as coisas idiotas do (não) amor.

Todo o relacionamento tem suas tolices. Estar apaixonado envolve uma série de ações que, via de regra, achamos detestáveis nos outros casais quando estamos solteiros, não tem jeito; gostar de alguém é perder um pouquinho da razão.

Ao mesmo tempo, as palavras, quando ditas, ficam registradas. Frases como “só sou feliz quando estou com você” ou “com você me sinto completo” beiram a ignorância. Isso não é amor, é romantismo barato (e clichê também).

Quem lê o Hipervitaminose já está cansado de saber: se você precisa de alguém para se sentir completo, procure um terapeuta, não um namorado. Nós já somos pessoas completas, singulares, peculiares. Amamos alguém porque isso nos faz bem, nos deixa satisfeitos, e não porque precisamos de uma pessoa que nos preencha de alguma maneira. Não porque sem o namorado não-há-ra-zão-pra-vi-ver. Como assim não há razão, gente? Claro que é. Aliás, razão é o que você tinha antes de embarcar nessa onda de declarações pré moldadas que faziam sentido só para o William Shakespeare (e olhe lá.)

A razão de viver está em si mesmo, na sucessão dos dias, em fazer coisas que nos permitam ser felizes juntos ou acompanhados de uma pessoa especial. Se por acaso você vier a terminar, por exemplo, é óbvio que vai doer, que vai ser terrível, na verdade, mas as razões para se continuar vivo continuarão lá, latentes, vamos parar com essa palhaçada.

Acho que as demonstrações de afeto sinceras e diárias são muito mais importantes que a publicização exacerbada de sentimentos que, se você pensar bem, não existem. Quem precisa dizer demais é porque bem no raso, ama de menos. Quem gosta de alguém não precisa ficar o tempo inteiro reforçando isso via Facebook, postando foto de beijinho no mural, escrevendo faixa pra colocar na porta da pessoa amada e coisa e tal. Basta uma mensagem de bom dia, basta se preocupar com o trabalho do outro, lembrar de eventos importantes, comprar um chocolate ou uma balinha porque sabe que o namorado/namorada a-do-ra. Nada muito chocante, nada muito pra que os outros vejam, nada muito vexatório. Quem ama de verdade perde um tempinho do dia, todos os dias, pensando naquela pessoa em silêncio, sabendo que ela está pensando em você também, do outro lado da cidade, dentro da rotina excruciante dos dias e respira aliviado por saber que, nas horas de descanso, vai ter onde se aconchegar.

Sejamos simples, sutis. Você gritar aos quatro ventos o quanto o seu amor é imenso não vai fazer ele existir de verdade.

Melhor, sentir.

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4 Comentários

  1. Dei um google aqui pra ver se achava a citação com as palavras certinhas, mas não achei, depois procuro melhor, mas tem uma frase do Shakespeare que diz mais ou menos assim: se você consegue saciar o seu coração com palavras, é porque aquilo está dentro dele já está morto.
    Menos cinismo e mais amor, por favor! <3

  2. Vejo q tem muita “glamourização” em torno do amor, essa história de achar q o outro só se contenta se vc escrever na testa “eu te amo”. Realmente, é td oq vc disse: amar não é isso.
    Adorei o post, vamos ver se dá uma sacodida nesse povo! 😉
    Bjo!

  3. Bia e Mi, obrigada pelo apoioo!! E Shakespeare disse isso? Olha aí! E eu acusando o cara de ser piegas! HAUHAUHAUHAUHAUHAU…

    =D

  4. Então Ericka, depende qual texto do Shakespeare vc ler! Romeu e Julieta é o mais piegas de todos né (apesar de eu achar lindo de morrer! rs), mas tem outros livros que tem amores mais legais!
    Sou preguiçosa pra comentar, e veja só, hoje que fui lembrar que tinha comentado aqui e vim ver se mais alguém tinha falado, mas tô sempre aqui acompanhando seus textos, adoro 🙂
    Beijos!

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