amizade ao contrário.

Tem pessoas que conhecemos desde sempre. Da escola, dos anos frequentando os mesmíssimos lugares, das viagens, memórias e de tudo aquilo que um dia fomos, mas que já não somos mais. Pessoas que foram embora e nos deixaram um buraco enorme. Que mesmo com a distância, com as diferenças e com tantas coisas que mudaram – por lá e por aqui – ainda nos pegamos pensando naquilo que vivemos juntos e em alguns momentos que fazem falta, é claro. Mas que já não têm mais tanto sentido assim.

Temos saudades daquilo que um dia fomos, do que um dia gostávamos e daquele universo de coisas que compartilhávamos. E mesmo com tantas coisas boas para recordar, não sabemos quando foi que nos tornamos íntimos de alguém tão distinto, tão avesso as nossas poucas certezas e verdades, tão ao contrário de tudo que acreditamos. Hoje parece impossível manter um diálogo cordial e aceitar essa ou aquela diferença ideológica, religiosa ou moral, hoje, simplesmente, não conseguimos aceitar as coisas tão facilmente.

Não sei se é assim com todo mundo, não sei se falta um esforço da minha parte de tentar retomar os relacionamentos de onde eles pararam. Só sei que o problema, nesse caso, não é aprender a aceitar o diferente: mas a aceitar o inaceitável. Aquelas coisas que fazemos por amor. E só. Porque nada mais é capaz de justificar.

Achei que não era possível ter ex-amigos, mas é, viu? E não porque houve desentendimento, mágoa, brigas ou rancor, mas simplesmente porque não existe mais sintonia. Não existe mais conexão. Não há mais nada que faça com que aquelas pessoas queiram estar sorrindo umas para as outras e aguentando a falta cabal de assunto.

É isso, simples, triste assim.

E eu ainda estou tentando aceitar…

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2 Comentários

  1. Cara, aconteceu comigo esses tempos. Amiga daquela pessoa há anos, tipo irmãs.. mas cada qual seguiu sua vida de formas diferentes.. Pra mim ela não mudou nada, talvez eu tenha mudado muito, porque hoje descordo da maioria de suas atitudes, os assuntos não colam, e ficamos na mesa de um bar em meio ao vazio. Acho que ela percebeu o quanto eu mudei, amadureci em alguns aspectos da vida mais cedo que ela, mas vejo que aos trancos e barrancos ela anda aprendendo, e talvez agnt volte a jogar conversa fora por nada, mas por enquanto a amizade se mantém no “vc ta bem? me liga qualquer coisa, se precisar to aqui”, e dai as coisas vão acontecendo, mas acho eu que quando o a amizade é grande o amor resiste, e o abraço continua o mesmo depois das diferenças.

  2. Sei exatamente do que você está falando …
    Não existe um motivo concreto para o fim de alguns relacionamentos, eles simplesmente se vão, nós só percebemos depois que já aconteceu, e se alguém nos pergunta, nós nem sabemos como responder.
    Eu odeio muito isso na vida. Essa parte em que pessoas partem ainda em vida.
    Me deixa muito triste de verdade. A solução é aproveitar cada momento, cada situação, e tentar manter as pessoas por perto o máximo possível.

    Amo seus textos.
    Beijo!

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