o tal do único e maior amor do mundo.

Eu costumava achar que tínhamos um único grande amor na vida. E chamava de grandes amores aqueles avassaladores, exagerados, cheios de problemas, ciúmes, descontroles e desaforos. Buscava sentir aquela angústia misturada com ânsia novamente, aquela agonia, uma coisa de tirar o fôlego, desnortear, bagunçar tudo, acabar com a gente.

Mas sabe, há alguns anos entendi que grandes amores não são assim. Também não acho que eles precisam ser pra sempre, aquela coisa da morte separar, da igreja casar, acho que o amor se transforma a todo o momento e também transforma quem somos. Eu descobri que amar é uma opção e não exatamente uma condição de sentir algo. E que amar também é uma construção de histórias e fatos que vivemos com alguém.

Hoje você não é quem foi um dia, quem foi naquele tempo, daquele outro amor ou do anterior àquele – você nunca sai de nenhum tipo de relacionamento sem se transformar de alguma forma. Assim sendo, amor(es) grandes, mais de um, são perfeitamente explicáveis – se você não é mais o mesmo, o que te leva a acreditar que vai sentir todas as coisas da mesma forma? Não vai. E que bom.

Eu entendo que vivemos de comparações. Entendo também que quando estamos feridos, magoados e nos recuperando do nosso último grande amor da vida tendemos a achar que aquele foi o melhor, ou a relembrar todos os anteriores que tinham muito potencial. Mas o fato é que a gente cagou de alguma forma, que burras nós éramos. Mas vocês sabem que ressentimento e dor de coração partido passam, né? Sempre. Então tá.

Você vai amar de novo, vai ser bom, maior, muito mais incrível. Pode não ser da primeira vez, talvez nem das cinco seguintes, mas em um ano podemos mudar a cor do cabelo, nosso tipo físico, alimentação, cidade, emprego e nosso grande amor eterno e verdadeiro também, ué. Acontece. E o tempo todo. E se não for na semana que vem, que enquanto isso, nos preparemos para ele.

Enquanto houver disposição, existem amores possíveis.

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1 comentário

  1. Que bom que você voltou… Estava com saudades dos seus textos inspiradores e reais! Mil beijos!

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