Conselho da felicidade.

Ninguém se importa com a roupa que você usa, com as coisas que você come ou com quantas vezes você vai ou não à academia.

E, se alguém se importa, é porque você permite que essas coisas gritem maia alto do que aquilo que você é.

Seja.

Sempre.

Ainda que incomode.
Ainda que cause estranheza.
Ainda que as outras pessoas não entendam.
Quanto mais de você tiver na sua vida, mais rápido as pessoas passarão a se acostumar com a sua verdade. E mais rápido você vai se acostumar a ser quem é. Perdemos mais tempo nos desgastando pra caber onde não nos encaixamos que amando quem somos.
Ser fiel a si mesmo é uma transgressão.
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Anos e amigos que passam.

Eu era popular na escola. Eu sempre estava rodeada de pessoas, gostava de saber sobre suas histórias e, dificilmente, me sentia deslocada em um ambiente social – qualquer que fosse. Eu não sei se hoje sou exatamente assim, acho que as coisas, de uns 15 anos pra cá, mudaram um bocado. Acontece que a vida, quando possui uma rotina, obriga que criemos laços. Estar no mesmo ambiente, compartilhando dos mesmos desafios e encarando praticamente as mesmas dúvidas e anseios faz com que as amizades surjam naturalmente, por diferença ou semelhança, como uma grande rede de apoio na qual reconhecemos que é possível viver sem ninguém – mas que é muito mais chato, doloroso e solitário, afinal.

A vida adulta é complexa, é cinza, é híbrida. As rotinas se dividem em mais núcleos dos quais podemos controlar, nossas cargas emocionais e nossas histórias já não estão fixas em uma única unidade, como a escola, por exemplo. Temos o trabalho, temos a academia, as reuniões de condomínio. Temos a família (ou as famílias, quando nos casamos ou namoramos) e ainda podemos ter ao nosso lado todas aquelas pessoas que, em algum momento, tiveram sentido na nossa vida, que aqui eu vou chamar de “referências sólidas”. E, essas referências, ao meu ver, sempre foram as mais importantes, porém, as mais difíceis de manter sempre próximas. De manter vivas. De manter, de fato, amigas para o resto da vida.

A amizade é algo que não pede, ela exige presença. Exige que nos esforcemos e que esse esforço seja recíproco. Que insistamos em compartilhar nossa rotina, por mais simples que ela seja, que comemoremos as vitórias e choremos as derrotas. Assim como todos os relacionamentos, a amizade vive nas sutilezas. No universo silencioso da confiança e no ruidoso ato de viajar 10 minutos ou 10 dias para estar junto, de compreender e acolher mesmo que não se entenda, de aconselhar e se opor mesmo que não seja recomendado, mas, principalmente, de saber a hora certa de fazer cada uma dessas coisas. De saber que existem maneiras e palavras, de reconhecer limites. A vida adulta, ao contrário da vida adolescente, tem vários deles. E a gente não tem mais a visão total de como o outro anda por dentro, qual é a dinâmica da sua antiga ou nova família, do drama do outro, das dores do outro. A gente começa a ter problemas de adulto, que adolescente também tem, mas pai e mãe às vezes disfarçam, fingem que não está lá ou ignoram, simplesmente. É síndrome do pânico pra cá, depressão pra lá, uma endometriose, talvez, uma doença daquelas que ninguém gosta de mencionar, algo de errado na cabeça da gente que só os muito chegados, muito próximos, só quem quer mesmo saber, sabe.

É possível viver de aparência na vida adolescente, mas na vida adulta amizades que são vapor não se sustentam. Amigo de bar e balada não vingam. Fazem companhia, são úteis quando estamos nos sentindo sós, mas no domingo a noite se esvaem na mesma velocidade que surgiram. Amizade precisa ser, tem que ser e é obrigatório que seja bem mais profunda que isso. Íntima. Complexa. E é muito difícil ter solidez em qualquer coisa quando envelhecemos, porque adulto responsável não tem tempo pra porra nenhuma. Não dá pra ir em todos os happy hours, aniversários, chás de bebê, velórios, não dá pra estar em todos os acontecimentos importantes de quem um dia consideramos importante e, sejamos francos – às vezes nem queremos isso. Às vezes amamos muito alguém, por um número incontável de fatores, mas não queremos mais estar com aquelas pessoas que um dia nos foram tão fundamentais. Sei lá. Às vezes, porque, simplesmente, não as reconhecemos mais. Não concordamos com o que pensam sobre política, religião, sobre gays, negros, gordas, pobres, putas, não queremos lidar com suas opiniões tão distintas, dolorosas e imutáveis sobre essas delicadezas transformadoras que se impõe dia a dia e precisam ser faladas. Temos dificuldade em ser contrariados, questionados ou achamos que tamanhas diferenças não serão conciliáveis e, assim sendo, não valem o desgaste. Melhor ficar com a boa parte que sempre tivemos que nos decepcionar com o que essas pessoas se tornaram – incluindo aí o que eu mesma me tornei. E, delas, extrair o que há de melhor.

Não, não me entendam mal. Amigos não precisam sempre concordar com tudo. Amigos não precisam sempre estar presentes, dispostos, não precisam fazer muito esforço para se manterem vivos. Mas há uma solidão pouco falada na vida adulta, uma ausência de vínculos não amorosos de profundidade que se agravam com o passar dos anos, que me preocupam, na verdade, como a solidão sempre me preocupou.

Cultive amigos. Não desista deles. E esteja aberto para ter a transparência e a vulnerabilidade inerentes às melhores e mais vitalícias relações. Elas edificam, transformam, confortam, se fazem necessárias.  E mais que isso: valem a pena.

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As intermitências do tempo.

time spin GIF by Tony Babel
 Ser adulto é um negócio muito doido.

Você não repara que cresceu, não repara que o tempo passou. Ontem tinha 15, depois fez 18 e, no meu caso, nem conseguiu tirar carta de motorista, ainda. Em um estalo estava aqui, nos seus quase 31, com marido, casa e os amigos tendo filhos. Você não tem uma exata consciência de quando tudo mudou, como mudou e no que se tornou. Nesse processo, de praticamente 15 anos de intervalo, existiram tantos possíveis caminhos, pessoas, histórias e se perderam outros tantos (caminhos, pessoas e histórias) que aquela máxima de que o tempo voa se torna, de fato, uma verdade. O tempo é fumaça. Hoje você reclama que o dia não passa, que o trabalho está de matar, pisca, passaram-se semanas. Passaram-se meses. Você já fez aquela viagem, foi naquele show, já tirou férias, já trabalhou tudo de novo, já mudou de emprego e tudo já voltou ao início do que um dia parecia ser – mas que já não é mais.

Quando você vê, o cabelo não é mais o mesmo, nem a barriga. Você nem concorda mais politicamente com o que antes concordava. Já não sabe porque, como ou onde fez tais amigos e também não sabe porque se tornou amiga de pessoas tão diferentes de você – e em qual das suas versões aquelas pessoas fazim algum sentido. Já se sentiu sobrecarregado de tarefas e entediado na mesma medida, sufocado com uma legião de mentes para contar, atender e compartilhar a vida e, de repente, se sentiu sozinho. Já sofreu perdas e ganhos talvez na mesma proporção. Proporção essa que, talvez, nos próximos 30 anos, tenda a se desequilibrar na balança mais para perdas que para ganhos, afinal, mas não pensemos nisso. Nunca pensemos nisso.

Vivemos a vida adulta como uma sucessão de tarefas, de funções, de ambições, de sonhos, de dias corridos meio cinzas com cerveja e batata frita no final, mas não conseguimos parar muito para refletir sobre nada. Num dá tempo. E dá muito medo também pensar sobre as incertezas e sobre as certezas da nossa vida, se fizemos as escolhas certas, se estamos no caminho certo, nos questionamos até, e inclusive, sobre o que seria certo mesmo nessa bagunça toda. Continuamos a correr, e lutar e a conquistar coisas que não sabemos se queremos mesmo porque na vida é isso que nos cabe: fazer logo para que fique feito. Mesmo que não esteja bem feito. E se algum adulto te disser que sabe para onde está indo, desconfie. A gente até consegue trilhar caminhos, mas não tem como prever, nem nas cartas de tarô ou no horóscopo da Susan Miller, o que ainda não veio. Somos construção. E se faltar cimento, damos um jeito de colar as partes e de construir algo que nos caiba. Para o hoje, para amanhã ou no máximo para semana que vem. O tempo é fumaça. E não conseguimos guiá-lo – ainda que tentemos – com a precisão desejada. Talvez aí, ganhemos alguma coisa. Se não dá para solidificar o amanhã, do jeitinho que imaginamos, que hoje seja o melhor dia de todos os dias já vividos. Somos adultos mesmo sem todas as respostas. E talvez, nunca sequer saibamos as perguntas.

