1+1 = 0

Insistem na busca pela alma gêmea. Na ideia de que um dia encontraremos uma pessoa que nos completará e nos fará ser melhores que somos. Insistem também no papo de que quando amamos muito alguém mudamos to-das-as-nos-sas, atitudes sem nos importar com quem estamos nos tornando. Acho que essa, de todas as afirmações relacionadas ao amor, é a que mais me incomoda; ninguém muda sem cobrar nada em contrapartida. E mais que isso: ninguém muda instantaneamente.

Todo mundo possui uma referência sentimental, aquele casal de amigos incrível que se dá bem há anos e se trata com muito amor, respeito e carinho. Esse é o tipo de relacionamento onde 1 + 1 = 2. Onde há uma junção de personalidades, gostos, onde um se diverte com aquilo que vê no outro e procura tratar as diferenças – que obviamente existem aos montes – com muito diálogo e compreensão. Essas pessoas não são iguais e também não se completam. Gente que sabe lidar com o que existe de diferente no outro não nasceu pela metade, já é inteira.

Há também aquele outro tipo de casal que quer tanto fazer com que o relacionamento funcione que teima em  aceitar todas coisas – e se conformar com a não satisfação de quase 100% das suas expectativas. Esse casal foge da lógica, ignora as teorias matemáticas e, nesse caso, 1+ 1 = 0. As forças se anulam. Ao invés de um trazer para o outro o melhor de si, e somar para construir, esse casal é morno. É triste. E parece que está fadado a um relacionamento sem sabor quando cada uma das partes é completamente responsável pelas próprias escolhas.

Casais que se anulam tem problemas de auto-estima. Acham que não vão encontrar por aí alguém que os aguente, que os trate bem e que queira viver algo que vá além da mera sucessão de dias e de encontros clichê.

Namorar não é obrigação. Não é fardo. E também não é o padrão de relacionamento que funciona melhor para todo mundo.

Um rolo, um caso sem compromisso, um peguete sério, não importa. Quando ambas as partes se dispõem a transformar àquilo que existe nos tornanamos pessoas muito melhores.

Nem que seja para não repetir os mesmos erros quando encontrarmos um outro amor.

Você também pode ler

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *