Vontades secretas que vem do nada.

Vem cá, conta pra mim o que mora aí na sua cabecinha.

Eu sei que você às vezes tem vontade de não ter tido esse neném lindo que está aí do seu lado, mas vamos por partes: tenho certeza que você nem queria ter se envolvido amorosamente e profundamente com ninguém, para começo de conversa. Sei que às vezes ser casada é uma merda. Você é nova, você é gata, tem tanta gente nesse mundão e tanta vida lá fora pra viver, que porra essa coisa de ter que ficar resolvendo qual cor vai escolher pros azulejos do banheiro, né? Que merda deixar de comprar aquele vestido bafo porque precisa parcelar o IPVA. Eu te entendo, miga, você precisa de férias. Se pelo menos seu marido fosse rico, ou você rica de berço, se pelo menos você não precisasse aguentar seu chefe de merda, nesse trabalho de merda ou enfrentar todos os dias um transporte público de merda pra chegar no escritório – onde tudo também anda uma merda e coisa e tal, mas não. Bosta vem em combo. Nada está bom. Aquela secretária estúpida mandou todos os papéis errado e as cobranças parecem que vem em tiroteiro, de tudo quanto é lado: é a família que quer um novo bebê, é o chefe querendo mais resultados, é você mesma precisando ficar mais magra, proficiente no inglês, cheia de flexibilidade na yoga ou a puta que o pariu.

A gente tem vontade de comer um bolo inteiro, dois bolos inteiros, sozinha, vendo Netflix, nos próximos 3 meses. Não quer ter essa obrigatoriedade maldita social de sempre confraternizar com a família, ir em chá de bebê, participar de batizado, mutirão da solidariedade, festinha da academia. Eu sei que você também pensa assim. Tem dias que tem vontade vontade de sumir de si mesma, de dar uma pausa na rotina, de raspar a perna, cair na vida e criar uma personagem selvagem que vive cada dia como se fosse o único – e que se danem as crianças na escola, a roupa pra passar, a janta por fazer, o chão da cozinha literalmente cagado de cocô de cachorro, por inteiro, pra você limpar. Que se foda essa vida comum toda.

Eu sei que sua vontade secreta é de não ser você mesma, muitas vezes. De não ter feito essas escolhas que fez, de não estar nesse mundo que achou que seria ótimo, mas querida, aqui está a verdade sobre todas as vidas: num tá fácil pra ninguém não. E pra cada “rebosteio” temos também os sorrisos, os vinhos tintos, os finais de semana de sol, os passeios no parque, a comida caseira, fresquinha, nossa, tem coisa mais gostosa que um arroz recém feitinho? Num tem não.

E as primeiras palavras do seu filho, opiniões, conquistas, o cheiro de cama limpa, o reconhecimento mínimo por algo que você se esforçou por meses, o abraço sincero de quem a gente ama, aquela “brusinha” da promoção… A gente tem muitas coisas boas pra comemorar, mas a gente se foca nas que irritam, nas mini insatisfações, acontece.

E que esse texto te sirva de alívio para relembrar que se a gente tem um emprego normal, uma família normal e uma vida minimamente normal, vai se encher dela. E tudo bem, eu guardo o seu segredo comigo, fica tranquila. Também tenho essas vontades secretas que vem do nada…

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cada um pra um lado.

Soube esses dias que um casal de amigos que eu gostava demais se separou. Cada um foi pra um lado, conversaram o que fariam para não prejudicar a vida das crianças e foi isso aí, it’s over, the end. Fiquei surpresa e reflexiva depois de ouvir os relatos de ambas as partes, porque existem alguns parceiros no amor que, ao nosso ver,  são imaculados. Casais intocáveis. Aqueles dois que nasceram com o objetivo de fazer valer a máxima dos românticos de plantão como eu: de sempre manter viva a paixão maravilhosa dos primeiros meses.

Sei, porém, que a vida DE VERDADE a dois é bem menos fantasiosa do que se pinta por aí. Tem roupa espalhada e suja pela casa, louça pra lavar e mil contas no final do mês. A convivência pode estimular o relacionamento na mesma proporção que pode destruí-lo. E é muito difícil achar o equilíbrio e a maturidade para encarar que: 1) ou a coisa já não está mesmo boa e é preciso fazer algo pra resolver ou 2) não há nada que possa ser feito para remediar o irremediável.