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Vamos falar sobre terapia.

2017 está sendo um ano de muitas mudanças na minha vida. De trabalho, pessoais, enfim, acho que essas mudanças acontecem pra todo mundo, eventualmente, mas de uns tempos para cá passei a perceber mais tudo isso.

Tanta coisa aconteceu junta que resolvi, inclusive, fazer terapia. Quando era adolescente, lá pelos meus 16 anos, já tinha passado por algumas seções por conta de ter problemas pra dormir e dificuldades reais em lidar com o fracasso. Sempre me cobrei demais em relação às coisas, mas acho que só me dei conta mesmo disso, de verdade verdadeira mesmo, esse ano.

Eu sempre estive ocupada demais para olhar pra dentro de mim. Acho, inclusive, que essa coisa de se ocupar demais o tempo todo tem muito a ver com não querer enxergar as coisas que te incomodam. Quando você vem de uma realidade privilegiada, como a minha, qualquer problema pode ser resolvido com algumas providencias familiares, sejam elas cursos, viagens, amigos e festas, e claro, terapia. A banalização da terapia pela classe média em que eu vivi toda a minha vida sempre me fez ter um pouco de preconceito por ela.

Talvez por isso, naquela época, eu não levasse minha saúde mental tão a sério. Naquela época, eu não via real efeito nos monólogos intermináveis da minha parte com a profissional em questão, era mais uma tarefa do meu dia, mais uma coisa padronizada que estava na minha to do list, sei lá, algo que me contaram que talvez me fizesse sentir melhor. A vida adulta, entretanto, me fez perceber que embora o profissional seja fundamental pra organizar algumas coisas dentro da gente, é importante que a gente mesmo perceba a necessidade disso.

Terapia não é coisa de gente maluca, é coisa de gente, simplesmente. Às vezes não nos damos conta que precisamos lidar com as questões emocionais para que todo o resto faça algum sentido, para encontrarmos um norte e um por que para nossas apreensões, medos ou até mesmo doenças físicas. Somos corpo, mas também somos alma, espírito, psyche ou como você quiser chamar. E tudo isso é muito mais complexo do que o passar, às vezes sem muita motivação, dos dias que sempre chegam. Eu não tenho nenhuma doença grave dos tempos modernos como depressão, por exemplo, mas passei a ver essas mazelas com outros olhos e a entender as pessoas que corajosamente declaravam ter e sofrer disso.

Sabe, todo mundo tem problemas. Mas não é bonito, não é glamouroso e também não é legal perder o controle sobre si mesmo, de qualquer forma que seja, seja para a ansiedade ou para a inércia. Os adolescentes, principalmente, têm se perdido um pouco nessa coisa de que ser diferentão, meio fechado e dark é cool. Até é se isso não te prejudica emocionalmente, sabe? Vamos ponderar essa conversa aí.

Você não precisa ver sombras ou ouvir vozes para passar a cuidar da sua cabeça – é ela que regula suas funções motoras, seus sonhos, sem sua mente seu corpo padece. Terapia, hoje, é quase obrigatória. É padrão social para sobreviver nas grandes cidades ou para encararmos a quantidade cada vez mais brutal de tarefas que precisamos dar conta, mesmo que elas só existam porque a gente as colocou lá.

Não tenha preconceito das coisas que nunca se permitiu tentar. Todas elas. Porque muitas vezes, nossa sorte ou azar mora nas atitudes que não tomamos em relação à vida. À nossa vida. Sei, que assim como a minha mente, a sua deve viver recheada de ideias, afazeres, pensamentos, mas não deixe que as pequenas micro coisas incômodas fiquem num cantinho escondido do seu cérebro, ignoradas, sendo marinadas para te consumirem um dia. Se ajude. E se precisar de um profissional para isso, tudo bem, tamo junto, faz parte.

Tá?

Então tá. =)

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Um “oi, queridos!” da sumida que aqui vos fala! =)

 

Minha gente, que loucura! Faz muito tempo que eu não escrevo por aqui, não é mesmo?

