente grande é isso tudo mesmo? Com você também é assim? E daí, sem me identificar com os problemas do outro, ou sequer saber deles, fica muito mais difícil encontrar o espaço que aperta o calo de todo mundo, aquilo que é comum, que a gente acaba vivendo vez ou outra e poderia muito bem tentar resolver.

Preferimos guardar. Preferimos calar. E, dessa forma, por aqui tudo ficou meio calado também – porque ao contrário do que se imagina, escrever é mais uma sobre trocas que individualidades. Para escrever, é preciso sentir dentro do que se observa e não só observar e criar conjunturas sem continuidade.

Hoje, deu um tempinho aqui antes do almoço e eu resolvi voltar a treinar a arte de começar a escrever sem um objetivo propriamente dito, apenas naquela velha torrente de pensamentos sobre todas as coisas e sobre nada, em simultâneo. Taí. E pelo que parece, vou tentar encaixar esse hábito novamente na agenda e passar também a compartilhar mais meus pensamentos por aí. Vai que resolve?

 

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