E sem colocar traição no meio de nada, descobri que o maior impedimento para que duas pessoas sigam seu rumo tranquilas – e sozinhas – nessa louca vida de Jesus Cristinho são exatamente as outras pessoas. Sogro, sogra, tios, filhos e amigos chegados. As pessoas que mais nos impedem de ser genuinamente felizes são aquelas que não estão cientes das angústias de cada um dos envolvidos. Acho que disso, aliás, só sabemos nós mesmos. Os outros, que não fazem parte do relacionamento, desejam que os filhos, sobrinhos e amigos consigam recuperar algo que falta pra todo mundo: um pouquinho de esperança e amor em tempos tão amargos e duros. Uma segunda, terceira, quarta chance, porque é muito difícil admitir o fracasso. Ou compreender que não é que as coisas deram errado; só não estão mais dando certo.

Dedico esse post a esse meu casal de amigos que sabem quem são e a todos os demais casais recém separados, jovens ou não, que tomaram a corajosa e honesta decisão de tomar seu próprio rumo quando as coisas pararam de funcionar. Assim como pessoas nascem e morrem, são também nossos sentimentos – que se transformam e, às vezes, não são mais o que esperamos. Faz parte.

Que venham novos sabores, amores, esperanças. Desde que vocês estejam felizes, eu também estarei, sem hipocrisias, fofocas, meias palavras ou forçações de barra.

Que a vida venha mesmo e siga. E que seja boa.

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coisa de mãe.

Toda a mãe que se preze, nessa e em qualquer outra galáxia, é  intrometida.

Sem exceção.

Sempre quer estar por dentro da vida dos filhos como se, mesmo depois dos 15, tivesse um total controle sobre tudo o que está acontecendo. Mãe coruja é aquela que quer conversar com você, 7 horas da manhã, pós formatura de medicina, e quer que você conte – sóbria e empolgada – tudo o que aconteceu na tal festinha. Nos mí-ni-mos detalhes.

Mãe sabe quando estamos de casinho novo, sabe quando nossa vida amorosa anda uma merda e, principalmente, ADORA dar palpite. Nunca estamos magras o suficiente ou gordas demais. Nunca fizemos a melhor escolha de sapato. Aquele sujeito que dispensamos é sempre mais interessante do que o outro, que escolhemos. E por aí vai.

Ser mãe é torcer pelo sucesso dos filhos mesmo sem fazer nada prático para ajudar. Ou fazendo muito mais que pode.

Acho que Deus colocou as mães no mundo pra nos questionar em níveis absurdos, pra nos fazer refletir mesmo quando não enxergamos mais um palmo à frente dos olhos.

Ser mãe é ser um pouco chata, um pouco mala. Mesmo para as mais modernas e descoladas, mesmo para as que são super amigas dos filhos de fato. Afinal, mãe tem a obrigação de nos fazer pensar; e a liberdade de dizer tudo o que vem à cabeça.

– Por que você não namora o fulano, filha? Ele é uma graça!
– Nada a ver mãe.
– Mas como nada a ver, filha?
– Ele é melhor amigo do meu ex, mãe.
– Ai, até parece! Vocês jovens são muito apegados a esses detalhes sociais… E aquele outro magrinho? De cabelinho com gel?
– É gay.
– Imagina, filha! Aquele menino educado e bem arrumado gay? Você deve estar confundindo as coisas…

Pois é.

Não sei ,ainda, como deve ser a sensação de ser mãe.

Mas digo uma coisa sincera: que bom ter a sorte de ter alguém pra encher o saco (e o nosso coração de amor) tanto assim.

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deixa rolar.

Não sei quanto a vocês, mas eu tenho um defeito muito grave: o de não saber deixar rolar. Sou daquele tipo de pessoa que não sossega um minuto sequer. Se tenho uma boa ideia tenho que executá-la AGORA. Se quero cortar o cabelo, se tenho contas pra pagar, tudo, impreterivelmente, deve ser feito no menor espaço de tempo possível. Vivo tentando minimizar as possibilidades de caos, calculando quanto falta pra chegar meu próximo salário e quanto dinheiro eu precisarei gastar. Se a conta ficar negativa, se entrar água pela janela, se a geladeira quebrar e a televisão pifar, entro em pânico. Preciso sempre ter um plano para todas as imprevisibilidades da vida, não consigo me permitir ficar nem um dia sem saber do amanhã. Sem planejar o final de semana, o que vou vestir se fizer frio, não consigo relaxar. Não sei o que é deixar a vida seguir seu rumo e sempre, sempre, espero os piores resultados das minhas ações – para me prevenir caso esses tais resultados, de fato, aconteçam.

Acho que isso tem a ver com a minha estrutura familiar, mas não quero falar sobre essa parte. O fato é que vivo com uma sensação constante de desamparo. Não consigo me sentir segura, estável, não sei o que é isso. E a maior loucura da minha vida é que apesar do tamanho da meu desespero constante, que suga minhas energias e não me deixa dormir por dias à fio, eu tenho uma fé do tamanho do mundo. Mesmo com essa tendência insuportável de não confiar nem nos correios.

Eu sei que Deus tá lá, olhando por tudo, dando aquela forcinha, mas eu tranco a porta de casa. Eu faço a minha parte.

Sigo aquela máxima de que se você quer uma coisa bem feita, você mesmo deve fazer. Seja escrever, limpar, ou entregar o contrato de locação que você acaba de assinar e ainda não devolveu. E embora conheça um sem número de pessoas competentes, confio em pouquíssimas delas, consigo contar nos dedos.

Sabe, eu sou paranoica.

Tenho medo de faltar no trabalho. Tenho medo de entrar de  férias. Tenho medo de ter medos em excesso e não conseguir viver no tempo que me resta. Então escrevo como válvula de escape como se, ao fazer isso, conseguisse ver o quão insanos são esses pensamentos.

Porque tenho essa mania idiota de não saber deixar rolar. Tão idiota que enquanto eu fico com gastrite, insônia e preocupada com as coisas das quais eu não tenho controle ela rola.

E rápido.

E fora do meu controle.

Admiro quem consegue dormir assim que põe a cabeça no travesseiro.

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linda, solteira…E mãe.

Todo ser humano do sexo feminino que possui uma vida sexual minimamente ativa já pensou, pelo menos por alguns segundos, que pudesse estar grávida. Mesmo com a evolução da medicina e toda a informação desse mundo, não há contraceptivo que controle nossa neurose – visto todos os 736456 mil casos de amigas que deram uma vaciladinha aqui, outra ali e aquelas que juram de pé junto terem sido vítimas pura e simplesmente das armações do destino.

De suspeitas e ansiedades todas nós sobrevivemos, ok, a vida continua. Mas e quando, lá no auge dos nossos 20 e poucos anos (ou antes) descobrimos que SIM, seremos mamães nos próximos 9 meses? Sem marido, casa, emprego ou o mínimo de juízo?

Muitas foram aquelas que passaram por essa situação. E embora digam que filho é uma benção divina (e certamente, é) é inevitável não encararmos um turbilhão de sensações entre medo, alegria, ansiedade e um tremendo descontrole sobre essa nova situação. E não só de pensar em cada parte da nossa vida que vai virar, literalmente, de cabeça para baixo, mas também sobre aquilo que os outros irão pensar. Nossos pais, avós, primos, colegas de trabalho, de faculdade e mais um sem número de pessoas que de nada tem a ver com  a nossa vida, nosso corpo, conta bancária ou estado civil.

E como nesse post eu não poderia deixar de falar sobre o tal do status social relacionado a gerar um mini ser dentro de si, como fazer quando não queremos casar? Quando não amamos tanto assim, não estamos preparadas para assumir um compromisso e coisa e tal? Ou quando tentamos ficar com o outro pela pressão das partes envolvidas e por achar que nenhum homem no mundo vai se interessar por uma mulher que já tenha filho? São tantas as neuroses, emoções e devaneios que no meio de tantas coisas aparentemente terríveis a única certeza que temos é que nossa vida será bizarramente diferente; e que está apenas começando.

Tenho para mim que uma mulher só é completa quando satisfaz pelo menos 3 desejos da sua lista pessoal. Ter sucesso no trabalho, escrever um livro e ter um filho – esses são os principais itens da minha. Mas a satisfação do tópico “maternidade”, especificamente, é aquele que, para maior parte das mulheres, exclui os demais.

Escutem bem, dear ladies: ser mãe não nos faz menos capazes de conquistar um homem. Não nos impede de ter uma carreira bem sucedida. Não nos deixa incapazes, impotentes ou menores que qualquer moça solteira por aí. As coisas mudam, claro. Mas é preciso se adaptar a elas, absorver cada novo pedaço de realidade para voltar aos eixos e tomar um rumo (definitivo ou não). Sem planos a gente não consegue nem pegar metrô.

Esse é só o primeiro texto de muitos outros que ainda escreverei sobre esse tema, para as atuais mamães, futuras mamães e aquelas que assim como eu, ainda não estão tão próximas de se tornarem mães. E espero que seja também uma quebra de paradigmas entre o que se deseja e o que se tem, entre sonho e realidade.

Não se pode ter todas as coisas do mundo. Mas certamente ter um filho não é o fim de todas elas.

 

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mania de perseguição.

