amores em trânsito.

Quando o coração está livre – e a cabeça longe da vida real – os olhos encontram alguém em qualquer lugar em que passamos mais de 10 minutos. Todos os dias era assim: ele se apaixonava por uma pessoa diferente ao entrar no ônibus, como se buscasse se reconhecer. A ruiva, a tatuada, a estudante de medicina; cada viagem permitia novos amores, assuntos e aproximações – para nunca mais serem revividos.

Os amores transitórios costumavam ir e vir tal qual a capacidade de sonhar, e aconteciam com uma intensidade avassaladora de dar gosto à rotina. Quantos não foram os planos feitos de instantâneo, as histórias, palavras e universos inteiros que ficaram ali, na mente, ao sentir um perfume ou ao ler a capa interessante de um livro? Quantas não foram as possibilidades para ser feliz, ter filhos, cachorro, família, casa de praia, viagem para o exterior, por que não? Quantos não seriam os romances bem sucedidos para contar, para testar, e para durar mais que a parada no próximo ponto?

Muitos, infinitos. Tantos quanto fosse possível idealizar.

Uma pena que quase nunca é possível descobrir se a recíproca dos amores urbanos pode ser verdadeira.

São Paulo anda muito, muito depressa.

E o nosso coração, devagar. Infelizmente.

Você também pode ler

2 Comentários

  1. Oi Syl!!! Obrigada pelo carinho, viu?? Tô indo lá no seu blog agora mesmo comentar!

    Seja sempre bem vinda! =D

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *