desamarração.

Há duas perguntas que recebo com tanta frequência no Consultório Sentimental que fica impossível não comentar sobre elas de forma genérica. A primeira, mais complexa, é qual a fórmula correta para se esquecer um grande amor e a segunda, que mais me preocupa, é como encontrar um.

Gostaria de entregar de bandeja a todas vocês uma mandinga para a DESAMARRAÇÃO  do amor, para mandar o seu amor mal resolvido pra Jamaica em 7 dias, vender meus serviços de curandeira sentimental e coisa e tal, mas não é assim que funciona.  Aliás, se vocês querem saber, nunca esqueci meus amores, aprendi a conviver com cada um deles e transformá-los do ódio, para o aprendizado, da mágoa, para a lembrança, e por aí vai.

A sabedoria popular ensina uma coisa que eu discordo:  que só se cura um amor com outro.

O amor é uma espécie de recompensa por estarmos bem conosco, tranquilas,  resolvidas e sem grilos. O que acontece é que quando a gente não tem paciência para esperar a vida se encaminhar a gente DISTRAI a perda de um grande amor com outros, falsos-micro-amores, e às vezes, isso até funciona, mas não cura.  Se o último relacionamento foi uma bagunça, se você saiu magoado, foi traído ou apenas ainda existe algum resquício de sentimento, tenha pena do seu próprio coração e pare de fazer bobagem: recomponha-se. Não se envolva com outra pessoa antes de se entender. Não prometa sentimentos, provoque compromissos e se prenda a situações das quais você possa se arrepender. Essas lições a vida me ensinou di-rei-ti-nho e já dizia o Pequeno Príncipe: “Tu te tornas eternamente responsável pelo o que cativas.” – e eterno é TEMPO PRA CARAMBA. Cuidado com quem você se envolve.

Meu conselho se resume a três dicas básicas que se tornaram um mantra pra quando eu começo a me sentir encalhada: saiba o que buscar, saiba que não é necessário buscar e, por fim, entenda que um dia vai encontrar.

É simples.

Durma tranquila, sem planejar vinganças, esqueça as baladas com tequila e affairs temporários, conviva bem consigo mesma.

Me encontro em um momento incapaz de acreditar que realmente alguém esteja disposto a estar comigo, virei refém das minhas análises. Ando com o amor próprio suficientemente fortalecido pra saber que gostar são dois, não um. Que não adianta forçar a barra, exigir presença, carinho ou qualquer outra coisa; quem quer, fica. E aprende a lidar seja com que situação for.

Quanto a encontrar os grandes amores, não sei exatamente como proceder.  Os meus novos rolos, pelo menos, simplesmente vem. E não digo que isso seja bom, na verdade, há pessoas que a gente sabe que só está junto por distração e disponibilidade, tem a convicção de que não irá além disso.  E tem aquelas que a gente está junto porque sim. Porque é uma delícia a convivência, as palavras, as risadas… E começa a temer as coisas, entre perder, ganhar ou estragar o que se tem, pensa que pode não dar certo, pensa que pode dar, aquela agonia característica de quem está apaixonada e não admite.

No bar, no supermercado, na aula de inglês, na academia, na viagem, na fila do McDonalds, que seja. O amor não é nosso, ele passa pela gente. De vez em quando, dá pra agarrar, ocasionalmente ele escapa, e inevitavelmente ele se vai, como se nunca nem tivesse existido.

E a gente percebe que essa coisa de viver em par é muito mais complexa do que só juntar os trapos.

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11 Comentários

  1. Uma das citações que me guia “Tu te tornas eternamente responsável pelo o que cativas.” Mandou mto bem 🙂

  2. Oie!
    Também acho que não se cura um velho amor com um novo.
    Amor acontece quando você está bem consigo mesma, é o velho ditado que ás vezes esquecemos, sempre temos que nos amar primeiro para depois amar outra pessoa.
    Sobre esquecer um amor, acho que tem que respeitar o luto, não adianta fingir que está tudo bem, porém chega a hora de largar o luto e dar a volta por cima. Infelizmente a cura do velho amor é o tempo, por mais que pareça que esteja demorando demais, não adianta apressar vai levar o tempo necessario, por isso tem que esquecer desencanar quando menos perceber já não dói tanto…
    Nossa ficou enorme huahauahuahuahuahua, mais todas nos achamos peritas depois de passar algumas barras né?!
    Beijos

  3. “E começa a temer as coisas, entre perder, ganhar ou estragar o que se tem, pensa que pode não dar certo, pensa que pode dar, aquela agonia característica de quem está apaixonada e não admite.”
    Mudou meu dia!!! Pra muito melhor! Você tem o dom de fazer isso…

    Bjinhos =)

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