muito louco.

Imagina que louco seria ter um caso com a própria mulher. Combinar encontros às escondidas, não leva-la nos almoços de família e ter um tempo livre, durante a semana mesmo, para uma cervejinha com os amigos sem a menor preocupação em ter que voltar pra casa.

Imagina que louco seria se você adorasse ir para o trabalho. Se todos os dias acordasse disposto, sem gripe, sem cansaço e cheio de vontade de encarar aquele cliente insuportável ou aquela planilha infinita e bem metódica que você está adiando há meses para fazer.

Imagina como não seria louco poder viajar quando quisesse, sem dar a menor satisfação. Ou ter o amor correspondido por aquela pessoa que você pensa estar apaixonada, ou ser dono de um cartão de crédito sem limite (e sem fatura pra pagar). Seria mesmo muito louco.

Imagina que louco seria se o bacon emagrecesse. Se os doces da padoca, cheios de creme, fizessem bem pros dentes. Seria incrível, muito, muito louco mesmo. Teriam que proibir a gente do que, afinal? De comer alface? Louquissimo.

Seria loucura ter uma vida fácil, simples, cheia de certezas. Estaríamos todos tão felizes e sem razão para prosseguir que, certamente, enlouqueceríamos. Ainda que uma ou outra dessas coisas se torne realidade, ainda que nossos desejos mais urgentes se realizassem, encontraríamos, em outras esferas, insatisfação. No cabelo que cai, no dia que amanhece.

E em todas as coisas simples que PRECISAMOS complicar.

Louco mesmo seria, não querer mudar absolutamente nada, nem um pouquinho.

Seria incrível.

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