Poucas coisas me irritam tanto na vida quanto gente antipática. Não estou falando em ser super amiga de alguém, ou criar uma intimidade instantânea com pessoas que você mal conhece, estou falando sobre ser cordial, sobre tentar se habituar em um ambiente, escutar, argumentar, ser gente de verdade.

Há mulheres (muitas) que tem mania de perseguição. Que reclamam da sogra, da cunhada, do genro e acham que o mundo, o tempo todo, conspira contra a sua felicidade. Que todos estão muito importados em destruí-la e que, no final das contas, a cumprimentam por educação e não porque tem um real afeto sobre ela. Parto do princípio que todas as relações, em um primeiro momento, são forçadas. Não é possível gostar de alguém que não se revela, ou pior: que está o tempo todo dando desculpas para sua preguiça de interagir, na defensiva.

“Não estou aqui pra agradar ninguém”é uma frase verdadeira. Em partes. Não há como namorar um sujeito e não suportar a família dele, não existe a possibilidade de estar ausente do seu universo, problemas e chateações. Você gosta de alguém em combo, e sim, está aí pra agradar quem quer que seja se desejar ter uma convivência minimamente agradável com aqueles que importam para quem se importa com você.

Não podemos ter medo de ser quem somos e, muito menos, usar isso como desculpa para não gostarmos de alguém. No mundo real é preciso lidar com o chefe, com os problemas, com as personas non gratas, pra evitar as rugas e para provar, por fim, que somos mesmo infinitamente superiores a qualquer picuinha adolescente.

Pior que ser sempre a vítima e se dizer “mal recebida” em território estranho é ser anti-social,  e acabar legitimando ser aquilo que mais teme: chata.

Como diria o rei, “é preciso saber viver.” E só se aprende, tentando.

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mãe repelente.

Quando um homem é pai solteiro vive rodeado de possíveis pretendentes. Não sei se isso faz parte da vontade de algumas mulheres de ser mãe, ou se é alguma coisa inerente a sermos mais tolerantes, a entendermos que alguns relacionamentos na vida não são eternos (e que podem gerar seus frutos), que filhos não são um estorvo na vida, e sim, benção e que, no final das contas, o relacionamento se dá à dois, ainda que tenha seus percalços emocionais vez ou outra. Qual namoro não tem, não é mesmo?

Tenho esbarrado em muitas mães solteiras e sozinhas que não estão assim tão contentes com essa opção. Mulher com filho é repelente certo de paquera, meus nobres leitores, em pleno o século XXI. Já aceitaram os homossexuais, já aceitaram a pílula, já entenderam que as mulheres têm direitos sobre o próprio corpo, mas essa briga, antiga, sofrida, das mães solteiras, ainda continua.

É compreensível, na  nossa sociedade, o fato do homem ser o provedor e, a mulher, aquela que cuida dos filhos. Na cabeça de uma mulher, inclusive,  o fato de um sujeito se interessar por ela, mas desprezar o fato dela ter filhos é aceitável, é a ordem natural das coisas, como se ela fosse culpada pelo modo como a vida se encaminhou. Não sei se vocês se recordam das aulas de biologia, mas ainda não é permitido termos filhos sem um auxílio masculino, seria ótimo, aliás. Afinal, não são as crianças  o símbolo do envolvimento de uma mulher com um outro alguém? A prova viva de que ela não é mais virgem, casta, santa, outro absurdo que ainda temos que escutar de muitos homens? Que nos tornamos imprestáveis por termos passado? Mas esse, afinal, é assunto para outro post.

O que eu quero dizer, é que as reclamações das mães solteiras são verdadeiras. Que o impedimento em namorar tão comentado  é antropológico. É do preconceito que vem da vó que se recusa cuidar dos netos para a filha “vadiar por aí”. É da possível sogra, que vai fazer de tudo para “separar o filho dessa desqualificada”. E é dos homens que não querem assumir um papel de “pais”, visto que tem dificuldades em se responsabilizar até por si mesmos, que dirá por filhos que não vieram de um relacionamento comum.

Por fim, como as pessoas não são padronizadas e, graças a Deus, o mundo caminha pra frente, conheço uma amiga que foi casada, separou, namorou, separou e  já está namorando de novo: feliz, com duas crianças lindas e super bem resolvida.

O mundo é cruel, a gente sabe. Os homens estão difíceis, a gente sabe. Mas se uma pessoa não tiver a decência de dispensar uma mulher por motivos mais valorosos que o fato dela ter filhos, nunca terá a maturidade para entrar em um relacionamento, se envolver e ficar sujeito a todas as suas implicações. Afinal, por trás de toda a mãe há uma mulher incrivelmente interessante, experiente e muito mais que isso: disposta e preparada para encarar o que vier.

