plano b.

Sempre tive um plano B no quesito relacionamentos. Entre as coisas darem ou não certo, pasmem, eu era pessimista o suficiente para ficar com a segunda opção. Apesar de viver tudo aquilo que se apresentava, não descartava a possibilidade do fim – e como eu sobreviveria caso isso acontecesse. Me planejava, me precavia. E percebia nos mais sutis detalhes quando alguma parte desandava para já me adiantar e não sofrer, como se isso fosse mesmo possível.

Há quem prefira se enganar, mas a verdade é que nunca gostei da solidão. Nunca tive paciência para domingos vendo TV e finais de semana sem companhia. Nunca gostei de viver avulsa. Pulava de um romance para um caso, da amizade para um lance, qualquer que fosse, só para ter emoção. Vivia exausta, construindo vínculos sem qualidade, conhecendo pessoas que não iriam me acrescentar nada. Perdia tempo. Ganhava dessabores. Não aprendia.

Lendo o blog da Fê, lembrei de um ensinamento que obtive à duras penas, numa fase semelhante a dela: só é possível construir relacionamentos de qualidade quando aprendemos a ficar sós. Há sim um certo conforto na individualidade. Há valor no egoísmo. E sem nos compreender não há possibilidade de viver com alguém. Se não tivemos uma identidade dentro do relacionamento nos tornamos, sempre, um pouco do que o outro quer que sejamos até não sabermos mais como tudo começou. Não dá pra ficar durante o resto da vida tentando agradar uma outra pessoa. É preciso, antes de mais nada, estarmos satisfeitos.

Que não seja o pavor de ficarmos sós, o tempo, a inércia, a família ou a sociedade que imponham que as pessoas fiquem juntas, que seja apenas pelo desejo de fazer dar certo.  Continuo com um medo terrível do fim, acho que faz parte. Mas parei de traçar planos que me levam a acreditar que as coisas não são mesmo fadadas a ser eternas.

O pra sempre a gente é quem faz.

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3 Comentários

  1. Ai Ericka, ontem mesmo estava pensando nisso, nessa minha solidão sem fim e no quanto aprendi nesse tempo de me, myself and I. O ruim é q, qndo a gente fica um tempão sozinha, vira cri-cri, tudo no outro é motivo de se pensar “melhor sozinha”. E nisso, fui ficando cada dia mais chata e exigente! hahahaha
    Bjo!

  2. Engraçado como o tema se desdobra… lendo o seu post uma frase foi bombástica pra mim: “Há valor no egoísmo.”. É tão difícil enxergar, e pior ainda assumir isso. Ter direito de querer sua vida só para você sem ter que se justificar, poder ter esse tempo egoísta para se equilibrar, se definir, repensar. Sem culpa.

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