desabafo seguro.

 

“Deixa, deixa, deixa, eu dizer o que penso desta vida, preciso demais desabafar…”

Sempre fico pensando nas coisas que eu deveria dizer e não digo, nas coisas que deveria fazer e não fiz. Às vezes reúno tudo e lanço às favas, como se depois de tanto tempo armazenadas, essas coisas – todas –  fizessem uma pressão de explodir os miolos se não forem postas pra fora. Aí venho aqui, abro a página do blog e faço uma carta daquelas, destruidoras, que nem ao certo querem dizer aquilo que eu realmente gostaria de dizer; mas que refletem, exatamente, o modo com o qual me sinto.

Sempre preferi o modo de vida avassalador transgressor dos verdadeiros infelizes, às coisas erradas, às certas. Tudo certo me parece muito monótono, e é. Insuportavelmente sem emoção nenhuma, insuportavelmente seguro. Gosto de me sentir segura e andar na corda bamba, bem contraditória mesmo, não entendo o por quê. Se eu fosse uma cantora de rock dos anos 80 já teria morrido de overdose ou de acidente. Nunca de pneumonia.

Aliás, se viver uma vida salobra é ruim, que dirá morrer sem deixar marca nenhuma, morrer de quejadinha. Quero morrer bonito, poético, deixar histórias e pessoas que vão se lembrar delas pra sempre. E sentir as mesmas saudades de mim que eu mesma sinto às vezes.

Essa é a primeira vez desde que eu mudei do Cemitério das Idéias para o Hipervitaminose que eu escrevo no meio do meu expediente para desabafar. Tudo bem que o fato de eu trabalhar com mídias sociais facilita todo esse processo, mas a verdade é que essa semana não está sendo fácil, na realidade, está sendo é bastante confusa. Essa também é a primeira vez que escrevo um texto de forma tão pessoal, falado por mim, sobre mim e para mim. Porque, de certa forma, todas as coisas que eu escrevo são para os outros, mas também são aquelas coisas que eu preciso ouvir e nunca achei ninguém que me dissesse cada uma delas.

Minha gastrite reclama desde quinta-feira pelos mais variados motivos, ando extremamente sobrecarregada mentalmente, fisicamente e também sentimentalmente. Não é fácil lidar com a vida da forma que ela se apresenta, mas a gente precisa continuar nadando, ultrapassando os obstáculos e tomando cuidado pra não ser levado pelas ondas ou engolido pelos peixes grandes. Os meus adversários, nesse momento, são os tais peixes grandes, personificados nos mais diversos sentimentos que possam existir.

Estou, pela primeira vez na vida, cansada e feliz. Feliz com as minhas próprias realizações, feliz comigo. Não feliz integralmente porque eu acho que nesses termos ninguém é. Mas ando numa fase boa, meio conturbada, mas boa. Como há anos não vivia parecida. E, ao mesmo tempo, aborrecida. Aborrecida com uma área da vida que não é só minha e com a vida de outras pessoas que também não quero ver tristes, mas que eu não tenho controle.

Só me resta fazer aquilo que eu faço de pior: esperar.

Porque por mais que a gente queira cicatrizar todas as feridas, ajeitar a casa inteira em um dia, limpar a alma e seguir em frente tudo faz parte de um processo: do qual eu espero ter bons resultados no final.

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10 Comentários

  1. Ah resumindo: Quando eu e você estavamos quase nascendo Deus perguntou – Com emoção ou sem? E nós respondemos: ROOOOOOOOOCK’N’ROOOLLL!!

  2. Se a vida fosse muito fácil acho que morreríamos de tédio. Mas de vez em quando bem que as coisas podiam facilitar, né? hahaha
    Esse é o ser humano, em contradição desde sempre…

  3. Amore a vida é cheia de obstáculos né,de peixes grandes de leões tb,aprendi q temos que matar um por dia,e assim ir levando,dias bons,dias ruins…o importante que nem diz minha avó é abrir os olhos pela manhã.Bjão

  4. Acho que estou vivendo um momento parecido com o seu, me encaixei direitinho em muitas das suas palavras. Menina, esperar é um troço difícil, né?! Haja paciência e autocontrole.
    Beijos

  5. Sim, minha flor…os resultados finais serão positivos. Esteja confiante e acredite em Deus, que sempre está do teu lado e cuida de ti se vc der espaço para Ele agir em teu favor.

    Os obstáculos e as adversidades fazem parte da vida de todos. Precisamos confiar em nós mesmos, n nos deixarmos levar pelo desânimo ou pela insegurança. Renove as suas forças e pense positivo, isso faz toda a diferença.

    Manda pra longe esse aborrecimento…quero te ver bem!

    Um beijão e que Deus cuide de ti =D

    Te espero lá no blog 😉

    http://www.nicellealmeida.blogspot.com

  6. Amei a sensibilidade do texto. E me identifiquei com a parte de reunir tudo e lançar às favas. Eu deixo as coisas acontecerem e só observo. Quando me dá no saco, eu falo, e costumo ser cruel nas palavras.
    A terapeuta acha legal gente que mantem uma estabilidade na maior parte do tempo, mas eu tenho cá minhas dúvidas se “deixar pra depois” faz bem pra saúde.

  7. E como é difícil a arte de esperar, e ter esperança que o tempo é o Senhor do Destino, mas enquanto isso vamos vivendo, e se não chegou ao fim, porque ainda não era a hora. =* ótimo texto e com certeza sei o que é guardar as coisas e depois despechar tudo!

  8. Oi, Ericka! Tudo bem?
    Sei bem como é isso… Essa semana mesmo escrevi um texto desabafo, mas não sei se posto, afinal desabafos explícitos podem evidenciar fragilidade, carência, todas características socialmente indesejáveis, porém em todos nós presentes.
    Gostei muito do texto e indentifico-me bastante no momento, sobretudo com o último parágrafo.

    Beijos,
    Thaís

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