E perde mesmo é quem nem tenta.

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como nossos pais.

Na dinâmica social cada um tem sua função e as coisas não se dão dessa maneira à toa. Às vezes, as pessoas se misturam e acabam ocupando lugares por acreditarem ter conquistado esse direito. Às vezes, impõe respeito sem ter, exigem amizades, sem as possuir de fato, e cobram amor, sem merecer. Daí surgem os problemas de relacionamento, as crises familiares e os aborrecimentos no trabalho; é tudo uma questão de auto-conhecimento, de encontrar o seu lugar e o seu espaço no mundo.

A relação dos pais com os seus filhos, por exemplo, sofre uma série de transformações. Os pais cuidam, orientam, mas não podem ser donos da vida de ninguém que não seja da própria, lamento. Devem ser autoritários sem perder a razão e saber que por alguns momentos serão odiados por isso. Recompensa de pai e mãe nunca é imediata ou justa.

Não sei quem foi que disse que os familiares devem ser nossos amigos, acho essa colocação ridícula. Pai e mãe são superiores às amizades, são eles que passam todos os nossos valores, que nos ensinam cada coisinha que nos faz ser quem somos. Não entendo por que eles desejam tanto ocupar o posto de confidentes quando devem ser educadores: é como pedir pra que o professor do colégio nos ajude a cabular aula – não tem cabimento.

Os pais não devem, não precisam e não podem ser íntimos dos filhos, pois há assuntos e questões tão particulares e individuais que nem as famílias mais modernas saberiam lidar e que as crianças – por mais abertas que sejam – não querem compartilhar.

Cada um deve ter sua vida, personalidade e círculos de convivência que, eventualmente, se misturam, óbvio, mas que tem uma hierarquia. Mães, sinto muito, mas o tempo de vocês passou. Não dá pra serem filhas e sair de balada fazendo fofoca dos “amigos de 14 anos” porque eles tem menos que a metade da sua existência, experiência e maturidade – são algo que você, há muito, não é – e que, com certeza, não deseja ser.

Não dá pra dizer que saia curta pode, mas que dormir com o namorado não. Não pode achar legal beber de vez em quando, mas ficar bêbado, não. Nas regras deve haver coerência.

Quando somos, somos INTEIROS e não metade. Por isso que você viveu mais; pra aconselhar, acompanhar e reprimir quando for preciso, não para ser gente boa: se for ruim demais, não funciona. Se for mole, também não.

Posso estar parecendo uma tradicionalista, quadrada, mas acho que é isso que falta no mundo. Será que não estamos confundindo o nosso amor pela família e misturando as coisas? Será que essa confusão de parâmetros não deixa os filhos perdidos, desorientados e mal educados? Você pode ser uma mãe “prafrentex” só não pode ser invasiva. Você pode usar roupas da moda, só não pode perder a noção do ridículo. Você também é parceira dos seus filhos, só não é um membro da turma deles. Você é mãe e não companheira de birita e carteado, não pega bem.

Você pode quebrar as regras eventualmente, claro, só não pode perder o controle.

É importante ter referências. E saber que quando a coisa se complicar alguém vai ter as palavras mais reconfortantes e sábias para dar. Pais acreditem: apesar dos pesares os filhos sabem disso.

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família.

Pais neuróticos e mães histéricas. Avós conservadores ou extremamente desbocados. Prima sapatão, primo gay, tia  religiosa e tio ateu. Alguém com câncer, alguém com pressão alta. Parente rico, parente pobre. Todas as famílias são igualmente problemáticas, todas as famílias tem alguém que incomoda ou alguém para servir de vítima em uma discussão.

Não existe a vida perfeita, a família modelo, os parentes ideais. Somos pessoas. Sendo assim, já nascemos com problemas de personalidade, com vontades incompatíveis e somos obrigados a conviver com gente que em circunstâncias normais nem gostaríamos tanto assim, mas que aprendemos a amar porque assim a vida impôs.

Palavras cortantes, discussões sem sentido, momentos de raiva incontroláveis. Você promete que não vai fazer igual e faz. Você promete que não vai mais discutir e discute. É assim que é com todo mundo e é assim que as coisas devem ser. Se fossem diferentes, provavelmente, não seriam tão boas quando são boas. É impossível não viver nenhum momento agradável em meio a gente que te conhece mais que você mesmo.

Se tem uma coisa que a família ensina é a ser forte. E a amar muito independente de qualquer situação.

Ainda que, às vezes, dê vontade de sumir.

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