Além da vida corrida, dos afazeres de rotina, do meu casamento que se aproxima, etc, etc, andei priorizando outros espaços digitais em detrimento do Hiper, não sei se vocês sabem disso e também não sei exatamente por que nunca contei por aqui, mas continuo blogando vez ou outra por aí. Eu vivo dizendo para os quatro cantos desse planeta que as coisas na vida (todas), para darem certo, precisam de dedicação e esforço, de insistência, de paciência, mas em casa de ferreiro… O espeto é de pau. E na vida real não é tão simples assim.

Na sexta-feira passada, tive a honra de participar de um projeto muito bacana com pessoas bem incríveis, o Projeto Autoria, um festival literário que rolou na minha terra natal, na Baixada Santista. Fui convidada a falar sobre um pouquinho da minha expertise em Social Media, e a ideia era estimular discussões sobre comunicação de um modo geral. A programação, que era inteiramente gratuita, tinha muita gente diferente e cheia de insights. Honestamente, me surpreendi com a quantidade de pessoas que deixaram de ir ao bar tomar a clássica gelada de sexta para passar algumas horinhas discutindo sobre como ganhar dinheiro online comigo – e algumas cositas más.

Fiquei orgulhosa, como poucas vezes da minha trajetória pessoal. Sabe, há muitos, MUITOS ANOS, escrevo por prazer. Puro e simples. É claro que escrever faz parte da minha profissão, mas não é diretamente das letrinhas que vem meu sustento – e às vezes eu acho que deveria ser mais ousada, mais arriscada, mais vida loka, acreditar mais naquilo que eu digo constantemente para as pessoas e insistir nisso. Acho que encarar o Hipervitaminose ou qualquer outro veículo que publico meus textos como hobby, apenas, faz com que a frustração por não tornar esse espaço algo verdadeiramente rentável algo mais leve, mas, ao mesmo tempo, colocar nossos sonhos completamente de lado é bastante frustrante. Existem sempre dois lados: quando eu paro pra pensar quantas coisas o Hiper já me proporcionou, tudo parece incrível. Mas quando penso sobre onde poderia chegar se acreditasse mais que as coisas por aqui podem dar certo, seria ainda melhor.

Na mesa redonda que participei no SESC Santos, sobre Empreendedorismo Digital, pude perceber que as pessoas têm sede de conhecer, de trocar figurinhas, de ouvir de alguém que é difícil mesmo, mas que a dificuldade faz parte do processo. E gente, acho que gosto muito mais de falar que de escrever, poderia viver respondendo perguntas e falando em público, dando conselhos, fazendo consultoria. Eu amo essa troca de ideias com diferentes pessoas e a possibilidade de aprender tanto sobre elas quanto elas aprendem comigo. Porque vocês sabem, né? Na verdade, quem está lá, falando em público, sai com a cabeça fervilhando mais que quem assiste.

As tais dificuldades precisam nos impulsionar e não nos desestimular a continuar por aí fazendo o nosso melhor. É clichê, é padrão, é auto-ajuda, mas é verdade. Tudo que é simples e óbvio na vida é a mais pura verdade, é a gente é que fica buscando pelo em ovo, justificativas nas circunstâncias, negando as aparências, disfarçando as evidências, já sabem.

Por isso, digo ao povo que eu voltei. Pra ficar por aqui, para continuar lá no @dona_baratinha e também na deliciosa Trendr.

Nos vemos por lás.

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sonhos, expectativas e realidade.

Eu acho que sonhar é algo inerente à vida humana, mas sou cética. Não acho que quem acredita sempre alcança, como fala a música do Legião Urbana, acho que precisamos estar sempre conectados com a realidade para conseguir traçar planos objetivos que nos façam atingir nossos sonhos, porque, em caso contrário, a fantasia nos consome. Acabamos por não viver o hoje porque estamos sempre presos no amanhã e nos conceitos que criamos sobre como gostaríamos que fosse nossa vida, nos afastando, obviamente, da vida real em si.

Conheço uma mulher que almeja coisas que não possui na esperança de ter outras que a supram. Ela não consegue enxergar, na realidade dela as coisas reais de fato e se aprisionou na ideia de que é uma dona de casa infeliz, sem diversão, escrava de um casamento que não correspondeu aos seus sonhos da juventude. Essa mulher ainda se vê com 25 anos, buscando todos esses sonhos e ainda não conseguiu perceber que o tempo passou,que  ela fez algumas escolhas erradas aqui e ali e que a vida não é mole assim, como a gente pensa. Pra ninguém.

