Tanto que parece pouco.

Fazia tempos que eu não vinha até o blog escrever um texto sério. Tanto tempo que a vida logo se tratou de dar aquela bela reviravolta e me mostrar algumas coisas importantes e simples sobre ela, porque, né? Esquecemos dessas tais coisas importantes e simples e só nos focamos nas megalomaníacas e exorbitantes. E eu sei que com você também é assim.

“Quem tem pouco quer ter muito, quem tem muito já percebe que do muito não tem nada” – já diria, sim, Alexandre Pires. E é a partir dessa belíssima citação musical que vou iniciar nossa conversa.

Antes que a sua vida te dê um paranauê e te relembre daquilo que nunca deve ser esquecido, vou te fazer esse favor. E parar com essa agonia que você sente com o tédio, com a rotina, com a medianidade da vida média. Porque, bixo, sua vida média é ótima. Espetacular. Muito melhor que a de muita gente por aí.

E aliás, a primeira lição que você tem que tirar desse texto é: não importa a vida dessa gente por aí. Faça por você, pra você, viva de acordo com os seus próprios sonhos.

Deixe dessa coisa de ser infeliz porque não tem um Mac Book Pro. Porque não vai ficar 6 meses fazendo intercâmbio em Barcelona. Porque ainda não casou e teve 3 filhos.

Páre de graça.

Quando temos amor (de qualquer forma), casa, comida, roupa lavada, saúde e um dinheirinho no bolso pra chamar de nosso achamos que não é só isso. Chegamos em um momento da vida que àquilo que nos mantém, estáveis e confortáveis, também nos mata. Nos oprime, sufoca, nos tira dos eixos e nos faz olhar pro que não se têm. Pro que nem sabemos o que é que é necessário pra que tudo fique bem, preenchido.

É o sossego que nos incomoda – gostamos de estar desassossegados, mas com um certo controle de todas as coisas. Gostamos da euforia de coisas novas e motivadoras, do que não há, ainda, em nossas vidas.

Daí, quando tudo já existe, cansa.

Temos que parar, agora mesmo, com isso. Controlar esse ímpeto que é natural de todo mundo.

E ser feliz com o muito pouco que se tem. Porque sempre vamos achar que ainda falta mesmo quando transborda.

 

“A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou – eu não aceito.
Não agüento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas.”

Manoel de Barros

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1 comentário

  1. Ericka, simplesmente amei esse texto. Escrevo muito textos, adoro ler os de outras pessoas e é engraçado como os pensamentos se conectam, eu iria escrever sobre algo bem parecido com o seu post.
    Bom, você deve estar pensando “como ela chegou até o meu blog?” e eu lhe respondo: GRUPO ROTAROOTS! Na postagem do BEDA, comentei sobre uma menina que reclama não ter comentário algum e você curtiu, então estou aqui retribuindo o pensamento em comum :))
    Um beijo, voltarei mais vezes aqui!

    Bia,
    Blog Since85

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