Não é que ela seja vítima do mundo, infeliz e mal sucedida, com ela a coisa fluiu como fluiu pra todo mundo, mas ela estava tão preocupada em ser quem não era e parecer mil coisas para os outros que esqueceu-se de que, para concretizar as coisas, é preciso escolher um caminho e persistir ele e não esperar que tudo se resolva como na novela das 21h00. Hoje essa mulher não se posiciona e não enxerga suas próprias conquistas, amadureceu fisicamente, mas não emocionalmente. Tem crises de ciúme adolescente, surtos emocionais de carência e toma atitudes estúpidas, que afastam as pessoas, numa busca desenfreada de atenção. Ela não é má pessoa, apenas sofre com uma construção de vida da qual não consegue se libertar e nem enxergar a realidade como ela é.

Infelizmente, e eu sei que demoramos a aceitar esse fato,  não podemos ter tudo sempre. Sonhos que não são práticos beiram à loucura e não nos direcionam a lugar algum. A gente precisa construir nossas aspirações a partir do solo que a gente tem e não querer voltar no tempo, ou desejar a vida do outro, ou uma realidade completamente distante da nossa. Eu acho que nunca é tarde para mudarmos de rumo, darmos a volta e fazermos outro caminho, mas esse conceito de que a vida é unicamente uma construção nossa precisa ser quebrado.

Existe sorte sim, acaso sim, e gente que cavou oportunidades de um jeito inesperado, nem tudo é só aquilo que desejamos, buscamos desenvolver e evoluir linearmente. Filho não segura casamento, ensino superior não garante emprego, bom emprego não garante felicidade e ter dinheiro ajuda, mas não é tudo. Precisamos saber lidar com os nossos fracassos, buscar um recomeço e, acima de tudo, sermos palpáveis e gentis com os nossos sonhos.

Pior que gente não realizada é gente que segue a filosofia Xuxa de que “tudo pode ser, basta acreditar.” Tudo pode ser. Basta planejar muito, trabalhar duro e sofrer bastante. Faz parte.

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A vida que a gente inventa.

Existe uma coisa muito louca – e muito triste – sobre a vida adulta: a tal da frus-tra-ção. Essa palavra tão pequena, tão objetiva e tão cheia de sentido é muito, muito difícil de ser superada. A gente finge que lida bem com ela, enfia todos os sentimentos relacionados à dor e a angustia provocada bem no fundo do peito, coloca um sorriso no rosto e finge, literalmente, que nada está nos abalando ao longo dos dias. Nadinha de nada.

Quando ficamos adultos percebemos a essência de todos os problemas familiares passados, compreendemos de onde vieram as proibições, as broncas e, principalmente, as restrições da nossa infância. Sabe aquela frase que sua mãe repetia incessantemente quando queria justificar algo aparentemente injustificável? “Quando você chegar nessa fase você vai entender?” Então, chegamos. E percebemos que entender é muito mais simples que aceitar as realidades – prazeres e dessabores – de como a vida se apresenta.

A gente é um universo. Inventa um montão de coisas na nossa cabeça ao longo de toda infância e juventude e acredita, piamente, que é capaz de fazer tudo, ser tudo, chegar em qualquer lugar. E é. Só que nada é tão simples como uma festa de 15 anos, nada é tão fácil quanto era, olha só, aquela prova final de Física. Ser adulto é um eterno saber administrar decepções. Não se escravizar pelos próprios erros. Levantar, sacudir a poeira e voltar a caminhar. É tentar manter a sanidade em meio a diferentes desequilíbrios profissionais, financeiros e pessoais, lidar com pessoas, medir palavras, melhorar e evoluir filtros. A todo o momento. Adulto não tem duas férias escolares por ano. Não tem tempo de lavar a roupa, de dormir bem, de se alimentar com equilíbrio – a gente tenta, o tempo todo, mas nunca chega naquele momento em que se sente satisfeito com a vida como ela está, o que motiva e desmotiva a gente, como numa gangorra.

A gente é feliz, a gente conquista um monte de coisas, a gente evolui, a gente não pára de batalhar – e nem pode – mas não vive, definitivamente, aquela vida que a gente criou na mente e achou que seria natural. Não existe sucesso natural ou felicidade natural a gente constrói as coisas que quer e, digo mais: da maneira que dá.

Você pode estar super bem resolvido aos 25, ou não, você pode ter uma família totalmente estruturada aos 35, ou não, você pode ter tido filhos – ou até netos – aos 45, ou não. Não existe mais aquela lineariedade pueril. Depois da 5a série não necessariamente vem a 6a, a gente às vezes pula logo pro colegial,e tem que se virar de alguma forma, ou regride lá pra pré-escola e tal, sofrendo de coisas que achou que já tinha superado, faz parte.

É assim pra mim, pra você, é assim até práqueles seus amigos que já tem casa, comida, viagem internacional todo o ano e ainda acham que não conquistaram nada.

Tá infeliz? Levanta e anda. Opte por viver pelo menos uma parte do que você inventou. Se não, você fica preso sempre na fantasia e, convenhamos, a realidade um dia te cobra. E dói pra caramba.

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Vontades secretas que vem do nada.

Vem cá, conta pra mim o que mora aí na sua cabecinha.

Eu sei que você às vezes tem vontade de não ter tido esse neném lindo que está aí do seu lado, mas vamos por partes: tenho certeza que você nem queria ter se envolvido amorosamente e profundamente com ninguém, para começo de conversa. Sei que às vezes ser casada é uma merda. Você é nova, você é gata, tem tanta gente nesse mundão e tanta vida lá fora pra viver, que porra essa coisa de ter que ficar resolvendo qual cor vai escolher pros azulejos do banheiro, né? Que merda deixar de comprar aquele vestido bafo porque precisa parcelar o IPVA. Eu te entendo, miga, você precisa de férias. Se pelo menos seu marido fosse rico, ou você rica de berço, se pelo menos você não precisasse aguentar seu chefe de merda, nesse trabalho de merda ou enfrentar todos os dias um transporte público de merda pra chegar no escritório – onde tudo também anda uma merda e coisa e tal, mas não. Bosta vem em combo. Nada está bom. Aquela secretária estúpida mandou todos os papéis errado e as cobranças parecem que vem em tiroteiro, de tudo quanto é lado: é a família que quer um novo bebê, é o chefe querendo mais resultados, é você mesma precisando ficar mais magra, proficiente no inglês, cheia de flexibilidade na yoga ou a puta que o pariu.

A gente tem vontade de comer um bolo inteiro, dois bolos inteiros, sozinha, vendo Netflix, nos próximos 3 meses. Não quer ter essa obrigatoriedade maldita social de sempre confraternizar com a família, ir em chá de bebê, participar de batizado, mutirão da solidariedade, festinha da academia. Eu sei que você também pensa assim. Tem dias que tem vontade vontade de sumir de si mesma, de dar uma pausa na rotina, de raspar a perna, cair na vida e criar uma personagem selvagem que vive cada dia como se fosse o único – e que se danem as crianças na escola, a roupa pra passar, a janta por fazer, o chão da cozinha literalmente cagado de cocô de cachorro, por inteiro, pra você limpar. Que se foda essa vida comum toda.

Eu sei que sua vontade secreta é de não ser você mesma, muitas vezes. De não ter feito essas escolhas que fez, de não estar nesse mundo que achou que seria ótimo, mas querida, aqui está a verdade sobre todas as vidas: num tá fácil pra ninguém não. E pra cada “rebosteio” temos também os sorrisos, os vinhos tintos, os finais de semana de sol, os passeios no parque, a comida caseira, fresquinha, nossa, tem coisa mais gostosa que um arroz recém feitinho? Num tem não.

E as primeiras palavras do seu filho, opiniões, conquistas, o cheiro de cama limpa, o reconhecimento mínimo por algo que você se esforçou por meses, o abraço sincero de quem a gente ama, aquela “brusinha” da promoção… A gente tem muitas coisas boas pra comemorar, mas a gente se foca nas que irritam, nas mini insatisfações, acontece.

E que esse texto te sirva de alívio para relembrar que se a gente tem um emprego normal, uma família normal e uma vida minimamente normal, vai se encher dela. E tudo bem, eu guardo o seu segredo comigo, fica tranquila. Também tenho essas vontades secretas que vem do nada…

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De todo o tempo que eu não escrevi mais por aqui.

Engraçado como a falta de tempo é mortal para as palavras. A gente está sempre correndo tanto, trabalhando tanto, planejando tanto que não consegue, simplesmente, concretizar as coisas simples que um dia começou para dar alívio às complexas.

Eu nunca tive problema com inspiração, sempre coloquei por aqui – e por ali também – os muitos sentimentos que habitavam o meu peito sem censura ou culpa, o que, às vezes, afetava um ou outro mais atento aos meus sinais fora da vida virtual. Escrever é um ato de coragem, alguns dizem, principalmente sobre coisas que a gente sente e sobre pessoas, mas também é um desafio diário. Quem lê as coisas ruins, que de vez em quando pintam por aqui, não comenta para não se comprometer e ninguém gosta de assumir tanto assim suas dores e dessabores em público. Mas o escritor, até o de fundo de quintal, quer que as pessoas se sintam parte daquilo que está nas letras, que comentem, que interajam, que se engajem nas histórias e que sirvam de inspiração para muitas outras – que ainda estão por vir.

Comecei a desanimar do Hipervitaminose quando senti que não era mais ouvida, que esse espaço virou um diário pessoal de desabafos sem sentido pra mais ninguém – uma exposição desnecessária em tempos em que todo mundo gosta de se expor.

Um dos meus planos para 2017 era simplesmente matar aos pouquinhos o Hiper – que já estava mesmo nos seus últimos suspiros, numa tentativa de silenciar algumas coisas que a idade adulta já não permite mais que falemos assim, tão sem freio como antes. Mas como parte de um processo terapêutico mesmo, optei por continuar a postar por aqui ou a tentar retomar com frequência e empolgação, os textos que antes me faziam tão bem, que tinham tanto sentido e faziam efeito real na minha vida.

Pois bem, vamos (re)começar. Assim como uma alimentação saudável e uma vida mais ativa fisicamente em 2017, também prometo que a minha sanidade menta será mantida nos textos que saem do coração pro corpo do espaço em branco do WordPress.

E conto com vocês pra isso.

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Amores bons e correspondidos dão medo.

Pra caramba.

Muito mais medo que amores complicados, truncados, cheios de traição e desconfiança, os amores tranquilos são assim, uma coisa assustadora. Tenho alguns amigos, muitos na verdade, que não sabem o que fazer quando algum romance dá certo. Tem medo das declarações, das demonstrações de carinho. De serem apresentados para os pais.

Não sabem lidar com o sentimento que se instaurou e, em alguns casos, fogem dele. Tem pessoas que simplesmente não sabem ser bem tratadas, cortejadas, elogiadas. Que correm ao primeiro sinal de afeição. Que ficam criando conjecturas mentais sobre quando isso, afinal, que está bom demais para ser verdade, vai afundar. Quando é que vai começar a dar ruim? Quando ele/ela vai aparecer com outra e tal? Ninguém é plenamente feliz no amor, o tempo todo. Isso não existe.

Os desiludidos ou os que nunca deram chance para as intempéries da vida, sempre terão certos problemas para amar.

Tem gente que nunca esteve bem no amor mesmo, acha esquisitíssimo quando está. E talvez, pelo pavor do compromisso, dos laços duradouros, nunca esteja, não sei. Amar é para os fortes. Afinal, algo que nunca se torna alguma coisa não dói quando vai embora. Não dói se um dia não está mais lá. Nunca foi mesmo, afinal. Então tudo bem.

O afastamento é o mecanismo de defesa dos amedrontados. O não assumir, o lance de ser aberto. Assim também ninguém fica magoado se vacilar, ninguém vai ser cobrado por nada, né? É. Só que não é. Envolver-se dói. No trabalho, na família, nos negócios e na vida a dois. Ainda se for só dois beijinhos e tchau, fica alguma coisa, vai alguma coisa, muda alguma coisa em menor ou maior grau, mas sempre, sempre muda. Só não se afeta quem já morreu, daí não dá mesmo pra tentar ser feliz embaixo da terra.
Nem sempre a vida é boa com a gente, é sabido. Mas enquanto ela der essa chance, se abra para o que vier. Se a felicidade passar, que seja marcante enquanto ficar. Com medo mesmo.
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